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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Boa notícia: Brasil supera Índia em lista de inovação

Aos poucos vamos testemunhando melhoras no país. 

Há muito o que melhorar, mas, não estamos parados. No entanto, em países continentais, lembre-se, as mudanças sempre levam décadas para acontecer.


Brasil supera Índia em lista de inovação

20/07/2011 - 08h20 - Folha de São Paulo
GABRIEL BALDOCCHI - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Brasil avançou 21 posições no ranking mundial de inovação de 2011 elaborado pela Confederação da Indústria da Índia em parceria com o instituto de administração europeu Insead e a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Wipo, na siga em inglês).

A alta no ranking representa mais uma recuperação de uma queda do que uma grande evolução. Em 2009, o país ocupava a posição de número 50 na lista das 125 nações. Caiu para o 68º lugar no ano passado e voltou a subir neste ano, para o posto de 47.

Ficou à frente de Rússia e Índia, perdendo apenas para a China no grupo dos Brics. Suíça e Suécia lideram o ranking neste ano.

A classificação é feita a partir da ponderação de mais de 50 indicadores, agrupados em dois subitens.

Uma divisão reúne informações sobre o ambiente de inovação, com dados desde educação e infraestrutura até a incidência de impostos.

Na outra ponta aparecem os resultados no campo da inovação. São dados como produção de patentes, artigos científicos e exportação de bens criativos.

O Brasil vai melhor nessa segunda área. Enquanto o país foi o 32º nos resultados, figurou o 68º lugar na lista por ambiente de inovação.

A relação entre os dois deu destaque ao país, que ficou na 7ª posição na classificação de eficiência. Significa dizer que o Brasil conseguiu um bom saldo na área de inovação com um ambiente ainda desfavorável.

A parte dos resultados é também a que gerou a oscilação de posições nos últimos anos. Nesse subítem, o país ganhou mais de 40 posições de 2010 para este ano. Boa parte da explicação para tamanha mudança está na incorporação de novos indicadores, como a produção nacional de filmes, que passou a ser considerada neste ano.

INDICADOR

Roberto Nicolsky, diretor-geral da Protec (Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica), questiona a liderança do Brasil em relação à Índia. Para ele, a grande variação do país sugere a ineficiência do indicador.

A Índia perdeu posições por conta de seus indicadores de ambiente para inovação. No item capital humano, que reflete políticas educacionais, o país caiu mais de 60 posições em um ano.

Nicolsky cita o deficit de serviços e produtos de alta tecnologia e média-alta tecnologia como justificativa. A cifra saiu de US$ 20 bilhões em 2006, para mais de US$ 80 bilhões em 2010.

O presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica, Luiz Antônio Antoniazzi, avalia que houve uma melhora na cultura de inovação e cita a exigência de conteúdo nacional para o setor de petróleo como exemplo de política de incentivo. Ainda assim, ele afirma não ser possível comparar Brasil e Índia. 

---x---

quarta-feira, 30 de março de 2011

Brasil mais atrasado que a África, diz Joseph Blatter (FIFA)

O título não deixa claro o "atraso" do Brasil em relação à Africa do Sul, mas lendo o texto:

GENEBRA - O presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticou duramente o Brasil pela "falta de avanço real" na preparação para a Copa de 2014. Segundo Blatter, o Brasil está mais atrasado que a África do Sul antes da Copa de 2010.
Joseph Blatter ainda alertou para falta de pressão da CBF
"A copa é amanhã e os brasileiros acham que ela é depois de amanhã", disse o presidente da entidade máxima do futebol. Blatter alerta que existe o risco de que nem o Rio de Janeiro e nem São Paulo estejam preparados para receber jogos da Copa das Confederações em 2013.
Segundo ele, existem dois problemas principais no Brasil, o primeiro é a briga política entre governadores e prefeitos. "Isso tem de superado rapidamente", diz. O outro problema é a falta de pressão da CBF sobre as autoridades.
(grifos nossos) Fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,brasil-mais-atrasado-que-a-africa-diz-joseph-blatter,698257,0.htm

e como sempre o Governo Federal é o culpado, na "opinião pública".

terça-feira, 29 de março de 2011

A possível relação da Vale com a mídia

Em certos momentos a imprensa parece proteger o atual presidente da Vale, Roger Agnelli, alguns dizem ser pelo fato da Vale gastar muito dinheiro em publicidade (dinheiro em anúncios na mídia), como Brizola Neto, (baseado num post de Fernando Rodrigues, mais abaixo):

"O superblog 'Os amigos do Presidente Lula' – tocado com vigor pelo Zé Augusto e pela Helena e detestado pela Dra. Sandra Cureau – pegou no pulo o ato falho do porta-voz da  grande mídia, o Instituto Millenium (o IBAD do século 21) revelando uma parte das razões pelas quais colunistas e jornalões fizeram toda esta onda para transformar Roger Agnelli, o destronado da Vale, em vítima de um estatismo feroz.

Em artigo publicado no blog do Instituto (hospedado pela editora abril), diz-se que a substituição de Agnelli 'busca aumentar a influência do governo dentro da empresa, para, possivelmente, ocupar cargos de interesse do governo, contratar empresas próximas ao governo e, até mesmo, aumentar a influência do governo nos meios de comunicação.'

Opa! Como assim? O que tem a ver o sr. Agnelli com os meios de comunicação? A Vale é um órgão de imprensa?

Ou será que a Vale é uma mina para a imprensa?

O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, publicou em outubro de 2009:

'A Vale gastou R$ 178,8 milhões em publicidade nos últimos 12 meses terminados em setembro. A conta de propaganda da mineradora foi entregue a Nizan Guanaes, o marqueteiro predileto do PSDB ao longo de quase duas décadas. FHC e José Serra, entre outros, foram clientes de Nizan.'

'No mercado publicitário, R$ 178,8 milhões é considerado um valor alto. Como comparação, a marca de sabão em pó OMO consumiu R$ 141,7 milhões no mesmo período. Os dados são do Ibope Monitor. Há também um outro dado curioso: mineradoras no mundo todo não costumam fazer publicidade, pois o seu produto (minério) não é vendido ao consumidor final.'

'Esse gasto com propaganda e a escolha de Nizan foram dois fatores relevantes para que azedasse a relação entre a Vale e o Palácio do Planalto, sobretudo entre o PT e a Vale.'

No mesmo post, Rodrigues ironiza a divulgação pelo jornal O Globo de dados da Vale (parciais), dizendo que teriam sido 'só' R$ 50 milhões, de janeiro a setembro daquele ano."
(http://www.tijolaco.com/millenium-a-vale-e-uma-mina-para-a-midia)

E o post de Fernando Rodrigues:

07h23 - 21/10/2009


A Vale gastou R$ 178,8 milhões em publicidade nos últimos 12 meses terminados em setembro. A conta de propaganda da mineradora foi entregue a Nizan Guanaes, o marqueteiro predileto do PSDB ao longo de quase duas décadas. FHC e José Serra, entre outros, foram clientes de Nizan.

No mercado publicitário, R$ 178,8 milhões é considerado um valor alto. Como comparação, a marca de sabão em pó OMO consumiu R$ 141,7 milhões no mesmo período. Os dados são do Ibope Monitor. Há também um outro dado curioso: mineradoras no mundo todo não costumam fazer publicidade, pois o seu produto (minério) não é vendido ao consumidor final.

Esse gasto com propaganda e a escolha de Nizan foram dois fatores relevantes para que azedasse a relação entre a Vale e o Palácio do Planalto, sobretudo entre o PT e a Vale.

Embora privatizada, a Vale tem participação acionária robusta de fundos de pensão das principais empresas estatais federais –esses fundos são controlados de maneira rígida por pessoas ligadas ao PT. Muitos petistas enxergaram como uma afronta ao governo no atual período pré-eleitoral o gasto de R$ 178,8 milhões em publicidade e a entrega da conta a um marqueteiro “tucano”.

Não é à toa que Nizan Guanaes esteve recentemente em Brasília para conversar com Franklin Martins, o ministro da Secretaria de Comunicação de Lula. Franklin é o responsável por toda a área publicitária federal.

Essas conexões sempre complexas entre política e publicidade foram abordadas hoje na coluna Brasília, da Folha de hoje (21.out.2009). A íntegra está abaixo:

FERNANDO RODRIGUES

A Vale e a política

BRASÍLIA - A Vale ganha dinheiro explorando minério de ferro. Não há notícia de ameaça ao seu poderio em solo brasileiro. Ainda assim, a empresa se lançou com volúpia ao mercado publicitário.

Nos últimos 12 meses terminados em setembro, a Vale torrou R$ 178,8 milhões em propaganda. No mesmo período, a marca de sabão em pó Omo consumiu R$ 141,7 milhões. Os dados são do Ibope Monitor -não consideram descontos, mas são elevados em todos os cálculos e comparações possíveis.

Mineradoras pelo planeta afora praticamente não fazem propaganda. Seria jogar dinheiro pela janela.
Nenhum consumidor leva em conta ao comprar um carro se o aço foi produzido com o minério de ferro da Vale. Tanto faz.

A atitude da Vale ao fazer propaganda como se fosse uma estatal destrambelhada obedece a motivações diferentes da lógica do mercado. Há componentes políticos e empresariais envolvidos.
O aspecto empresarial é obscuro. A Vale pode argumentar com a clássica necessidade de fixar a marca.
Seria um sofisma inaplicável, pois inexiste conexão capitalista entre o lucro da empresa e as propagandas na TV. A não ser que o componente político esteja presente.

Aí vem o lado curioso. Uma empresa privada com despesas publicitárias acima de R$ 100 milhões segue as normas básicas de governança corporativa. Uma conta assim só é entregue a uma ou várias agências depois de um duro e competitivo processo de escolha.

Não se conhece a forma pela qual a Vale concluiu ser conveniente dar sua conta milionária ao publicitário Nizan Guanaes. Mas sabe-se muito bem que o nome Nizan Guanaes causa pesadelos no PT.
Nizan foi o marqueteiro preferido de tucanos, de FHC a José Serra. Todos conhecem no Brasil os vasos comunicantes entre publicidade e política. E os custos altíssimos da campanha eleitoral de 2010.

P.S.: Nizan Guanaes ficou chateado, quis saber de todo o jeito quem era a fonte deste post, muita gente mobilizada, enfim... o blog parece ter causado um problemão. Uma carta da Vale seria enviada com algumas contestações. Essa carta nunca chegou. Mas o blog gosta de dar "outros lados". Por essa razão publica, abaixo, um gráfico cedido pela Vale e divulgado no jornal "O Globo" da última quinta-feira (22.out.2009) --curiosamente, no dia seguinte à publicação deste post aqui no UOL. O quadro mostra quanto a Vale diz ter gasto em publicidade nos últimos anos. Note o internauta que este post fala em gastos nos últimos 12 meses, até setembro/09, medidos pelo Ibope Monitor. Os dados não podem ser comparados porque são diferentes. Enfim, aqui a palavra oficial:

(Repare que em 2009 são considerados apenas 9 meses
isso confunde muitos leitores, nesta informação da Vale)


A pergunta que fica é:

Se a Vale é uma mineradora, porque gastar tanto com publicidade, se o seu produto vai para empresas de siderurgia? 

Deveria sim investir nas ferrovias do país, pois tem concessão para quase metade da malha ferroviária, mas parece que isso não vem ocorrendo, veja:


Vale é acusada de atrasar o desenvolvimento do transporte de carga no país

(Por que setores da imprensa protegem tanto Roger Agnelli, o atual presidente de Vale? clique aqui)

Ferrovia gera conflito entre governo e Vale


O governo federal decidiu endurecer o jogo contra a Vale, acusada de atrasar o desenvolvimento do transporte de carga no país, informa reportagem de Dimmi Amora para a Folha (reportagem na íntegra).

A empresa tem a concessão (com subsidiárias) de 11,5 mil quilômetros da malha ferroviária do país, que é de 28 mil quilômetros, controlando os trechos que levam aos principais portos do Brasil.

Quase toda a malha do país é controlada por três grupos: Vale, CSN e ALL. Para o governo, os dois primeiros, que têm 55% da malha, usam as linhas para beneficiar seus próprios negócios em mineração e siderurgia: cobram caro pelo frete e criam dificuldades para o uso das linhas.

O presidente da mineradora, Roger Agnelli, fez na semana passada seu primeiro comentário público sobre as especulações a respeito de sua possível saída do cargo por conta de pressões políticas.

Em nota oficial divulgada pela assessoria da empresa, o executivo afirmou que "a decisão sobre a escolha do diretor-presidente da Vale compete exclusivamente aos acionistas controladores da empresa."

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/895264-ferrovia-gera-conflito-entre-governo-e-vale.shtml