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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Mundo: Venezuela tem a maior reserva de petróleo no mundo, diz Opep - E o pré-sal?


Será que a OPEP levou em conta o pré-sal? 

Esta não deveria ser uma pergunta dos repórteres da Folha? Reservas comprovadas do Brasil? Tem ou não tem as partes do pré-sal? Até leilão com o pré-sal já foi efetuado.


Venezuela tem a maior reserva de petróleo no mundo, diz Opep

18/07/2011 - 18h08 - Folha de São Paulo

A Venezuela ultrapassou a Arábia Saudita em tamanho de reservas confirmadas de petróleo cru em 2010, conforme informou relatório anual da Opep (Organização do Países Exportadores de Petróleo).

Segundo o documento, as reservas venezuelanas chegaram a 296,5 bilhões de barris no ano passado, crescendo 40,4% em comparação a 2009. O nível das reservas da Arábia Saudita ficou em 264,5 bilhões de barris.

O governo venezuelano já havia afirmado em janeiro deste ano que havia ampliado as reservas petrolíferas no país a aproximadamente 297 bilhões de barris, mas o número ainda aguardava a confirmação da Opep, uma vez que a quantia era baseada em informações da estatal venezuelana PDVSA e das empresas transnacionais no país.

Levando em conta o mesmo critério, o Brasil era o 14º no ranking de maiores reservas comprovadas de petróleo em 2010, com um total de 12,9 bilhões de barris. O valor corresponde a um crescimento de 0,4% em relação a 2009.
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Especial Líbia II: Omar bin Laden filho de Osama: “Quero ir prender Kadhafi”



No segundo "especial" sobre a Líbia, um ponto de vista oposto ao apresentado anteriormente. Uma entrevista com o filho de Osama bin Laden, que ideologicamente, mostra-se em lado oposto ao seu pai.

Omar bin Laden filho de Osama: “Quero ir prender Kadhafi”

Encontramo-nos num pequeno hotel de Doha, capital do Qatar, cujo nome Omar não quer ver publicado. Ele e a mulher, Zeina, britânica convertida ao Islão, temem que tentem matá-los.

02/04/2011 – Expresso – Portugal
Henrique Cymerman, enviado ao Qatar

Em 2009, enviados de Bush bateram-lhe à porta. Que queriam?

Levar-me para os EUA, sob proteção, em troca de ajuda para encontrar o meu pai. Disse que não. É meu pai, sou filho dele e, regra geral, um filho gosta do pai e respeita-o, embora possa discordar, muitas vezes, das suas ideias. Saí do esconderijo do meu pai com 20 ou 21 anos. Não foi por ele, quis apenas voltar a casa e fazer-me à vida.
Que pensa do terrorismo?

Não apoio a violência, os ataques e esse tipo de coisas, exceto se autorizados pelos grandes governos, por bons motivos, como sucede na Líbia. A ONU usa o seu exército para procurar a paz.

Onde estava a 11 de Setembro de 2001 e como se sentiu?

Não quero falar muito disso. Não sei quem está por trás do atentado, ponto final. É um tema doloroso.

Não sabe mesmo?

Não é isso que importa. É um tema velho e falar dele não fará bem a ninguém. O que importa é que não estou de acordo com este ato. Morrem inocentes por todo o mundo, é certo. Sinto o mesmo por todos eles, judeus, palestinos, americanos, afegãos, iraquianos... são seres humanos.

O seu pai ficaria desiludido com essas palavras, depois de o ter treinado?

Não tenho recados para o meu pai, vivo no meu mundo e ele, no dele.

Que pode fazer contra a violência?

Depende do estado do país e das pessoas. Às vezes recorrem à força por terem sido expulsos de casa, e aí há que usar a força para repor a justiça. Já os que usam a força só porque querem controlar o mundo, sem razão, violam os direitos humanos.

Há, então, ocasiões em que é legítimo a Al-Qaeda recorrer à força?

Da Al-Qaeda não sei. Parece que estão em muitos países e fazem muitos planos... alguns são amáveis, outros malvados, outros religiosos, outros terroristas, outros razoáveis. Todos deixam as suas famílias e recebem a hospitalidade do meu pai, com quem ficam.

Acha que o seu pai está vivo?

Não sei, mas acredito que sim.

Recebeu alguma mensagem dele desde que saiu do esconderijo?

Não. Nisso sou igual a si. Recebeu alguma mensagem do meu pai?

Não. Mas fica triste ao falar dele...

É muito enervante. Só dou a entrevista por crer que é para o bem de todos.

Justificou o ataque a Kadhafi. Apoia as revoluções árabes?

Em muitos países há povos que se unem para derrubar governos. Não é o caso da Arábia Saudita. Agradeço ao rei Abdallah, que Deus o abençoe e à família Saud. São justos, por isso não têm problemas. Benditos sejam o povo do Qatar e o emir Hamed, que luta pela paz. Graças a Deus a situação no Golfo Pérsico é boa. No Norte de África é diferente, há lutas, porque os líderes erram e fazem o povo passar fome. Só têm duas hipóteses: consertar o que está mal ou dar o lugar a alguém que o povo tenha escolhido. Combater o povo, matá-lo... não é bom. Os outros países devem corrigir tais situações.

Então apoia a revolução no Egito?

O povo egípcio poderá responder-lhe. É legítimo depor Mubarak mas não seria expulsá-lo ou desrespeitá-lo, pois dedicou toda a sua vida à presidência. Tem direito a morrer na pátria.

É necessário derrubar Kadhafi?

Tanto ele como o filho cometem atos terroristas contra civis. De início, os cidadãos não quiseram depô-los, mas por fim não tiveram outra alternativa.

Deve ser detido?

Sim. Se o rei saudita consentir, irei pessoalmente prendê-lo.

E se o seu filho Ahmed, de 7 anos, perguntar quem tem razão, o pai ou o avô?

É cedo para lhe falar dessas coisas. Nunca conheci um terrorista em toda a vida. Bom... Alguns, talvez, mas afastei-me. Direi a Ahmed que não se torne terrorista. Devemos ser gente normal que vive uma vida normal.

Mudava o seu passado se pudesse?

O que passou, passou. Em dezembro o Qatar adere à Aliança de Civilizações da ONU e, se quiserem, posso ser enviado para o Médio Oriente. O mundo inteiro tem de agir em nome da paz.
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Especial Líbia I: O professor luso que admira Kadhafi


Seguem dois "especiais" sobre a Líbia, com diferentes pontos de vista. Neste primeiro, um professor português que esteve em Líbia revela alguns pormenores interessantes, confira abaixo:

O professor luso que admira Kadhafi

Docente na Líbia, na Universidade de Sirte, Francisco Rocha é uma voz contra a corrente.

02/04/2011 – Expresso – Portugal
José Pedro Castanheira

Francisco Rocha, de 62 anos, era professor da Universidade de Sirte até há um mês. Um dos 138 portugueses registrados na embaixada em Tripoli, ele e a mulher Elisabet, sueca, tiveram que deixar a Líbia a 22 de Fevereiro. Em Lanhenses (Viana do Castelo [Norte de Portugal]), acompanha, preocupado, o ataque dos rebeldes a Sirte, cidade-berço de Kadhafi, onde deixou numerosos amigos. “Acredito que vão lutar até à última pessoa. Mas se não houvesse intervenção internacional Kadhafi venceria.” De nacionalidade portuguesa e sueca, trabalha na cooperação há 40 anos. Ateu, já esteve em 92 países e é adepto furioso do Facebook. Contra toda a corrente, não esconde a simpatia por Kadhafi e em especial pelo filho Saif.

Paco Rocha – como é conhecido – esteve na Líbia pela primeira vez no fim de 1999, “quando se começou a falar do bug do milênio. Sou meio tolo e decidi ir com a família para onde não se entrasse no ano 2000” - ou seja, para um país muçulmano. A família Rocha passou então duas semanas em Tripoli: Paco, a mulher Elisabet, uma anglo-sueca de 56 anos, e os dois filhos, Max Love (de 26, jornalista no Equador) e Nina Liz Bella (de 18, a estudar na Noruega). O português voltou à Líbia assim que terminou um contrato em Moçambique. “A minha mulher não lidou bem com a miséria em Cabo Delgado. Como sabíamos que não havia pobreza na Líbia, foi viver lá, em 2008.” Paco juntou-se-lhe em Dezembro de 2008. Professores na universidade de Sirte, Elisabet, que é funcionária do British Council, dava aulas de inglês, enquanto Paco colaborava no ensino de inglês e espanhol e tentava, sem êxito, abrir um departamento de português.

A cidade não existia quando Muammar Kadhafi nasceu, em 1942, ali perto. Com 150 mil habitantes, é “especialmente conservadora e religiosa”, e cheia de contrastes, com pessoas “vestidas biblicamente, a falarem por iPhone” e uma separação “total” entre homens e mulheres. Os habitantes “são loucos por futebol, o único divertimento dos jovens”, o que faz com que Portugal seja muito popular. Não há cinema, considerado “um pecado”, nem música ocidental, nem restaurantes (com exceção de um turco). “Não há nada para fazer nem onde gastar dinheiro.” Em Sirte, como na Líbia em geral, “nunca vi pobreza material. Tudo é subsidiado. Nada se paga: água, eletricidade, telefone fixo...”

O isolamento de décadas leva a que “quase ninguém” fale outras línguas. “Não se encontram líbios a falar inglês, nem sequer nas fronteiras. É por isso que, quando vejo nas televisões os rebeldes a falar inglês sou levado a pensar que vieram de fora.” O que não é difícil: com uma população de seis milhões, “quatro milhões são imigrantes”. Só em Bengasi, onde nasceu a rebelião, “metade são egípcios”.

Na opinião de Francisco Rocha, “os dois opressores do povo líbio são a religião e as tradições”. Kadhafi também não é? “Kadhafi não é um opressor. Nunca encontrei ninguém que não o adorasse. Para eles, é como se fosse a Nossa Senhora de Fátima. É o pai da nação, o símbolo da revolução.” O português distingue Kadhafi do Governo. “O descontentamento que existia era contra alguns ministros, não contra Kadhafi”. Apesar de o coronel estar no poder há 41 anos. Rocha rejeita a insinuação com uma pergunta: “E há quantos anos está no trono a rainha da Inglaterra?”

Saif al-Islam Kadhafi é o filho de Kadhafi que tem dado a cara na televisão. “Ele quis levar um milhão de computadores 'Magalhães' para a Líbia e tem lutado pela transparência do Governo.” Paco declara-se “seu admirador. Falei com ele duas vezes ao telefone. Diz que a Líbia não é uma dinastia e que não deve suceder ao pai.”

A autenticidade da rebelião merece-lhe as maiores dúvidas. “Enquanto lá estive, não ouvi um único tiro e só vi manifestações a favor de Kadhafi.” A situação atual é diferente. “Agora há uma guerra civil. Mas não foi uma coisa espontânea, como se diz no Ocidente. Não havia nenhum diplomata que previsse isto: há um mês estavam todos a fazer negócios com ele.” De uma coisa diz-se convicto: “Isto não tem nada a ver, nem com a Tunísia, nem com o Egito. É algo que se passou de fora para dentro.” A cobertura [da mídia] provoca-lhe uma enorme desconfiança, reforçada pelo facto de manter contactos diários com a Líbia, por e-mail, Skype e telemóvel [celular]. “Os jornalistas não sabem do que estão a falar. Numa guerra, a primeira vítima é a verdade. Todos mentem!” Chama a atenção para o facto de haver “quem chame ao coronel kafir, que significa infiel”. Esta acusação é dirigida normalmente “aos que estão a abrir muito ao Ocidente. É um sinal de que há ali uma componente fundamentalista, que pode fazer da Líbia um novo Afeganistão, guiada pelo monóculo do Corão.”

Francisco Rocha nunca ouviu falar na Líbia de partidos políticos. Nem acredita na sua viabilidade: “Na Líbia, é tudo tão diferente! É impossível adotarem a democracia tal como nós a entendemos. Para haver democracia tem que haver tolerância” - o que não existe. A causa principal é a religião, que “está a estrangular aquela sociedade”.

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