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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pesquisa da indústria revela que só 3% da população culpa a agropecuária pelos problemas ambientais. O povo não é bobo.

Pesquisa da indústria revela que só 3% da população culpa a agropecuária pelos problemas ambientais. O povo não é bobo. Leia a reportagem:


HERTON ESCOBAR - O Estado de S.Paulo

A preocupação dos brasileiros com o aquecimento global e problemas ambientais de uma forma geral aumentou nos últimos anos, segundo uma pesquisa nacional realizada pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O porcentual de pessoas que se dizem preocupadas com o meio ambiente aumentou de 80%, em 2010, para 94%, em 2011. Além disso, 44% dos entrevistados afirmaram que a proteção ao meio ambiente tem prioridade sobre o crescimento econômico, comparado a 30% anteriormente. Só 8% disseram que o crescimento econômico é prioritário, e 40% acreditam que é possível conciliar ambos.

Com relação às mudanças climáticas, 79% acham que o aquecimento global é causado pelo ser humano, e o porcentual que considera esse aquecimento um problema "muito grave" aumentou de 47%, em 2009, para 65%, em 2011. Entre os entrevistados, 66% classificaram o aquecimento global como "um problema imediato, que deve ser combatido urgentemente".

É a terceira vez que a CNI encomenda uma pesquisa de opinião sobre meio ambiente ao Ibope, dentro da série Retratos da Sociedade Brasileira - que também já abordou temas como saúde e educação. Algumas perguntas são inéditas, enquanto outras são repetidas dos anos anteriores, permitindo comparações.

"A ideia é conhecer a opinião da sociedade sobre temas importantes. Com a chegada da Rio+20 (a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre em junho), resolvemos repetir a pesquisa sobre meio ambiente", diz o gerente executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

Foram entrevistadas 2.002 pessoas com mais de 16 anos em todas as regiões do País, entre 2 e 5 de dezembro de 2011. As perguntas foram agrupadas em três grandes temas: meio ambiente; mudanças climáticas; e coleta seletiva e reciclagem de lixo.

O desmatamento é o problema ambiental que mais preocupa os brasileiros, citado por 53% dos entrevistados. Em seguida aparecem a poluição das águas, citada por 44% das pessoas, e o aquecimento global, com 30%.

Comportamento. Mais da metade dos entrevistados (52%) disse estar disposta a pagar mais por um produto ambientalmente correto, comparado a 24% que afirmaram não estar dispostos. Para 16%, a decisão "depende do quanto mais caro" custa o produto. Apenas 18%, porém, disseram ter modificado efetivamente seus hábitos de consumo em prol da sustentabilidade - por exemplo, preferindo produtos ecologicamente corretos ou deixando de comprar aqueles nocivos ao meio ambiente.

"Não basta saber a opinião das pessoas; queremos saber como elas se comportam com relação a essa opinião", afirma Fonseca. A maioria das pessoas disse que evita o desperdício de água (71%) e energia (58%), mas é difícil saber quanto disso é resultado de uma preocupação ambiental versus uma preocupação econômica com as despesas da casa.

Entre os dados que mais chamaram a atenção da CNI está o porcentual de pessoas que apontam a indústria como principal responsável pelo aquecimento global. A taxa passou de 25%, em 2010, para 38%, em 2011 - apesar de a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no País ser o desmatamento, não a indústria.

As empresas agropecuárias - setor mais associado ao desmatamento - foram citadas por apenas 3% dos entrevistados. Além disso, 42% avaliaram que as iniciativas das empresas em prol da preservação ambiental mantiveram-se "inalteradas" nos últimos anos, assim como as dos governos (44%). Só 33% acharam que houve aumento de iniciativas ambientais nesses setores.

"Precisamos trabalhar muito sobre esses dados", disse o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley de Souza Carneiro. "A indústria foi o setor que mais atuou pelo desenvolvimento sustentável nos últimos 20 anos."

Num esforço para mudar essa percepção, a CNI pretende lançar na Rio+20 uma série de 16 documentos temáticos mostrando o que cada setor da indústria - por exemplo, automotivo, de alimentação, mineração, energia - tem feito pelo desenvolvimento sustentável.

Reciclagem. Mais da metade dos brasileiros (59%), segundo a pesquisa, separa algum tipo de lixo para reciclagem, e 67% consideram a reciclagem "muito importante" para o meio ambiente. Porém, 48% dizem não ter acesso direto à coleta seletiva de lixo - índice que chega a 68% nas Regiões Norte e Centro-Oeste. Dados que mostram um descompasso entre a preocupação da população com o tema e a capacidade de fazer alguma coisa para resolvê-lo.


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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Município austríaco diminui 95% das suas emissões de CO2


17/10/2011 - 12h47 - Folha de São Paulo

Güssing, na Áustria, mudou a sua história nos últimos anos. Antes desconhecida e com problemas de desemprego e imigrantes e fuga de jovens para outras localidades europeias, esse município com 4.000 habitantes passou a ser referência em energia verde na Europa.

A cidade se tornou a única da União Europeia a reduzir, desde 1995, mais de 95% de suas emissões de CO2 (dióxido de carbono).

Os benefícios não são apenas ambientais. Güssing passou a receber 30 mil turistas por ano e também criou novos campos de emprego de alta qualificação, além de atrair investidores. Detalhe: ela está na região de Burgenland, uma das mais pobres da Áustria. 

Madeira utilizada como fonte principal para geração de eletricidade 
e biocombustível em Güssing, na Áustria

Comentário de leitor da Folha:

Hélio Shinsato (257) - em 17/10 às 14h42

Nos anos 90 Güssing não conseguia pagar a eletricidade (US$8 milhões). Peter Vadasz, recém-eleito prefeito em 92 ordenou que todos os prédios públicos tivessem energia alternativa. Desde então instalaram-se 50 empresas gerando +de 1000 empregos. A energia é gerada pelo sol, pó de madeira, milho e óleo de cozinha. Hoje geram 22MWh com excedente de 8MWh que é vendido ao sistema nacional, gerando lucro de 500 mil euros, que é reinvestido em energias alternativas. Leva tempo, mas é um ótimo exemplo. 
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terça-feira, 12 de julho de 2011

Meio-ambiente: Dinamarqueses vão importar lixo para geração de energia

Faz tempo que falo sobre isso. O Brasil está sempre desperdiçando oportunidades, e neste caso, jogando fora muita energia, que representaria além de economia financeira e de recursos fósseis, menos poluição e barateamento de serviços. 

Os governos poderiam utilizar o biogás para alimentar as frotas de ônibus do transporte coletivo, isto iria reduzir o preço das passagens, reduzir o consumo de combustíveis fósseis, acabar com os lixões, etc.

O biogás poderia também ser utilizado para aquecimento das casas ,prédios públicos e escolas, nas regiões frias do país.

Acordem políticos e empresários brasileiros!


11/07/2011 - 08h19 - Folha de São Paulo
SABINE RIGHETTI - ENVIADA ESPECIAL A COPENHAGUE

A produção de biogás e outros produtos a partir de lixo está dando tão certo na Dinamarca que o país deve importar resíduos a partir de 2016.

Nesse ano ficará pronta uma nova usina de processamento de lixo da cooperativa Amagerforbrænding, hoje a segunda maior do país.

A ideia é comprar resíduos de países do norte e do leste da Europa, como Alemanha e Polônia, para dar conta da capacidade total da usina.

Hoje, a Dinamarca processa 100% do lixo que produz em empresas privadas e em cooperativas sem fins lucrativos (esse é o caso da Amagerforbrænding).

A população separa o lixo em casa e também leva os recicláveis até postos de troca.

"Os dinamarqueses estão bastante acostumados a trocar garrafas de plástico e latas de alumínio por moedas", disse à Folha a ministra do Clima e Energia da Dinamarca, Lykke Friis.

A Amagerforbrænding processou no ano passado cerca de 400 mil toneladas de lixo, ou 400 caminhões carregados todos os dias.



ADEUS AOS FÓSSEIS

O tratamento de lixo reduz a emissão de CO2, principal gás do aquecimento global.

Além disso, no caso da Dinamarca, o biogás produzido a partir do lixo substitui os combustíveis fósseis que seriam usados para aquecimento das casas.

De acordo com Vivi Nør Jacobsen, da cooperativa, 4 kg de lixo processados na usina equivalem a 1 l de óleo para aquecimento das casas.

"A atividade da usina está dentro da proposta do governo de acabar com o uso de combustíveis fósseis no país até 2050", explica Jacobsen.

A Amagerforbrænding também tem uma proposta de aproximar o processamento do lixo da sociedade.

A nova fábrica será em Copenhague, assim como a atual, que é de 1970 e se destaca por ser limpa e colorida.
A diferença é que a usina que será inaugurada ficará ainda mais perto do palácio real dinamarquês e funcionará como um espaço público, tendo até pista de esqui.

"Queremos mostrar que uma usina de processamento de lixo não precisa ser feia e fedida", explica Jacobsen.
No Brasil, algumas iniciativas de reciclagem funcionam bem. Por exemplo, quase todas as latinhas de alumínio são recicladas no país.

Os lixões a céu aberto continuam predominando no Brasil pelo menos até 2014.

Esse é o prazo final estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no ano passado, para que todos os lixões sejam completamente fechados.

O objetivo é ter aterros sanitários para os resíduos que não possam ser tratadas - e reaproveitar o restante.

A jornalista SABINE RIGHETTI viajou a convite do Consórcio do Clima da Dinamarca
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Meio-ambiente: Látex de flor e sílica dão vida a "pneu verde"


12/07/2011 - 07h36 - Folha de São Paulo

O pneu continua preto, mas fabricantes fazem questão de chamá-lo de verde. Além da busca por eficiência, reduzindo consumo de combustível e emissões de poluentes, fabricantes pesquisam alternativas à borracha sintética.

Cientistas da Universidade de Müster, na Alemanha, desenvolvem um látex extraído da flor dente-de-leão, que começou a ser testado em pneus da Continental.

Os bioquímicos da universidade descobriram a enzima responsável pela rápida coagulação do látex e inibiram sua ação. Isso permite que a seiva escorra livremente, possibilitando a exploração industrial.

A borracha natural do dente-de-leão reduziria o uso de petróleo, uma fonte não renovável, empregado na fabricação da borracha sintética.

Outra vantagem é que ao cultivo é mais fácil e barato que o da seringueira -- é dela que é extraída a seiva da borracha tradicional.

O dente-de-leão fica pronto para a colheita em um ano. A seringueira leva de cinco a sete anos, está sujeita a fungos e as plantações atuais têm demanda maior que a oferta.

SÍLICA

Mesmo nos pneus tradicionais, de borracha sintética, há compostos que diminuem o atrito na rolagem -- o que aumenta a vida útil do pneu e reduz consumo e emissões -- sem perder desempenho de aceleração e de frenagem.

A sílica é um deles. Antes restrita a pneus de alta performance, ela aparece cada vez mais em pneus de entrada.

Segundo Roberto Falkenstein, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Pirelli, a família de pneus Cinturato P1 e P7 e Scorpion Verde usam até 30% de sílica. "Os pneus de corrida, por exemplo, usam apenas 8%", destaca.

A sílica permite que o pneu trabalhe com temperaturas mais baixas e sofra menos deformação ao tocar o solo. Isso faz com que o consumo de combustível caia cerca de 6%, apontam estudos da Pirelli. É o suficiente para, na vida útil do pneu (estimada em 60 mil quilômetros), economizar 3,6 pneus.

Para Falkenstein, a nova tecnologia também reduz as emissões de CO2. "O atrito do pneu é responsável por 20% das emissões de CO2 do carro. Quando reduzimos o arrasto, baixamos também as emissões de poluentes", diz.
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Agrotóxico biológico não precisa mais ter símbolo da caveira

Agrotóxico biológico não precisa mais ter símbolo da caveira

11/07/2011 - 17h30
DA AGÊNCIA BRASIL - via Folha de São Paulo

Os agrotóxicos biológicos de controle de pragas, menos agressivos à saúde humana que os defensivos químicos tradicionais, não são mais obrigados a apresentar, em embalagens e bulas, o símbolo da caveira (desenho de um crânio humano sobre dois ossos em X). A liberação foi autorizada pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

A decisão faz parte de um programa governamental de incentivo ao registro de produtos biológicos, que busca ampliar o uso de defensivos desse tipo, conhecidos tecnicamente como produtos biológicos de controle, e reduzir o prazo para avaliação dos pedidos de certificação.

A decisão, publicada no "Diário Oficial" da União, considerou as conclusões do CTA (Comitê Técnico para Assessoramento para Agrotóxicos), que reúne integrantes do Mapa, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).

O governo espera que, até 2015, de 7% a 10% dos agrotóxicos autorizados para venda no Brasil sejam biológicos.

Hoje, eles representam apenas 3% do segmento. Das 1.430 marcas comerciais permitidas, apenas 41 são biológicas ou semelhantes.

A lista dos agrotóxicos que tem venda autorizada no Brasil está disponível na internet.

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Petrobras lidera ranking de sustentabilidade das maiores empresas de energia da América Latina

Petrobras lidera ranking de sustentabilidade das maiores empresas de energia da América Latina

16 de maio de 2011 / 14:17

A Petrobras obteve a melhor nota no estudo sobre sustentabilidade com as maiores empresas de energia da América Latina. O ranking foi elaborado pela consultoria espanhola Management & Excellence (M&E) em parceria com a revista LatinFinance, publicação internacional especializada no mercado latino-americano.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Interessante palestra de cientistas brasileiros

Aquecimento global ou resfriamento dos oceanos? Terrremotos, e outros fenômenos. A censura da mídia, o descaso de parte da Academia, e outros assuntos.

Confira uma parte das palestras:


O que você acha disso? Deixe seu comentário.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Lixo extraordinário

Há anos venho tocado neste ponto, mas como quase sempre, as coisas precisam acontecer em países desenvolvidos para que a nossa população e os governantes comecem a pensar no assunto. Somos atrasados em muitos aspectos por falta de ação.

O Brasil poderia já há alguns anos utilizar o lixo para produzir biogás e alimentar a frota de transporte coletivo, reduzindo os preços das passagens e a dependência de combustíveis fósseis, reduzindo as emissões de gases do efeito estufa (fora do ciclo), e utilizar em larga escala um sistema cíclico, renovável.

É alarmante ver os números divulgados na reportagem sobre a porcentagem de cidades brasileiras que efetuam a coleta seletiva, apenas 18% dos 5.656 municípios tem programas de coleta seletiva, e ainda sim, o sistema não funciona adequadamente. 

E muitas vezes a questão é apenas de vontade política, tecnologia e recursos humanos o país tem, e se necessário efetuam-se parcerias.

Leia mais: 

Brasil poderia seguir exemplo de cidade sueca para desenvolver seu modelo de gestão de resíduos sólidos urbanos, indicam especialistas

Agência FAPESP - 07/04/2011

Por Elton Alisson

Em Borås, na Suécia, a maior parte dos resíduos sólidos gerados pela população de cerca de 64 mil habitantes é reciclada, tratada biologicamente ou transformada em energia (biogás), que abastece a maioria das casas, estabelecimentos comerciais e a frota de 59 ônibus que integram o sistema de transporte público da cidade.

Em função disso, o descarte de lixo no município sueco é quase nulo, e seu sistema de produção de biogás se tornou um dos mais avançados da Europa.

“Produzimos 3 milhões de metros cúbicos de biogás a partir de resíduos sólidos. Para atender à demanda por energia, pesquisamos resíduos que possam ser incinerados e importamos lixo de outros países para alimentar o gaseificador”, disse o professor de biotecnologia da Universidade de Borås, Mohammad Taherzadeh, durante o encontro acadêmico internacional “Resíduos sólidos urbanos e seus impactos socioambientais”, realizado em 30 de março, em São Paulo.

Promovido pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Universidade de Borås, o evento reuniu pesquisadores das duas universidades e especialistas na área para discutir desafios e soluções para a gestão dos resíduos sólidos urbanos, com destaque para a experiência da cidade sueca nesse sentido.

De acordo com Taherzadeh, o modelo de gestão de resíduos sólidos adotado pela cidade, que integra comunidade, governo, universidade e instituições de pesquisa, começou a ser implementado a partir de meados de 1995 e ganhou maior impulso em 2002 com o estabelecimento de uma legislação que baniu a existência de aterros sanitários nos países da União Europeia.

Para atender à legislação, a cidade implantou um sistema de coleta seletiva de lixo em que os moradores separam os resíduos em diferentes categorias e os descartam em coletores espalhados em diversos pontos na cidade.

Dos pontos de coleta, os resíduos seguem para uma usina onde são separados por um processo ótico e encaminhados para reciclagem, compostagem ou incineração.

“Começamos o projeto em escala pequena, que talvez possa ser replicada em regiões metropolitanas como a de São Paulo. Outras metrópoles mundiais, como Berlim e Estocolmo, obtiveram sucesso na eliminação de aterros sanitários. O Brasil poderia aprender com a experiência europeia para desenvolver seu próprio modelo de gestão de resíduos”, afirmou Taherzadeh.

Plano de gestão

Em dezembro de 2010, foi regulamentado o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos brasileiro, que estabelece a meta de erradicar os aterros sanitários no país até 2015 e tipifica a gestão inadequada de resíduos sólidos como crime ambiental.

Com a promulgação da lei, os especialistas presentes no evento esperam que o Brasil dê um salto em questões como a compostagem e a coleta seletiva do lixo, ainda muito incipiente no país.

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 18% dos 5.565 municípios brasileiros têm programas de coleta seletiva de lixo. Mas não se sabe exatamente o percentual da coleta seletiva de lixo em cada um desses municípios.

Acredito que a coleta seletiva de lixo nesses municípios não atinja 3% porque, em muitos casos, são programas pontuais realizados em escolas ou pontos de entrega voluntária, que não funcionam efetivamente e que são interrompidos quando há mudanças no governo municipal”, avaliou Gina Rizpah Besen, que defendeu uma tese de doutorado sobre esse tema na Faculdade de Saúde Publica da USP em fevereiro.

Na região metropolitana de São Paulo, que é responsável por mais de 50% do total de resíduos sólidos gerados no estado e por quase 10% do lixo produzido no país, estima-se que o percentual de coleta seletiva e reciclagem do lixo seja de apenas 1,1%.

“É um absurdo que a cidade mais importante e rica do Brasil tenha um percentual de coleta seletiva de lixo e reciclagem tão ínfimo. Isso se deve a um modelo de gestão baseado na ideia de tratar os resíduos como mercadoria, como um campo de produção de negócios, em que o mais importante é que as empresas que trabalham com lixo ganhem dinheiro. Se tiver reciclagem, terá menos lixo e menor será o lucro das empresas”, disse Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

Nesse sentido, para Raquel, que é relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos de moradia adequada, a questão do tratamento dos resíduos sólidos urbanos no Brasil não é de natureza tecnológica ou financeira, mas uma questão de opção política.

“Nós teríamos, claramente, condições de realizar a reciclagem e reaproveitamento do lixo, mas não estamos fazendo isso por incapacidade técnica ou de gestão e sim por uma opção política que prefere tratar o lixo como uma fonte de negócios”, afirmou.

A pesquisadora também chamou a atenção para o fato de que, apesar de estar claro que não será possível viver, em escala global, com uma quantidade de produtos tão gigantesca como a que a humanidade está consumindo atualmente, as políticas de gestão de resíduos sólidos no Brasil não tratam da redução do consumo.

O modelo de redução da pobreza adotado pelo Brasil hoje é por meio da expansão da capacidade de consumo, ou seja: integrar a população ao mercado para que elas possam cada vez mais comprar objetos. E como esses objetos serão tratados depois de descartados não é visto como um problema, mas como um campo de geração de negócios”, disse. 

Na avaliação de Raquel, os chamados produtos verdes ou reciclados, que surgiram como alternativas à redução da produção de resíduos, agravaram a situação na medida em que se tornaram novas categorias de produtos que se somam às outras. “São mais produtos para ir para o lixo”, disse.

Incineração

Uma das alternativas tecnológicas para diminuir o volume de resíduos sólidos urbanos apresentada pelos participantes do evento foi a incineração em gaseificadores para transformá-los em energia, como é feito em Borås.

No Brasil, a tecnologia sofre resistência porque as primeiras plantas de incineração instaladas em estados como de São Paulo apresentaram problemas, entre os quais a produção de compostos perigosos como as dioxinas, além de gases de efeito estufa.

Entretanto, de acordo com José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, grande parte desses problemas técnicos já foi resolvida. 

“Até então, não se sabia tratar e manipular o material orgânico dos resíduos sólidos para transformá-lo em combustível fóssil. Mas, hoje, essa tecnologia já está bem desenvolvida e poderia ser utilizada para transformar a matéria orgânica do lixo brasileiro, que é maior do que em outros países, em energia renovável e alternativa ao petróleo”, destacou. 

Código Florestal


O Estado de S.Paulo 05 de abril de 2011 | 0h 00

Xico Graziano
AGRÔNOMO, FOI SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO. 
E-MAIL: XICOGRAZIANO@TERRA.COM.BR 

Hora decisiva. Após uma década de infrutífero debate, finalmente o projeto do novo Código Florestal entrará em votação no Congresso Nacional. Tomara que saia redondo.

Mais proteção ambiental e maior produção rural. Aqui reside o dilema básico que tem polarizado a discussão política. De um lado, apertar o cerco contra os desmatadores e preservar a biodiversidade. De outro, valorizar a agropecuária e permitir avanços no agronegócio. A equação da agricultura sustentável.

Produção sustentável distingue-se de preservacionismo. Este supõe cessar o crescimento econômico, sufocar a produção e a renda rural. No cenário presente, crescendo a população mundial, com forte demanda de alimentos, a hipótese afigura-se irreal e ingênua. Uma posição elitista.

Difere, também, a produção sustentável no campo da agricultura extensiva e predatória, que caracterizou nossa história. O avanço tecnológico tem permitido enorme elevação da produtividade, economizando terra. Defender, em nome do combate à fome, o contínuo desmatamento das florestas soa ridículo. Uma posição retrógrada.

Nem um, nem outro. Os discursos polarizados contêm óbvios exageros, como afirmar que o risco urbano das enchentes se agravará por obra dos agricultores. Ora, o argumento serve para livrar a culpa dos inescrupulosos loteadores que, conluiados com o poder local, afincam precárias moradias nas bibocas íngremes ou nas barrancas dos rios. Quem ocupou e estragou o rio foi a cidade, não o campo.

Nessa matéria do Código Florestal existe um campo fértil de conciliação entre destruir ou preservar. O desenvolvimento sustentável configura o único caminho capaz de unir a ecologia, a economia e a sociedade. Fácil de falar, difícil de fazer.

Vamos à discussão prática. O relatório do deputado Aldo Rebelo, posto para votação na mesa da Câmara, consolida os retalhos da legislação em vigor e permite regularizar milhões de agricultores brasileiros, tachados de criminosos ambientais. De onde vem essa pecha negativa?

É fácil entender. A expansão histórica da agropecuária ocupou terrenos - várzeas, escarpas de serra, morros de altitude, beiradas de rios - que, segundo a compreensão ecológica atual, deveriam permanecer preservados. Encontram-se nessa situação, por exemplo, a pomicultura (produção de maças) catarinense, a rizicultura gaúcha e a cafeicultura - mineira, capixaba e paulista - localizada na região Mantiqueira.

Mais ainda: na agricultura familiar, pastos e lavouras não raro se estendem rente aos córregos, enquanto a legislação exige uma preservação mínima de 30 metros de distância da margem. Ora, se as pequenas propriedades, realmente, retraíssem suas roças e seu gado dessas áreas, ocupadas há dezenas de anos, pouco restaria do sítio para trabalhar. Melhor seria vendê-lo para algum ricaço dele desfrutar seu ócio.

Invocam, por aqui, com a ocupação dos brejos. Mas a agricultura surgiu no mundo ocupando exatamente as baixadas dos rios. Vide o Nilo, no Egito. Foi o solo das várzeas, enriquecido com sedimentos orgânicos, que permitiu originar a civilização humana. Portanto, é anti-histórico querer atribuir um "passivo" ambiental aos agricultores brasileiros que procederam copiando seus antepassados. Ônus, se houver, recai sobre toda a sociedade.

Os agricultores nacionais desejam continuar produzindo nessas áreas restritas, aceitando algum tipo de mitigação ou de compensação ambiental. No caso da inexistência da reserva legal, também topam ajudar a consertar o estrago passado. O que não admitem é ser tachados de malvados. Odeiam, com razão, esse discurso depreciativo, preconceituoso, que desmerece o papel fundamental da agropecuária na economia brasileira.

Por outro lado, nada de anistiar os desmatadores. Basta saber de quem estamos falando. De nossos avós, que abriram as fronteiras e sofreram de malária para impulsionar a Nação, ou dos picaretas que, mesmo conhecendo os requisitos da modernidade, insistem em queimar a floresta e o cerrado? Estes, os bandidos ambientais, merecem cadeia. Aqueles, os agricultores de bem, querem respeito.

Existem imperfeições no relatório Aldo Rebelo. A maioria delas pode ser eliminada com emendas de redação, oferecendo maior rigor aos conceitos, precisão nas normas. Para quem trabalha na "solucionática", consertar é possível. Quem gosta da "problemática" prefere vetar.

Parece-me, porém, existir um defeito grave a ser sanado: no capítulo VI, a partir do artigo 23, o projeto Aldo Rebelo retira dos agricultores a responsabilidade pela regularização ambiental, atribuindo-a ao Estado. Trata-se de um brutal equívoco, cuja consequência será um danoso imbróglio jurídico.

O poder público, incluindo municípios, pode e deve definir normas e diretrizes para promover a recuperação ambiental das áreas degradadas. Ademais, o governo deve ajudar os agricultores a fazerem sua lição de casa, com apoio técnico e com recursos financeiros. Mas o ônus jurídico da recuperação deve caber ao ente privado, pois afeta a função social da propriedade.

Ao votarem o novo Código Florestal, suas excelências precisam, acima de tudo, deixar uma segurança às gerações vindouras: qualquer modificação que venha a ser feita jamais poderá facilitar a supressão florestal no País. Ao contrário. A nova lei precisa oferecer garantias de que vai aumentar o rigor na conservação da biodiversidade. O resto se discute, e se acerta.

Ruralistas movem-se, ambientalistas articulam. Tenha uma certeza: esse assunto do Código Florestal somente se resolve com a derrota dos fundamentalistas, de ambos os lados. A vitória da sensatez criaria a síntese de ambos: o agricultor ecológico.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um mês depois, Folha publica o “erramos” sobre Código Florestal; Miriam Leitão ainda não se retratou

Por Reinaldo Azevedo 14/02/2011 às 6:39


Tenho convicções, crenças, visão de mundo. E acho legítimo que outros jornalistas as tenham. Faço questão de deixar claro quais são as minhas. E só enrosco com o que se publica aqui e ali quando o que é uma escolha, muitas vezes de caráter ideológico, é oferecido ao leitor como se fosse ciência pura, evidência inquestionável da natureza, fato incontroverso. Aí eu protesto. Peguemos o exemplo do Código Florestal: acho o que temos ruim e defendo a mudança proposta pelo deputado Aldo Rebelo. Já expus os porquês dezenas de vezes neste blog. Há quem considere o contrário: o  texto de Aldo seria um desastre para o meio ambiente e tal. Bem, sustente-se uma posição ou outra, uma coisa é interditada a um lado e a outro: MENTIR! Não é aceitável, por exemplo, que se atribua ao relatório do deputado o que não está lá, ainda que a pessoa alegue que a “mentirinha” ajuda a proteger a natureza.

No dia 16 de janeiro, a Folha deu uma manchete de duas linhas em que podíamos ler: “Novo Código Florestal amplia risco de desastre”. Reportagem de Vanessa Correa e Evandro Spinelli garantia que o texto relatado por Aldo rebelo (PC do B) predisporia o país a tragédias como a acontecida no Rio. Manchete e reportagem eram peremptórias: a proposta de atualização do Código Florestal libera a construção em encostas.


Naquele mesmo dia, num texto publicado às 6h15 da matina (Aqui), eu afirmei que a manchete estava errada.

Neste domingo, 13, um mês depois, a Folha publica na seção “Erramos” estas linhas:
Diferentemente do publicado na reportagem “Revisão do Código Florestal pode legalizar área de risco e ampliar chance de tragédia” e na manchete “Novo Código Florestal amplia risco de desastre” (Primeira Página), o substitutivo do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP) ao projeto que altera o Código Florestal brasileiro não libera a construção de casas em encostas.

Para a acusação que satanizava o código, nada menos do que a manchete; para a correção do erro, essas linhas tímidas. Quando contestei a manchete, escrevi então:

Eu realmente não sei como os repórteres chegaram a essa conclusão. Ou melhor: sei. Eles resolveram endossar a leitura enviesada de Marcio Ackermann, geógrafo e consultor ambiental, autor do livro “A Cidade e o Código Florestal”, que fala à reportagem. A propósito: ELE É CONSULTOR DE QUEM? A íntegra do relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B) está aqui. Como assegura o próprio parlamentar à Folha, seu texto trata do código em face da agricultura e da pecuária; não  procura arbitrar sobre áreas urbanas. Ele deu a devida explicação ao jornal. Ela bastava para que se concluísse: “Essa reportagem não existe”. Não adiantou nada! Ela foi publicada, os repórteres asseveraram que o texto diz o que ele não diz, e a coisa virou manchete.
Leiam vocês mesmos. Rebelo nem sequer menciona “construção de habitação em encostas”. Todas as vezes em que o texto se refere a “inclinação”, trata de atividade rural. IMPORTANTÍSSIMO: a proposta não “libera” área nenhuma, limitando-se a legalizar aquelas de cultura já consolidada.
E o mesmo vale para as parcas referências às áreas urbanas. O Inciso IV do Artigo 2º das Disposições gerais (página 245 do texto) define o que o é uma “área urbana consolidada”:

Voltei
Miriam Leitão repetiu essa ladainha na rádio CBN. Como vocês são testemunhas, passei a pedir aos repórteres da Folha e a Miriam que me indicassem o trecho da proposta de Aldo que justificasse aquela afirmação. Cobrei um dia, dois dias, três dias. E nada! A RESPOSTA NÃO VEIO PORQUE A AFIRMAÇÃO DA FOLHA E DE MIRIAM É… FALSA! Não sei quantas árvores essa mentira salvou. O que sei é que as árvores serão salvas com mais eficiência caso de diga só a verdade. No dia 25 de janeiro, eu continuava (ler aqui) a indagar:  “E o ‘erramos”, Folha? E o “errei” de Miriam? Não vinha nada! Um mês depois, o jornal corrige parte da inverdade que ajudou a divulgar — mas praticamente esconde a verdade. Nos dias seguintes àquela manchete, é bom lembrar, outros textos do jornal e da Folha Online a repetiam como se verdade fosse.

Neste domingo, a Folha trouxe novas reportagens sobre o Código Florestal. E algo espantoso se deu: ELAS DESAFIAM A PRÓPRIA CORREÇÃO FEITA PELO JORNAL, NUM CASO ESPANTOSO DE “EMBROMATION”. Continuam a atribuir à proposta de Aldo prescrições que pertencem a leis específicas de ocupação de solo urbano. No auge da maluquice, lemos:
“De acordo com a procuradora Sandra Cureau, a proposta de Aldo ainda peca por um terceiro motivo relacionado às cidades. ‘O projeto perde a oportunidade de dar um basta à ocupação em áreas de encostas. Em vez disso, acolhe a legislação que hoje permite a regularização dessas situações’, diz. Objetivamente, Aldo manteve a proteção garantida a encostas, mas especialistas questionam a vulnerabilidade delas sem a preservação do topo de morro.”

Ou seja: a proposta de Aldo seria ruim porque ela não faz aquilo que, com efeito, não lhe cabia fazer — regularizar o solo urbano, embora a reportagem reconheça que “objetivamente, Aldo manteve a proteção garantida a encostas”. Ou por outra: a reportagem admite no pé do texto, como uma coisinha irrelevante qualquer, o erro que um dia foi manchete. Erro que voltou a ser endossado neste domingo, apesar do “erramos”.

Quanto ao famoso “topo de morro”, montanhas e serras, a lei de parcelamento do solo, associada ao § 3º do Artigo 4º do substitutivo de Aldo, não permite o parcelamento do solo em “terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação”. O próprio Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) ainda não  definiu  com precisão o que é um “topo de morro”, dadas as diferentes conformações. A depender de suas características, pode ser ocupado. Os técnicos da Embrapa, por exemplo, entendem inadequado tratar essas áreas como APP (Área de Proteção Permanente). Como já indaguei aqui, alguém viu despencar as construções do Pão de Açúcar e do Corcovado ou a Igreja da Penha?  O que despenca é o jornalismo quando vira palco de uma militância política jamais admitida. Quando isso acontece, até o “erramos” de um jornal acaba desmoralizado pela repetição do “erro”, que “erro” deixa de ser para se tornar distorção deliberada da verdade.

Benefícios de um novo Código Florestal

O objetivo mais ambicioso de qualquer negociação é chegar a resultados que beneficiem todas as partes envolvidas, o que se costuma chamar de ganha-ganha.


Rodrigo C. A. Lima 
(Gerente-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais)

O objetivo mais ambicioso de qualquer negociação é chegar a resultados que beneficiem todas as partes envolvidas, o que se costuma chamar de ganha-ganha.

A reforma do Código Florestal representa um caso típico de negociação de interesses envolvendo produtores, ambientalistas, cientistas e toda a sociedade.

Tal reforma precisa equilibrar a conservação ambiental e a produção de alimentos, demandas legítimas da sociedade, e acabar de vez com a insegurança jurídica oriunda das várias modificações que o Código sofreu ao longo do tempo.

O momento atual é único no sentido de criar uma nova lei que incentive a regularização ambiental via recomposição de áreas de preservação permanente (APPs) e a compensação da reserva legal por meio de enorme mercado florestal.

Dados de um estudo do professor Gerd Sparovek (Esalq/USP) apontam um passivo mínimo de APPs hídricas de 43 milhões de hectares.

Imaginar essa área recuperada em 20 anos não significa pensar apenas na legalização dos produtores, mas também impõe contabilizar o valor da proteção dos rios, o incremento da biodiversidade e de estoques de carbono.

Em relação à reserva legal, os dados apontam para um deficit de 42 milhões de hectares; nesse ponto, concentra-se o maior ganho que o novo Código poderá acarretar: criar mecanismos de compensação no mesmo bioma, que incentivem a proteção de áreas prioritárias para a conservação e para a formação de corredores ecológicos.

Além de fomentar a regularização, a compensação dará valor às áreas com vegetação nativa, grande falha da legislação atual.

Estima-se que a compensação dessas áreas poderá gerar reduções de emissão de gases de efeito estufa de, pelo menos, 9,5 bilhões de CO² equivalente. Vale lembrar que a meta brasileira de redução do desmatamento prevê reduzir 668 milhões de toneladas de CO² equivalente até o ano de 2020.

Além disso, é preciso incentivar a recomposição de áreas degradadas ou de baixa aptidão agrícola.

Não tem sentido manter áreas improdutivas abertas quando há uma demanda por áreas com florestas. O ponto é criar essa demanda e transformar florestas em ativos. Se a reforma do Código Florestal seguir essa linha, o Brasil não só cumprirá seus compromissos de redução de emissões na Convenção do Clima, mas seguramente conseguirá bater a meta de 17% de cada bioma protegido em áreas relevantes, acordada na Convenção sobre Diversidade Biológica, em 2010.

A reforma inteligente do Código conseguirá inverter a lógica que motiva o desmatamento, pois enquanto a floresta em pé e os serviços que ela presta não tiverem valor, será realmente difícil se apropriar desses ativos.

Nesse sentido, é possível contar com a recuperação de milhões de hectares de APPs e a compensação da reserva legal, criando o maior programa ambiental do mundo, perfeitamente integrado à produção agrícola e construído por todos os atores interessados. Com isso, a sociedade brasileira criará um grande caso de negociação ganha-ganha.

Publicado na Folha de São Paulo desta Sexta-feira (01/04/2011).

JC e-mail 4230, de 01 de Abril de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

IBAMA faz ranking de carros poluidores



Isto precisa ser analisado com calma:


"O país ganhou um ranking dos carros que mais poluem o meio ambiente. A lista tem duas surpresas. Entre os 15 veículos que mais poluem, oito são movidos a álcool e o carro mais “limpo” tem motor 2.0, o que derruba o mito que veículos mais potentes poluem mais."

http://jornaloexpresso.wordpress.com/2009/09/16/ibama-faz-ranking-de-carros-poluidores/

Navios emitem poluição equivalente à metade da frota mundial de carros



"Os navios emitem um volume de poluentes particulados equivalente à metade da poluição emitida pela frota de veículos de todo o mundo. A conclusão é de de estudo inédito feito por cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos."


Matéria completa:

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=navios-emitem-poluicao-equivalente-a-metade-da-frota-mundial-de-carros&id=010125090504