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terça-feira, 5 de julho de 2011

Economia: Consumidor paga até 23% de imposto por litro de etanol

Finalmente encontramos alguns dados sobre os impostos para o caso do Etanol. 


Veja a diferença no valor do ICMS, a alíquota chega a 24% no Rio de Janeiro, e fica em 12% em São Paulo. 

Em SP você pode encontrar Etanol a R$ 1,60 o litro, já no RJ o mesmo pode chegar a R$ 2,40. É muita diferença!





05/07/2011 - 08h55 - Folha de São Paulo
VENCESLAU BORLINA FILHO - DE RIBEIRÃO PRETO

O consumidor poderia pagar mais barato pelo litro do etanol se não fosse a cobrança de 23,04% em impostos no valor final do combustível no Estado de São Paulo.

É o que conclui estudo da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) feito pelo economista Leonardo Coviello Regazzini.

Ele mapeou o custo tributário do setor, da produção à comercialização. No preço médio atual, os tributos chegam a custar até R$ 0,41 ao consumidor, por litro.

Segundo a pesquisa --de mestrado--, 17,18% do valor final do álcool refere-se a ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e PIS/Cofins.

O restante é formado por encargos trabalhistas, ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural), contribuição sindical rural, Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), Imposto de Renda e CSLL (Contribuição Sobre o Lucro Líquido).

Em São Paulo, a alíquota de ICMS é de 12%. O PIS/Cofins representa 3,65% na usina e 8,20% na distribuidora.

"Quando há redução da carga tributária, há redução do preço ao consumidor e aumento do lucro. Isso ficou comprovado com a redução do IPI para as montadoras durante a crise em 2009", disse Regazzini.

A Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) alega que o mais importante agora é discutir a uniformização da alíquota do ICMS entre os Estados produtores.

Isso porque a alíquota chega a 24% no Rio de Janeiro, ante os 12% de São Paulo.

A Secretaria da Fazenda de São Paulo informou, via assessoria, que não há nenhum estudo em andamento que vise reduzir a alíquota de ICMS do etanol.
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sexta-feira, 1 de julho de 2011

FHC volta a dizer que assinou sem ler decreto de sigilo eterno

Interessante revelação. Um tucano graúdo diz que "assinou sem ler".

Então, temos gente do PT e do PSDB que "assina sem ler". Lembram do José Genoíno, do PT? Os militantes destes partidos agora têm munição para atacar um ao outro nas próximas eleições. 

Confira:


BRENO COSTA - DE BRASÍLIA - Folha de SP | 30/06/2011

O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso voltou a afirmar nesta quinta-feira que assinou o decreto que cria o sigilo eterno em relação a determinados documentos produzidos pelo governo sem saber do que se tratava.

"Fiz sem tomar conhecimento. Foi no último dia do mandato, tinha uma pilha de documentos e eu só vi dois anos depois. O que é isso? Mandei reconstituir para saber o que era", afirmou FHC ao chegar ao gabinete do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O fim do sigilo eterno está em discussão no Senado. Inicialmente apoiado pela presidente Dilma Rousseff, o projeto sofre resistências dos ex-presidentes Sarney e Fernando Collor. Dilma recuou, mas depois voltou atrás e agora volta a trabalhar pela aprovação do projeto.

Segundo FHC, a presidente hoje já tem o poder de acabar com o sigilo eterno.

O tucano, que acaba de completar 80 anos, será homenageado hoje no Senado. Um auditório da casa foi todo decorado com painéis que classificam FHC de "estadista do novo Brasil".
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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sociedade: Crimes na USP caem após morte de estudante, resultado do policiamento no campus

Isto é um dado muito interessante, pois os "intelequituais" das universidades conseguiram banir a polícia dos espaços universitários públicos de todo o Brasil, com desculpa na Lei e em argumentos insustentáveis.

Mais abaixo segue a reportagem que originou este post.

Para muitos, a polícia no campus universitário representa "repressão", resquício da "ditadura militar" e coisas do tipo. Mas, pensemos de maneira sensata: 

- o que ocorre com um espaço público sem policiamento?

- o que leva alguns grupos de estudantes e funcionários a serem contra a presença da polícia no campus?

Em geral, as respostas dos críticos variam entre: isso é coisa de gente com ideologia de esquerda; isto é coisa de baderneiros; ou ainda, isto é coisa de gente que quer consumir drogas na universidade sem ser importunada pela polícia. Há ainda, como na reportagem abaixo, quem mantenha o discurso de que a presença da polícia no campus “é uma forma de afronta à liberdade da faculdade...".

Afronta a liberdade? Que liberdade? Então a presença da polícia nas ruas é uma forma de afronta à liberdade das ruas, à liberdade da cidade, à liberdade dos bandidos, dos consumidores de drogas, afinal, eles também pagam impostos (quando compram no supermercado, abastecem automóveis, etc). Raciocínio estranho!

Independente do motivo ou da resposta, somos totalmente favoráveis ao policiamento das universidades. Quem não deve, não teme a presença da polícia! Em universidades federais, somente a polícia federal tem acesso aos espaços universitários, em geral, a PM só pode entrar com autorização (e assim, alguns grupos utilizam esta brecha para pressionar reitores a não autorizar a presença da PM nas universidades).

Se um assalto ou furto está a ocorrer enquanto você passa pelo local e vê a cena, você acha que vai poder ligar para a PF e eles vão aparecer rapidinho? Eles têm mais o que fazer. Isto é trabalho para a PM e em certas cidades, para a Guarda Municipal. Eles devem ser chamados, e ter acesso ao espaço universitário como a qualquer espaço público da cidade onde está instalada a universidade.

Em espaços universitários são comuns furtos de equipamentos, roubos, estupros, sequestros, venda e consumo de drogas, etc. Não entendo como pode alguém ser contra a polícia no campus, que justamente dificulta a existência (e continuidade) de tais ocorrências.

E os dados, embora sejam referentes a poucos dias, já mostram o resultado positivo e esperado: que bandidos que antes sabiam não haver policiamento na USP a se sentiam bem a vontade, agora não agem tão livremente como antes. 

Isto deve ser repetido em todo o país, mesmo contra uma minoria que articula protestos contra a presença da polícia no campus, e depois reclama justamente da polícia e dos políticos pela criminalidade nas cidades. A polícia não é 100% de certeza de segurança, mas sem ela é 100% de certeza de insegurança.

Polícia no campus já!

Confira um levantamento prévio, com bons resultados para a USP:


29 de junho de 2011 | 23h42
LUÍSA ALCALDE - Jornal da Tarde / Estadão

Quarenta dias após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), e a intensificação do policiamento no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital, os crimes caíram cerca de 60% na Cidade Universitária, segundo estatísticas da corporação.

O período analisado no levantamento compara os 40 dias antes do assassinato do estudante com os 40 dias após sua morte, no dia 18 de maio. Dados da PM mostram que os assaltos caíram de 7 para 2 casos, furtos de 46 para 28 (a maioria teria ocorrido no interior das faculdades), roubo e furtos de carro caíram de 21 para zero, homicídio de 1 para zero e sequestro de 1 para zero. Em relação a furtos, houve redução de 39,1%. Dos 28 casos ocorridos nos 40 dias após a morte do universitário, apenas três se deram em local público.

Além de comemorar os bons resultados, o major William Evaristo Wenceslau, subcomandante do 16º Batalhão da PM e responsável pelo patrulhamento da USP, já fala em “quebra de tabu” sobre a histórica aversão à presença de PMs no câmpus. “Pelo menos de boa parte da comunidade acadêmica”, ressalva.

O “termômetro” usado pelo oficial para medir essa aceitação são os chamados que os PMs têm recebido no dia a dia. “Antes éramos acionados para intervir depois que os delitos já haviam ocorrido. Agora, são frequentes as ligações de estudantes, professores e funcionários que observam pessoas em atitudes suspeitas e nos procuram para averiguarmos”, afirma.

Uma viatura e oito motos da PM circulam no câmpus das 6 horas às 23h30 diariamente. Viaturas da Guarda Universitária também patrulham o local. Quem estuda ou trabalha na USP já se sente mais seguro. Os estudantes peruanos de pós-graduação em Ciências da Computação Jorge Luis Guevara Diaz, de 31 anos, e Leissi Margarita Castañeda León, de 23, não se sentem mais receosos de andar pela USP à noite. “Antes da presença da PM, após as 21 horas as ruas eram desertas”, disseram.

Anita Leal, de 21 anos, que faz iniciação científica em Biologia também tem visto mais carros da PM circulando. “Estou mais tranquila agora”, disse. O estudante de Ciências Sociais Luis Serrao, de 25 anos, acha que a segurança melhorou sobretudo para quem se desloca de carro na universidade. Por outro lado, avalia, “é uma forma de afronta à liberdade da faculdade. Afinal, para que servem as câmeras da USP?,” questiona. Amanda Francisco, de 17 anos, trabalha no Hospital Veterinário e disse não ter visto mais ou menos policiais no câmpus. “Para mim, está igual”, disse.
A assessoria de imprensa da USP afirmou, por nota, que a universidade só se manifestará sobre segurança no câmpus após formalização do protocolo junto à Secretaria da Segurança Pública, sem data definida.

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Interessante comentário de um leitor:


30/06/2011 - 05:06 - Enviado por: Eduardo

É interessante como a sociedade brasileira possui memória curta. Estudei na USP e me lembro muito bem, como se ainda fosse hoje, o dia em que Reitoria decidiu criar a tal Guarda Universitária em colaboração com a PM. O projeto previa treinamento e equipagem dos policiais (até cheguei a ver viaturas da PM com o escrito “Guarda Universitária”).

A Reitoria tomou tal atitude após, entre outros fatos, ter ocorrido tiroteio em uma festa (costumeiras na Universidade) dentro do Campus. Foi a notícia correr (sobre o projeto) e as primeiras viaturas começarem a circular pelo Campus que os protestos começaram. Alunos e funcionários fizeram greve, bloquearam vias da USP e até invadiram a Reitoria em reinvindicação da retirada da PM da USP.

Esta minoria (como sempre) de baderneiros dizia que Polícia na Universidade é coisa de Ditadura e que os alunos sentir-se-iam reprimidos pela presença policial no Campus (leia-se: com a Polícia na Universidade não se pode fumar aquele “baseadinho” entre as aulas).

Depois de muito quebra-pau, a Reitoria decidiu voltar atrás, retirou a PM do Campus (péssimo erro!) e contratou uma empresa particular de segurança. Resultado: aumento dos gastos da Universidade e piora na segurança. O que me pasmou nesta história toda foi que a Sociedade queria culpar a Reitoria por descaso, quando na verdade a mesma apenas acatou aquilo que seu ilustres discentes solicitaram.

Ah…antes que alguém fale que sou de direita ou capitalista ou contra comunista, lembre-se que já estamos em 2011, que a Guerra-Fria já acabou faz tempo, que o muro de Berlin já caiu há 20 anos, que a China Comunista é o país mais capitalista da atualidade e que olhar para só para o passado nos impede de progredir para o futuro! Vamos parar com essa balela de direita x esquerda e, de uma vez por todas, começar a pensar como podemos, unidos, melhorar esse país!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ciência: Mídia divulga notícia parcialmente verdadeira - O exame de DNA em 50 segundos

Saiu hoje a notícia sobre uma invenção brasileira, mas, cautela, tratando-se de Ciência, os jornalistas costumam confundir as coisas, por não as entender adequadamente. Segue a notícia, depois comentaremos:


29 de junho de 2011 • 12h39 • atualizado às 13h08

Um novo modo de extração de DNA, que reduz o tempo de identificação de 48 horas para 50 segundos, foi apresentado esta semana em Curitiba no 38º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas e no 11º Congresso de Citologia Clínica. Os encontros, que terminam nesta quarta-feira, reuniram cerda de 4 mil pesquisadores.

O novo método de análise de DNA foi desenvolvido pela equipe do Instituto de Criminalística do Paraná. Segundo o perito Hemerson Bertassoni, o método "é mais eficiente e rápido do que o usado atualmente no mundo inteiro". De acordo com ele, a técnica dará maior agilidade à elucidação de crimes e conclusão de inquéritos policiais", afirmou.

Ele conta que para desenvolver o método foi usado um equipamento chamado Precellys, criado inicialmente para extrair DNA de plantas e tecidos. A máquina foi adaptada para retirar o DNA de ossos humanos. "Usamos o novo método de extração de DNA em oito ossos carbonizados, cuja identificação não foi possível pelo método clássico", disse. Dos oito corpos, foi obtido o perfil genético de sete deles. "Enquanto a técnica clássica de extração de DNA leva entre 24h e 48h para ser concluída, o resultado da análise pelo Precellys leva menos de um minuto", destaca o pesquisador.

Outras inovações

De acordo com o organizador dos congressos, Paulo Roberto Hatschbach, também foram destaques nos encontros os diagnósticos e avanços no tratamento da hepatite, da alergia a remédios e o retorno de doenças erradicadas no passado.

Entre os medicamentos, 40% das alergias são causadas por anti-inflamatórios, muito consumidos nesta época do inverno. Segundo o alergista Luis Felipe Chiaverini, diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, com a chegada das temperaturas mais frias, as pessoas costumam se automedicar com mais frequência para tratar sintomas comuns de gripes e resfriados, o que pode ser um risco para quem tem reações alérgicas a medicamentos.
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O título da reportagem induz o leitor ao erro. Perceba que a reportagem menciona um "novo modo de extração de DNA", que é um avanço, mas é apenas uma parte do procedimento para o exame de DNA. Portanto, o que caiu para 50 segundos foi o tempo de extração de DNA, além da técnica ser mais eficiente, de acordo com a divulgação.

Já é um avanço, mas novas técnicas precisam ser desenvolvidas para reduzir o tempo de realização de um exame de DNA. Isto facilitaria muito o trabalho da polícia.

De qualquer modo, pesquisadores brasileiros, mesmo com poucos recursos, conseguem obter inovações. Imaginem com mais investimentos em Ciência e Tecnologia? (ou para usar um palavreado bonito, mais investimentos em P&D&I - Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O custo de um político no Brasil

Veja no vídeo abaixo um interessante estudo comparativo sobre o custo de um deputado federal e de um senador no Brasil, e de políticos em outros países.

É interessante perceber para onde vai grande parte do dinheiro dos contribuintes - nosso dinheiro, para manter um sistema ineficiente e com altos salários juntamente com muitas regalias. 


Até quando vamos sustentar isso? Confira:



quinta-feira, 23 de junho de 2011

Lei Seca: mais um político. Após Aécio Neves, agora é a vez de Índio da Costa

Depois de Acécio Neves (PSDB/MG) desta vez foi o vice de José Serra na disputa presidencial de 2010, Índio da Costa, na ocasião, filiado ao  DEM, hoje PSD/RJ.

Negou-se a passar pelo teste do bafômetro e tem a carteira de motorista apreendida. Pelo twitter, segundo o jornal O Globo, ele comentou:

"Bebi um vinho no almoço e não sei a duração do efeito para o bafômetro. Preferi não soprar. Um amigo dirigiu meu carro até a casa. Minha carteira ficará no Detran por 5 dias."

Mas, preste atenção na reportagem abaixo. Ele foi parado pela blitz às 23h!!! Se bebeu no almoço, porque ter receio de passar pelo bafômetro às 23h? Suspeito...

Enquanto isso, políticos seguem bebendo e não passando pelo bafômetro tranqüilamente...


23/06/2011 - O Globo

RIO - O candidato à vice-presidência da República na chapa de José Serra nas eleições de 2010, o empresário Índio da Costa foi parado em uma blitz da Lei Seca no Leblon, na Zona Sul do Rio, e teve a carteira de motorista apreendida ao se recusar a fazer o teste do bafômetro, na madrugada desta quinta-feira (23).


Segundo a assessoria de imprensa do governo do Rio, o veículo, uma Hilux, foi parado na Rua Bartolomeu Mitre por volta das 23h. O carro só foi liberado depois que o presidente regional do PSD apresentou um condutor habilitado, que dirigiu o veículo para ele.
Em seu Twitter, Índio disse que se recusou a fazer o teste porque teria bebido vinho durante o almoço.
"Bebi um vinho no almoço e não sei a duração do efeito para o bafômetro. Preferi não soprar. Um amigo dirigiu meu carro até a casa. Minha carteira ficará no Detran por 5 dias."

Mesmo tendo a habilitação apreendida, o político parabenizou a competência e seriedade com que o governo do Rio tem feito as operações da Lei Seca.
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A competência não é apenas do governo do Rio, o principal é o agente que está em serviço e faz a coisa acontecer sem medo de carteiraços ou intimidações. Aplicação da lei, para todos!

Brasil chega a 60 Leões em Cannes

Com os 26 prêmios conquistados ontem no festival de publicidade, agências brasileiras já superam os 58 conseguidos no ano passado

23 de Junho de 2011 | 0h 00
Marili Ribeiro - O Estado de S.Paulo

Conhecidos os vencedores de nove das 13 categorias em competição no 58.º Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na costa francesa, o Brasil já pode festejar. O desempenho do País este ano, com 60 estatuetas, sendo cinco de ouro, já é o melhor pelo menos dos últimos dez anos. Em 2010, o País conseguiu 58 Leões.

Nas quatro categorias restantes, o Brasil tem algumas chances. Mas os resultados oficiais só serão revelados no sábado. As maiores esperanças dos brasileiros estão em filmes comerciais. A lista preliminar vai ser divulgada amanhã, mas especula-se que há a perspectiva de pelo menos mais 14 Leões.

Nas outras três categorias - Titanium & Integrated Lions, que premia a inovação em ações de comunicação nas diferentes plataformas de mídia; Film Craft Lions, que celebra as inovações na produção de filmes comerciais: e Creative Effectiveness Lions, que elege as peças publicitárias que efetivamente deram resultados aos anunciantes que pagaram por elas -, o Brasil ainda não tem grande tradição.

As categorias em que o Brasil realmente se destaca são os anúncios impressos e os outdoors, que são peças publicitárias correlatas em boa parte do tempo. Em outdoors, o Brasil ganhou 17 troféus. Em anúncios impressos, ganhou 20, sendo um deles um Leão de ouro.

Reconhecimento. O jurado brasileiro em Impressos, Marcos Medeiros, diretor de arte da AlmapBBDO, disse que há reverência ao trabalho brasileiro na área. "O presidente do júri (Tony Granger, presidente global de criação da Young & Rubicam) olhava para uma peça é dizia: deve ser do Brasil. E era. Confesso que eu mesmo não sei identificar exatamente, mas há um jeito de fazer peças impressas que tem a cara do Brasil."

Medeiros reconhece que o desenvolvimento do Brasil na arte de fazer bons anúncios impressos está no preço que o anunciante paga por uma veiculação. "Com US$ 150 mil, o cliente não consegue fazer um filme que se destaque, mas faz uma boa campanha que, se ganhar destaque e prêmio em Cannes, ainda tem repercussão na mídia."

Escalada. Sem esconder o cansaço pela maratona de trabalho na presidência do júri de Design, o brasileiro Luciano Deos, sócio do escritório GAD Design e presidente da Associação Brasileira de Design (Abedesign), se mostrava bastante satisfeito com os cinco troféus obtidos na categoria, dois deles de ouro.

"São apenas quatro anos de participação no festival de Cannes", disse. "Há três a Abedesign começou a se envolver e a mudar a percepção de que o Brasil também tem design de qualidade. Tanto que, no folder que preparamos para o estande que montamos aqui, mostramos que temos design em carro (Fiat Mille desenvolvido no Brasil), temos design em avião. Não precisamos nos intimidar com a produção na área dos anglo-saxões."

Deos está convicto de que, mais do que o crescimento da participação, ou a preocupação com a quantidade de prêmios obtidos, o que precisa efetivamente mudar é a mentalidade. "Temos capacitação para oferecer alternativas a clientes globais, e faremos isso. Por isso mesmo, destacamos a frase de que o mundo, em cinco anos, estará comprando o design brasileiro."

De forma geral, a categoria, que passou a estar presente na competição em Cannes há quatro anos, é relativamente nova também para os outros países participantes. "Então", diz Deos, "vamos ocupar posições, antes que outros façam isso".
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Especial Líbia II: Omar bin Laden filho de Osama: “Quero ir prender Kadhafi”



No segundo "especial" sobre a Líbia, um ponto de vista oposto ao apresentado anteriormente. Uma entrevista com o filho de Osama bin Laden, que ideologicamente, mostra-se em lado oposto ao seu pai.

Omar bin Laden filho de Osama: “Quero ir prender Kadhafi”

Encontramo-nos num pequeno hotel de Doha, capital do Qatar, cujo nome Omar não quer ver publicado. Ele e a mulher, Zeina, britânica convertida ao Islão, temem que tentem matá-los.

02/04/2011 – Expresso – Portugal
Henrique Cymerman, enviado ao Qatar

Em 2009, enviados de Bush bateram-lhe à porta. Que queriam?

Levar-me para os EUA, sob proteção, em troca de ajuda para encontrar o meu pai. Disse que não. É meu pai, sou filho dele e, regra geral, um filho gosta do pai e respeita-o, embora possa discordar, muitas vezes, das suas ideias. Saí do esconderijo do meu pai com 20 ou 21 anos. Não foi por ele, quis apenas voltar a casa e fazer-me à vida.
Que pensa do terrorismo?

Não apoio a violência, os ataques e esse tipo de coisas, exceto se autorizados pelos grandes governos, por bons motivos, como sucede na Líbia. A ONU usa o seu exército para procurar a paz.

Onde estava a 11 de Setembro de 2001 e como se sentiu?

Não quero falar muito disso. Não sei quem está por trás do atentado, ponto final. É um tema doloroso.

Não sabe mesmo?

Não é isso que importa. É um tema velho e falar dele não fará bem a ninguém. O que importa é que não estou de acordo com este ato. Morrem inocentes por todo o mundo, é certo. Sinto o mesmo por todos eles, judeus, palestinos, americanos, afegãos, iraquianos... são seres humanos.

O seu pai ficaria desiludido com essas palavras, depois de o ter treinado?

Não tenho recados para o meu pai, vivo no meu mundo e ele, no dele.

Que pode fazer contra a violência?

Depende do estado do país e das pessoas. Às vezes recorrem à força por terem sido expulsos de casa, e aí há que usar a força para repor a justiça. Já os que usam a força só porque querem controlar o mundo, sem razão, violam os direitos humanos.

Há, então, ocasiões em que é legítimo a Al-Qaeda recorrer à força?

Da Al-Qaeda não sei. Parece que estão em muitos países e fazem muitos planos... alguns são amáveis, outros malvados, outros religiosos, outros terroristas, outros razoáveis. Todos deixam as suas famílias e recebem a hospitalidade do meu pai, com quem ficam.

Acha que o seu pai está vivo?

Não sei, mas acredito que sim.

Recebeu alguma mensagem dele desde que saiu do esconderijo?

Não. Nisso sou igual a si. Recebeu alguma mensagem do meu pai?

Não. Mas fica triste ao falar dele...

É muito enervante. Só dou a entrevista por crer que é para o bem de todos.

Justificou o ataque a Kadhafi. Apoia as revoluções árabes?

Em muitos países há povos que se unem para derrubar governos. Não é o caso da Arábia Saudita. Agradeço ao rei Abdallah, que Deus o abençoe e à família Saud. São justos, por isso não têm problemas. Benditos sejam o povo do Qatar e o emir Hamed, que luta pela paz. Graças a Deus a situação no Golfo Pérsico é boa. No Norte de África é diferente, há lutas, porque os líderes erram e fazem o povo passar fome. Só têm duas hipóteses: consertar o que está mal ou dar o lugar a alguém que o povo tenha escolhido. Combater o povo, matá-lo... não é bom. Os outros países devem corrigir tais situações.

Então apoia a revolução no Egito?

O povo egípcio poderá responder-lhe. É legítimo depor Mubarak mas não seria expulsá-lo ou desrespeitá-lo, pois dedicou toda a sua vida à presidência. Tem direito a morrer na pátria.

É necessário derrubar Kadhafi?

Tanto ele como o filho cometem atos terroristas contra civis. De início, os cidadãos não quiseram depô-los, mas por fim não tiveram outra alternativa.

Deve ser detido?

Sim. Se o rei saudita consentir, irei pessoalmente prendê-lo.

E se o seu filho Ahmed, de 7 anos, perguntar quem tem razão, o pai ou o avô?

É cedo para lhe falar dessas coisas. Nunca conheci um terrorista em toda a vida. Bom... Alguns, talvez, mas afastei-me. Direi a Ahmed que não se torne terrorista. Devemos ser gente normal que vive uma vida normal.

Mudava o seu passado se pudesse?

O que passou, passou. Em dezembro o Qatar adere à Aliança de Civilizações da ONU e, se quiserem, posso ser enviado para o Médio Oriente. O mundo inteiro tem de agir em nome da paz.
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Especial Líbia I: O professor luso que admira Kadhafi


Seguem dois "especiais" sobre a Líbia, com diferentes pontos de vista. Neste primeiro, um professor português que esteve em Líbia revela alguns pormenores interessantes, confira abaixo:

O professor luso que admira Kadhafi

Docente na Líbia, na Universidade de Sirte, Francisco Rocha é uma voz contra a corrente.

02/04/2011 – Expresso – Portugal
José Pedro Castanheira

Francisco Rocha, de 62 anos, era professor da Universidade de Sirte até há um mês. Um dos 138 portugueses registrados na embaixada em Tripoli, ele e a mulher Elisabet, sueca, tiveram que deixar a Líbia a 22 de Fevereiro. Em Lanhenses (Viana do Castelo [Norte de Portugal]), acompanha, preocupado, o ataque dos rebeldes a Sirte, cidade-berço de Kadhafi, onde deixou numerosos amigos. “Acredito que vão lutar até à última pessoa. Mas se não houvesse intervenção internacional Kadhafi venceria.” De nacionalidade portuguesa e sueca, trabalha na cooperação há 40 anos. Ateu, já esteve em 92 países e é adepto furioso do Facebook. Contra toda a corrente, não esconde a simpatia por Kadhafi e em especial pelo filho Saif.

Paco Rocha – como é conhecido – esteve na Líbia pela primeira vez no fim de 1999, “quando se começou a falar do bug do milênio. Sou meio tolo e decidi ir com a família para onde não se entrasse no ano 2000” - ou seja, para um país muçulmano. A família Rocha passou então duas semanas em Tripoli: Paco, a mulher Elisabet, uma anglo-sueca de 56 anos, e os dois filhos, Max Love (de 26, jornalista no Equador) e Nina Liz Bella (de 18, a estudar na Noruega). O português voltou à Líbia assim que terminou um contrato em Moçambique. “A minha mulher não lidou bem com a miséria em Cabo Delgado. Como sabíamos que não havia pobreza na Líbia, foi viver lá, em 2008.” Paco juntou-se-lhe em Dezembro de 2008. Professores na universidade de Sirte, Elisabet, que é funcionária do British Council, dava aulas de inglês, enquanto Paco colaborava no ensino de inglês e espanhol e tentava, sem êxito, abrir um departamento de português.

A cidade não existia quando Muammar Kadhafi nasceu, em 1942, ali perto. Com 150 mil habitantes, é “especialmente conservadora e religiosa”, e cheia de contrastes, com pessoas “vestidas biblicamente, a falarem por iPhone” e uma separação “total” entre homens e mulheres. Os habitantes “são loucos por futebol, o único divertimento dos jovens”, o que faz com que Portugal seja muito popular. Não há cinema, considerado “um pecado”, nem música ocidental, nem restaurantes (com exceção de um turco). “Não há nada para fazer nem onde gastar dinheiro.” Em Sirte, como na Líbia em geral, “nunca vi pobreza material. Tudo é subsidiado. Nada se paga: água, eletricidade, telefone fixo...”

O isolamento de décadas leva a que “quase ninguém” fale outras línguas. “Não se encontram líbios a falar inglês, nem sequer nas fronteiras. É por isso que, quando vejo nas televisões os rebeldes a falar inglês sou levado a pensar que vieram de fora.” O que não é difícil: com uma população de seis milhões, “quatro milhões são imigrantes”. Só em Bengasi, onde nasceu a rebelião, “metade são egípcios”.

Na opinião de Francisco Rocha, “os dois opressores do povo líbio são a religião e as tradições”. Kadhafi também não é? “Kadhafi não é um opressor. Nunca encontrei ninguém que não o adorasse. Para eles, é como se fosse a Nossa Senhora de Fátima. É o pai da nação, o símbolo da revolução.” O português distingue Kadhafi do Governo. “O descontentamento que existia era contra alguns ministros, não contra Kadhafi”. Apesar de o coronel estar no poder há 41 anos. Rocha rejeita a insinuação com uma pergunta: “E há quantos anos está no trono a rainha da Inglaterra?”

Saif al-Islam Kadhafi é o filho de Kadhafi que tem dado a cara na televisão. “Ele quis levar um milhão de computadores 'Magalhães' para a Líbia e tem lutado pela transparência do Governo.” Paco declara-se “seu admirador. Falei com ele duas vezes ao telefone. Diz que a Líbia não é uma dinastia e que não deve suceder ao pai.”

A autenticidade da rebelião merece-lhe as maiores dúvidas. “Enquanto lá estive, não ouvi um único tiro e só vi manifestações a favor de Kadhafi.” A situação atual é diferente. “Agora há uma guerra civil. Mas não foi uma coisa espontânea, como se diz no Ocidente. Não havia nenhum diplomata que previsse isto: há um mês estavam todos a fazer negócios com ele.” De uma coisa diz-se convicto: “Isto não tem nada a ver, nem com a Tunísia, nem com o Egito. É algo que se passou de fora para dentro.” A cobertura [da mídia] provoca-lhe uma enorme desconfiança, reforçada pelo facto de manter contactos diários com a Líbia, por e-mail, Skype e telemóvel [celular]. “Os jornalistas não sabem do que estão a falar. Numa guerra, a primeira vítima é a verdade. Todos mentem!” Chama a atenção para o facto de haver “quem chame ao coronel kafir, que significa infiel”. Esta acusação é dirigida normalmente “aos que estão a abrir muito ao Ocidente. É um sinal de que há ali uma componente fundamentalista, que pode fazer da Líbia um novo Afeganistão, guiada pelo monóculo do Corão.”

Francisco Rocha nunca ouviu falar na Líbia de partidos políticos. Nem acredita na sua viabilidade: “Na Líbia, é tudo tão diferente! É impossível adotarem a democracia tal como nós a entendemos. Para haver democracia tem que haver tolerância” - o que não existe. A causa principal é a religião, que “está a estrangular aquela sociedade”.

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Brasileiro é eleito para a Academia de Ciências dos EUA

Brasileiro é eleito para a Academia de Ciências dos EUA

17/05/2011 - Revista Pesquisa FAPESP
Maria Guimarães

O entusiasmo com a ciência faz parte do cotidiano desde a infância de Michel Nussenzweig, hoje imunologista na Universidade Rockefeller, em Nova York, Estados Unidos.

“Parece ser uma coisa incrível de se fazer”, percebeu já durante os primeiros anos de vida no Brasil, onde nasceu, e em Nova York a partir dos 12 anos, onde os pais – os renomados parasitologistas Victor e Ruth – foram fazer um pós-doutorado e acabaram se instalando.

Nussenzweig ainda tentou um leve desvio pela medicina, mas, como os pais (também médicos), encantou-se com o funcionamento das células e acabou na pesquisa científica. Rota cujo brilho acaba de ser reconhecido com a eleição anunciada em 3 de maio para a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Eleito na cota de pesquisadores norte-americanos, Nussenzweig se junta na Academia a outros sete brasileiros dos quais o mais recente (2007) é o neurocientista Iván Izquierdo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

O imunologista resume sua pesquisa de forma simples: “Sou um cientista básico, mas sou também médico”. A combinação o leva a investigar o sistema imunológico desde a origem e o funcionamento das células envolvidas na defesa do organismo, até contribuir para testes clínicos que buscam de fato desenvolver terapias contra doenças.

Uma das linhas de pesquisa em seu laboratório examina a função das células dendríticas, que Nussenzweig estuda desde o doutorado com o seu descobridor, Ralph Steinman, também da Universidade Rockefeller. “Estamos procurando a forma de mandar antígenos especificamente para essas células e induzir uma resposta imunológica”, disse.

A equipe de Nussenzweig também tem tido sucesso com estudos sobre anticorpos humanos que combatem o vírus HIV, causador da Aids. O trabalho rendeu, nos últimos anos, dois artigos na prestigiosa revista Nature e já se mostrou bem-sucedido em testes com macacos resos.

“A aplicação de anticorpos protetores que algumas pessoas produzem defenderam os macacos da doença”, explicou, de olho nos estudos clínicos que em breve testarão a ideia em seres humanos.

Nussenzweig não participa dessa fase, mas está por trás dela: “Vão usar anticorpos produzidos pelo método que inventei”. Os resultados lhe conferem um certo otimismo em relação à vacina contra a Aids: “É difícil? Sim, mas não é impossível”.

Bem instalado na Rockefeller, com equipe de primeira linha, laboratório equipado e uma sala espaçosa e agradável, o pesquisador não deixa de lamentar a distância que o separa da ciência brasileira.

“O Brasil faz pouco uso dos seus cientistas que estão no exterior”, comenta, lembrando a política do governo chinês de incluir em seu capital intelectual os pesquisadores instalados em outros países, resultando em desenvolvimento científico e transferência de tecnologia para o país. Se o Brasil tomar iniciativas desse tipo, ele desde já se candidata.

Leia mais sobre o trabalho de Nussenzweig:

    * Lanterna microscópica
    * Rumo a vacinas mais eficientes
    * A terceira onda
    * Coquetel de anticorpos