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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Educação: O fim do vestibular nas federais

Comento o texto apresentado abaixo, que saiu no Estadão em 06/07/2011, com o título: "O fim do vestibular nas federais".

Além de dados interessantes, há uma opinião corrente de que o fim do vestibular implicará no fim da "indústria de cursinhos". Não creio que o fim de um levará ao fim do outro.

Isto porque muitos cursinhos não são apenas cursinhos, mas tornaram-se/tornam-se escolas ou fazem parte de uma. E mais, com a substituição do vestibular pelo Enem, o que você acha que vai ocorrer com os cursinhos? O Enem vai virar o novo funil, a nova peneira e:

>> Provavelmente os cursinhos passarão a ensinar como tirar boa nota no Enem!


O Enem foi criado para diagnosticar o Ensino Médio. Agora está sendo cada vez mais utilizado como porta de entrada na Universidade. Não vai demorar muito para os cursinhos adaptarem-se ao esquema do Enem. (Imagino, devem existir os que já se adaptaram).

E como conseqüência, tanto no ensino público como privado, o Enem, indiretamente, vai direcionar o que deve ser ensinado e o que não deve, ou seja, vai levar os educadores a selecionar o conteúdo das disciplinas, o que na prática significa uma alteração na grade curricular. Se o Enem focar mais nisso ou naquilo, este será o foco nas aulas, a fim de que os alunos tirem uma boa nota no Enem.

Portanto, imagino que o Enem vai direcionar a grade curricular do Ensino Médio. Se isto é bom ou é ruim, depende de por quem e como as provas do Enem serão feitas, e isso só o tempo nos mostrará.

Mas, uma coisa eu sempre digo: deveríamos ter um exame nacional para admissão em todas as universidades. Para isto é claro, o ensino básico deveria ser mais ou menos uniforme no país. E num país de dimensões continentais, isto leva muito tempo para ser ajustado.

Aplaudo o Conselho Universitário da UFRJ, pelo que consta no texto do Estadão:

"Na mesma sessão, que durou cerca de três horas, o Conselho Universitário rejeitou por 17 votos contra 12 a adoção do sistema de cotas raciais ou étnicas, optando por expandir o sistema já vigente de cotas sociais, que beneficiam alunos pobres e oriundos da rede pública de ensino básico. A partir de 2011, 30% das vagas serão preenchidas por egressos de escolas públicas - com a condição de que a renda per capita familiar dos candidatos selecionados seja de um salário mínimo (R$ 545). Em 2010, as cotas sociais preencheram 20% das vagas oferecidas."

Apoio as cotas sociais. Não são a solução, e devem existir por um certo tempo. A solução é tornar o ensino básico público tão bom como é o ensino superior público (em geral, melhor que o privado).

Cotas raciais são uma importação do que ocorreu, e é criticado inclusive por negros, nos EUA (veja aqui), onde até a década de 60 do século passado vigorava uma linha racial estabelecida pelo Estado (a color line). Enquanto aqui no Brasil, o problema é sócio-econômico, e não racial (veja aqui), até porque raças não existem entre os seres humanos. No máximo podemos diferenciar as pessoas por 'etnias', que por sua vez são definidas basicamente por critérios culturais.

Confira o texto no Estadão:



06/07/2011
Editorial do O Estado de São Paulo

Apesar das trapalhadas administrativas cometidas pelo Ministério da Educação (MEC) nas duas últimas versões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - com o vazamento de questões, em 2009, e erros de impressão, em 2010 -, o Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu abolir o vestibular próprio, a partir deste ano, e adotar integralmente o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), baseado nas notas obtidas pelos estudantes no Enem.

A UFRJ oferece mais de 9 mil vagas em seus vestibulares. No ano passado, 40% dos seus alunos ingressaram na universidade somente com base nas notas do Enem. Na mesma sessão, que durou cerca de três horas, o Conselho Universitário rejeitou por 17 votos contra 12 a adoção do sistema de cotas raciais ou étnicas, optando por expandir o sistema já vigente de cotas sociais, que beneficiam alunos pobres e oriundos da rede pública de ensino básico. A partir de 2011, 30% das vagas serão preenchidas por egressos de escolas públicas - com a condição de que a renda per capita familiar dos candidatos selecionados seja de um salário mínimo (R$ 545). Em 2010, as cotas sociais preencheram 20% das vagas oferecidas.

Como a Universidade Federal do Rio de Janeiro é uma das mais prestigiadas universidades públicas do País, essa decisão certamente estimulará outras instituições de ensino superior mantidas pela União e pelos Estados a seguir o mesmo caminho. Na rede federal, constituída por 59 universidades, a UFRJ não é a primeira a adotar o Enem como critério único para preenchimento das vagas - mas é a mais antiga e a mais importante.

A consolidação do sistema nacional de seleção unificada deverá valorizar ainda mais as
avaliações do Enem. Segundo os especialistas, isso aponta um caminho sem volta para o
fim dos tradicionais exames vestibulares - que medem apenas a capacidade dos estudantes de memorizar conceitos e fórmulas. Por tabela, o fim do velho vestibular também pode acarretar a morte da "indústria de cursinhos", que atrai todos os anos uma legião de vestibulandos.

Apesar dos graves problemas que a inépcia do MEC causa às escolas, às universidades e
aos estudantes, nas duas últimas edições do Enem, as provas desse sistema de avaliação - criado há 13 anos pelo então ministro Paulo Renato Souza, recém - falecido -valorizam o princípio do mérito. Por serem discursivas, baseadas na interpretação histórica e conjuntural de textos longos e voltadas para o raciocínio lógico, o sucesso nessas provas de pende de muita leitura, da capacidade analítica e das habilidades e competências dos estudantes.

Desde o seu início, o Enem é muito respeitado pelos alunos do ensino médio. Entre 1998 e 2008, o teste continha 63 questões e era realizado num único dia. Com a criação do Sisu, a partir de 2009 o Enem passou a ter quatro provas objetivas, com 45 questões de múltipla escolha cada uma, além de uma redação, sendo realizado em dois dias. No primeiro Enem, em 1998, participaram cerca de 157 mil estudantes - no ano passado, o número foi 30 vezes maior, chegando a 4,6 milhões de inscritos.

Para o exame deste ano, que será realizado nos dias 22 e 23 de outubro, inscreveram-se 6.221. 697 estudantes. A opção da Universidade Federal do Rio de Janeiro pelo sistema de seleção unificada do Ministério da Educação - em detrimento do vestibular próprio - e pelo sistema de cotas sociais - em detrimento do sistema de cotas raciais ou étnicas - foi bem recebida pela comunidade acadêmica e por organizações não governamentais que mantêm cursos preparatórios comunitários para jovens carentes. Eles alegam que essas decisões da UFRJ democratizam o acesso aos seus cursos de graduação sem comprometer o princípio do mérito.

Evidentemente, as mudanças promovidas na maior e mais importante universidade federal somente darão certo se os burocratas do MEC não voltarem a cometer trapalhadas administrativas que comprometam a credibilidade do Enem, como ocorreu em 2009 e 2010.
---x---

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Educação: Investimentos em Educação nos próximos anos deverão chegar a 7% do PIB para cumprir metas

Plano prevê R$ 61 bilhões para educação em dez anos

19/05/2011 - Valor Econômico - via JC

MEC confirma aumento de gastos para 7% do PIB.

O Brasil precisará investir no mínimo R$ 61,058 bilhões até 2020 para cumprir as 20 metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), entre elas a criação de 4,3 milhões de vagas em creches e pré-escolas, a erradicação do analfabetismo e a redução em 50% da taxa de analfabetismo funcional, a criação de mais de 5 milhões de matrículas para jovens de 18 a 24 anos na universidade e a equiparação do salário médio do professor das redes públicas com diploma universitário ao rendimento de profissionais de outros setores com escolaridade equivalente.

Mais sobre livro polêmico: ABL discorda da posição do MEC

Mais sobre o livro polêmico aprovado pelo MEC, agora com nota da ABL (Academia Brasileira de Letras)

Academia Brasileira de Letras divulga nota oficial na qual discorda da posição do Ministério da Educação (MEC) quanto aos livros de Língua Portuguesa que buscam justificar a falta de necessidade de observação das normas cultas do idioma

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Conselho defende currículo flexível no ensino médio

Boa notícia para a educação brasileira, é um teste mas acredito que dará certo:


Valor Econômico - via JC e-mail 4232, de 05 de Abril de 2011.

O ministro Fernando Haddad deve homologar amanhã mudanças no ensino médio.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) apresentará amanhã ao ministro parecer para tornar mais flexíveis as orientações curriculares do ensino médio brasileiro, ciclo educacional que concentra os piores indicadores de qualidade da educação básica no país. O professor Francisco Aparecido Cordão, conselheiro do CNE, explica que o documento permitirá que cada escola ou rede - municipal ou estadual - construa o próprio currículo, com ênfase no mercado de trabalho e em conteúdos de ciência, tecnologia ou cultura.

Segundo Cordão, o CNE estuda o tema desde 2008 com base nas experiências do programa do Ministério da Educação (MEC) Ensino Médio Inovador (EMI), que injeta recursos federais em escolas públicas com projetos de inovação curricular. "Percebemos que na hora que a escola proporciona um trabalho pedagógico realmente interdisciplinar, integrado com a realidade dos alunos, os resultados aparecem." Cordão acrescenta que o parecer foi aprovado por unanimidade pelos 27 secretários estaduais de Educação do país em reunião na semana passada. "Encaminharemos, agora, para homologação do ministro. Assim que ele assinar, a medida já estará valendo."

Na avaliação do CNE, a reformulação curricular do ensino médio forçará o MEC a reforçar suas ações. Segundo a pasta, o EMI repassou mais de R$ 30 milhões a 357 escolas previamente selecionadas em 18 estados, totalizando 296 mil matrículas.

A Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá, no Rio, aderiu ao EMI no final de 2009. A principal alteração do curso foi a mistura das matérias tradicionais com atividades extracurriculares e de capacitação profissional. Do total de alunos da primeira turma (2010), 90% passou no vestibular - 78% dos quais em universidades públicas. A unidade é o primeiro modelo de escola-residente do Sesc e atende alunos em tempo integral.

"Numa viagem para Ouro Preto, os alunos trataram da perspectiva histórica do país, também trabalharam a questão geológica e o turismo na região, focando o inglês. O currículo do EMI é referência porque o atual aprisiona. Aqui tentamos adaptar o conteúdo acadêmico à realidade dos alunos", ilustra Rosângela Logatto, assessora técnica da direção da Escola Sesc.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Novas opções para o ensino médio noturno

Novas opções para facilitar a vida de quem trabalha em turno integral e estuda no período da noite. Seria possível assistir menos aulas por dia, tornando a rotina menos cansativa para quem já vai cansado(a) para a Escola. Levaria mais tempo para concluir os estudos, mas, provavelmente o rendimento seja melhorado. Confira:



Estudantes teriam até 4 anos - e não 3, como é hoje - para concluir essa etapa da educação básica; novas diretrizes serão votadas amanhã pelo CNE.

05 de abril de 2011 | 0h 00

Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo
O ensino médio noturno pode durar mais tempo. Se as novas diretrizes para essa etapa da educação básica forem aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) amanhã, o aluno que estuda à noite poderá ficar de um semestre até um ano a mais na escola. A ideia é que ele tenha menos horas de aula por dia, com a possibilidade até mesmo de explorar recursos de educação à distância no currículo.

A proposta é uma das que compõem o documento que pretende flexibilizar o currículo do ensino médio, trazendo a escola para dentro da rotina do aluno e, assim, tornando-a atraente. Com isso, o conselho quer valorizar o projeto político-pedagógico e a identidade de cada escola.

O ensino médio é hoje a etapa mais problemática da educação brasileira. Os dados do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram que os alunos matriculados não sabem que metade é 50% e também não conseguem identificar a ideia principal de um texto, por exemplo. Eles receberam nota 3,6, numa escala de 0 a 10, no índice. Além do baixo desempenho, o ensino médio enfrenta uma evasão crônica. Dados de 2009 mostram que 32,8% dos brasileiros entre 18 e 24 anos abandonaram os estudos antes de completar o terceiro ano.

"No caso do ensino médio noturno, sabemos que é difícil manter o aluno quatro horas por dia na escola, pois muitos chegam atrasados do trabalho e saem antes do fim da aula. Por isso, flexibilizar essa grade é importante", afirma José Fernandes de Lima, relator das diretrizes e membro da Câmara de Educação Básica do CNE. "Isso dará ao aluno a possibilidade de concluir essa etapa em três anos e meio, quatro anos ou até mais." Hoje, o ensino médio dura três anos.

Segundo Lima, a possibilidade de aulas não presenciais também consta entre as propostas. "Colocar atividades de educação à distância também é uma opção para esses alunos."

A ideia, segundo ele, não é excluir nenhuma disciplina tradicional - como matemática ou língua portuguesa -, mas enfatizar temas que tenham a ver com a vida dos alunos e façam parte da rotina deles, como cultura, tecnologia, trabalho e ciência.

"O currículo deve ser melhor articulado com o cotidiano desse jovem", afirma Mozart Neves Ramos, do Movimento Todos Pela Educação e também membro do CNE. "A alta evasão é consequência de um currículo que não leva em consideração o que ele vive. É um currículo chato, que não prepara nem para universidade e nem para o mercado."

Segundo ele, ter menos horas na escola por dia, no caso de quem estuda à noite, é um fator importante e positivo. "É melhor fazer em mais anos do que ficar as quatro horas por dia e não aprender nada."

As diretrizes não são obrigatórias: são orientações que as escolas de todo o País podem seguir - as que estão em vigor são de 1998. "Incorporamos as várias mudanças de legislação, as transformações nos comportamentos da escola e os programas do Ministério da Educação que ocorreram no decorrer desses anos", afirma Lima. "A escola tem de se modernizar."

Antes de ser aprovada, a proposta ainda pode sofrer alterações. Após o aval do CNE, o documento ainda segue para homologação do ministro da Educação, Fernando Haddad.

Desinteresse
Segundo um levantamento da Fundação Getúlio Vargas, de 2009, 40,1% dos jovens de 15 a 17 anos abandonam a escola por desinteresse e 27,1% saem por razões de trabalho e renda. 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Como a educação é tratada pelo setor privado no Brasil

Acharam o título estranho? Não deveria ser "setor público" ao invés de "setor privado"?

Bem, já estamos cansados de ouvir reclamações sobre o tratamento dado ao ensino público, embora precisamos analisar estas declarações com algum discernimento. Afinal, é uma generalização exagerada, em nossa opinião, simplesmente dizer "o ensino público no Brasil é ruim, péssimo". 

Isto porque o ensino público Federal é em geral de boa qualidade (médio e universitário), além dos professores federais, em geral, receberem melhores salários do que aqueles pagos por governos estaduais.

Na maioria das vezes o problema da educação no Brasil é por conta de governos estaduais e municipais, em função do pouco comprometimento de sucessivos governos com este assunto, desvios de verbas, etc. O problema não é falta de dinheiro, ele existe, mas é mal empregado e/ou desviado.

E o que isto tudo tem a ver com o setor privado? Por setor privado, neste texto, não nos referimos às escolas privadas, dada sua natureza, mas às demais empresas privadas como também pessoas físicas que podem dar sua contribuição.

Muitos certamente irão protestar: "mas isso é dever do Estado, não do setor privado".

Um exemplo, nos EUA há milionários que doam dinheiro para instituições de ensino e institutos de pesquisa, concedem bolsas de estudo/pesquisa ou simplesmente abrem universidades. Muitas empresas atuam em conjunto com universidades, sejam públicas ou privadas, porque todos entendem que isto é importante para o país, além dos benefícios para os empresários.

E como é no Brasil? É fácil perceber que o mencionado no parágrafo anterior praticamente não existe no Brasil, com excessão de pouquíssimas empresas que trabalham em conjunto com algumas universidades.

Para melhor exemplificar a situação no Brasil, cito um texto encontrado no blog "Tijolaço" do Brizola Neto, (que por herança familiar, não deixa de dar suas alfinetadas na Globo, embora as vezes com alguma razão):
"Mais cedo postei o artigo (insuspeito, de um dirigente de banco multinacional) falando do peso da educação no desenvolvimento chinês.
Agora, antes de almoçar, leio uma matéria que seria irônica, se não fosse trágica.
E, também, no insuspeitíssimo O Globo.
É que o blog do Big Brother, certamente por distração de seus mentores, publica a seguinte informação:
“Na quarta-feira, 30 de março, existirão 169 ex-integrantes do “Big Brother Brasil”. Um número que chama atenção ao ser posto, lado a lado, ao de profissionais com carteira assinada em algumas atividades regulamentadas pelo Ministério do Trabalho: hoje, no Brasil, existem 18 geoquímicos, 34 oceanógrafos, 77 médicos homeopatas e 147 arqueólogos, entre outros ofícios. No entanto, na mesma quarta, alguém estará R$ 1,5 milhão mais rico (ou menos pobre, dependendo do ponto de vista), e não será um desses trabalhadores.”
Pois é. Mas o que o “brother” vai ganhar é nada, perto do que a Globo fatura. Ano passado foram R$ 300 milhões; em 2011, estima-se, R$ 400 milhões. E fatura porque as grandes empresas pagam para patrocinar.
Não tenho notícia de uma grande empresa patrocinando uma Universidade. Não tenho notícia de uma multinacional investindo na formação de oceanógrafos, ou de arqueólogos, ou de homeopatas, ou geoquímicos.
Nem vejo os nossos gloriosos colunistas dizendo que as empresas devem ter uma função social, como prevê, desde 1946, a nossa Constituição.
Nada contra as moças e rapazes que estão ali tentando um lugar ao sol que, em nosso país, durante décadas, nos acostumamos a não merecer pelo estudo, pelo trabalho, pela austeridade. “Faz parte”, como dizia o bordão de um ex-”brother”.
Mas tudo contra o império do interesse comercial moldando, a seu bel-prazer, um comportamento social marcado pela competição a qualquer preço, pelo exibicionismo, pelo vazio, para embolsar milhões.
Sempre é bom repetir o que diz o artigo 221 de nossa Constituição:
A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
É por isso que quando a Globo fala em princípios, em educação, em trabalho honesto, em respeito ao ser humano, o cheiro da hipocrisia se espalha no ar."


É interessante a comparação, como também é interessante notar o endereço do blog do BBB11:

http://oglobo.globo.com/cultura/bigblog/posts/2011/03/27/com-fim-do-bbb-11-numero-de-ex-participantes-chega-169-371111.asp

está alocado, e caracterizado, dentro do diretório "cultura"!

Nota-se neste texto e em outros exemplos, como o setor privado trata a educação no país, virando as costas para ela.

Imagine se a Vale investisse no país tanto quanto o faz a Petrobras - suas parcerias com universidades,  pesquisas em energias alternativas (além do petróleo), desenvolvimento de tecnologia, recursos humanos, etc. A Vale precisa lucrar, afinal, como pagar 1 milhão por mês para cada diretor?

Guilherme Barros - iG (30/03/2011)
Com a saída da presidência da Vale, Roger Agnelli terá uma perda substancial em seus rendimentos. Além de dois aviões Citation, um deles comprado recentemente, e de um helicóptero, o executivo deixará de receber R$ 16 milhões por ano, valor que compreende salários e bônus pagos pela mineradora.
Os outros oito principais executivos que compõem a diretoria da Vale ganham cerca de R$ 78 milhões por ano.  
Brizola Neto - Tijolaço (29/03/2011)
http://www.youtube.com/watch?v=9XDEJ9S4unY
Posto aí em cima o vídeo da fala que proferi, agora há pouco no plenário da Câmara, tornando pública a vergonha que, a partir da informação de Paulo Henrique Amorim, tive a sorte de encontrar documentada: a Vale paga salários de R$ 1 milhão por mês – isso mesmo, R$ 1 milhão – a seus executivos e, como isso é uma média, certamente o sr. Roger Agnelli embola bem mais que isso, para adotar uma política de sangria desatada de exportação de minérios que pertencem ao povo, não investir em siderurgia e encomendar lá na China os navios que vão transportar, mundo afora, nosso ferro.
Onde está a mídia moralista, que faz escândalos – e alguns justos – quando uma empresa estatal tem salários mais elevados e não vê estes, 30, 40, 50, cem vezes maiores?
Quem vai escrever colunas sobre os marajás de Carajás? 
Ver também aqui.

E dos muitos milionários que há no país, quantos doam generosas quantias para universidades e centros de pesquisa? Quantos abrem universidades e concedem bolsas para estudantes e pesquisadores?

Isto é sub-desenvolvimento. O país é dominado por uma mentalidade terceiro-mundista, problema também presente entre aqueles com enorme poder financeiro, e que supostamente deveriam ser os mais instruídos do país.

Ainda estamos longe do "desenvolvimento"...