Postagens mais recentes

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Política: Itamar e as revelações no pós-morte. Revelações ou lembranças?

Como é natural quando uma personalidade nacional morre, os meios de comunicação durante algum tempo apresentam as "memórias", as bonitas palavras sobre o caráter, simpatia e tudo o mais que torna todos os mortos as melhores pessoas que já passaram pela face da Terra.

Em meio as estas memórias, lembranças e revelações (para os desatentos), apresentamos alguns textos que contém um apanhado sobre Itamar, o Plano Real (do qual FHC não foi o criador, vale ressaltar sempre), a relação com Lula, Serra, etc. Vale a pena ler porque contém aspectos dos bastidores de importantes momentos da História recente do Brasil.


Veja por exemplo, quando Ricardo Kotscho acompanhou Lula em viajem para conversar com Itamar, Kotcho revela que Lula havia sugerido o nome de José Serra a Itamar, para ocupar um certo Ministério. Eram outros tempos...

Destacamos no texto em amarelo as regiões que em nossa opinião o leitor deve prestar mais atenção:

Itamar, primeiro e único, queria PT no governo
(02/07/2011 - Ricardo Kotscho)


Itamar Franco: um honrado patriota
(03/07/2011 - Mauro Santayana)

---

(02/07/2011 - Ricardo Kotscho)


Itamar Franco tinha sido eleito vice de Fernando Collor, mas quando o então presidente foi cassado por práticas pouco republicanas, em 1992, chamou Lula, que tinha sido o adversário deles nas eleições de 1989, para ajudá-lo a formar o novo ministério.

A esta altura, Itamar já estava rompido com Collor e, diante do rabo de foguete que pegou, tentou montar um governo de coalizão com o PT e o PSDB - uma proeza que nem os líderes dos dois maiores partidos brasileiros nunca haviam conseguido.

Itamar era mesmo diferente, um político fora dos padrões habituais no cenário nacional.

Acompanhei Lula na viagem a Brasília para conversar com Itamar e percebi, desde o início das conversas, que o PT, derrotado em 1989, nas primeiras eleições diretas para presidente da República, não iria participar do governo Itamar, já de olho nas eleições de 1994 (o PSDB logo aderiu e acabou elegendo o sucessor).

Lula até chegou a sugerir alguns nomes para um ministério suprapartidário - lembro-me de Adib Jatene, Walter Barelli e José Serra -, mas nenhum deles era do PT.

Quando falou no nome de Serra, teve quem se espantasse, mas Itamar, com um sorriso maroto, deu a mesma explicação de Tancredo para não aceitar a indicação dele para o Ministério da Fazenda.

"Muito bom nome... Só que esse aí quer ser presidente, vai querer o meu lugar, como já disse o Tancredo...".

Dos três, só Walter Barelli, então presidente do Dieese, ligado ao PT, mas não filiado, acabou fazendo parte do governo Itamar.

Voltei com Lula a Brasília no ano seguinte, para levar ao presidente Itamar Franco o projeto de Segurança Alimentar elaborado no Instituto Cidadania pela equipe de José Gomes da Silva, pai do ex-ministro José Graziano da Silva, que acaba de ser eleito diretor-geral da FAO.

Repetiu-se a mesma história: Itamar topou adotar o projeto, que era um embrião do Fome Zero, desde que Lula indicasse alguém do PT para comandá-lo. Lula indicou novamente um nome fora do PT, o do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que não era filiado a partido algum, imediatamente aceito por Itamar.

Diante das circunstâncias, Itamar Franco acabaria fazendo um ótimo governo, deixando o Palácio do Planalto no final de 1994, com um índice de aprovação popular semelhante ao de Lula, no final do ano passado.

Foi ele, afinal, quem colocou Fernando Henrique Cardoso na Fazenda e bancou o Plano Real, que acabou elegendo o ministro como seu sucessor.

Reencontrei Itamar, já como governador de Minas, no Palácio da Liberdade, no início deste século, como repórter da Folha de S. Paulo, com a missão de entrevistá-lo e traçar um perfil do ex-presidente acidental. "Não dou entrevistas, mas se você quiser passar alguns dias comigo aqui em Minas será bem recebido", desencorajou-me o governador.

De fato, todos me trataram muito bem e, quando cruzava com Itamar em algum corredor ou evento, ele me perguntava se eu estava sendo bem tratado. "Muito bem, governador, obrigado,  só falta a entrevista..."

Depois de quase uma semana de insistência, quando já tinha feito amizade com muitos dos seus colaboradores, ele topou responder a algumas perguntas por escrito. Soube mais tarde que Itamar não tinha gostado da matéria e queria saber quem me havia passado aquelas informações.

Assim era Itamar Franco, sempre meio imprevisível, instável, desconfiado de tudo e de todos, mas que acabou passando para a história como um presidente providencial, um homem probo, que nunca deixou de ser, antes de tudo, um político mineiro, embora tenha nascido num navio no litoral da Bahia.

Bobagem querer explicá-lo. Itamar era Itamar, primeiro e único.

---x---

(03/07/2011 - Mauro Santayana)

O homem que morreu neste sábado não pertencia às elites políticas ou empresariais de Minas. Engenheiro, filho de descendentes de imigrantes (o pai, de alemães, e a mãe, de italianos) Itamar teve uma infância de classe média modesta. Não chegou a conhecer o pai, que morreu pouco antes que nascesse. Formado, com as dificuldades da situação familiar, em engenharia, aos 24 anos, trabalhou no saneamento básico na periferia de Juiz de Fora, antes de integrar os quadros do DNOCS. Esse contato com o povo o levou à vida pública.

Itamar não foi um político definido pelos estereótipos. Destacaram-se em sua personalidade e ação política os dois sentimentos que orientam os grandes homens públicos de Minas: o do nacionalismo – que vem da Inconfidência - e o da justiça social. Não há como negar a Itamar o alinhamento ideológico à esquerda. Um de seus ídolos desde a adolescência foi o gaúcho Alberto Pasqualini, dos mais importantes pensadores políticos brasileiros e conselheiro de Getúlio.

Como é de conhecimento público, prestei assessoria informal ao Presidente, e, mais tarde, ao governador. Pude acompanhar, de perto, seu empenho na defesa dos interesses nacionais e da moralidade no governo. Acompanhei, de perto, as suas preocupações, quando decidiu adotar, a conselho de membros da equipe econômica, o expediente antiinflacionário da Alemanha dos anos 20 – o Plano Schacht. Era a segunda vez que se tentava, no continente, a mesma estratégia contra a hiperinflação, bem conhecida como matéria de estudos financeiros. A primeira fora a do Plano Austral, da Argentina. Também o Plano Cruzado, de Sarney, contemplava algumas de suas medidas.

Conhecedor de matemática, Itamar reviu o plano, ponto a ponto, fez correções que lhe pareceram apropriadas e, só depois disso, assinou a medida provisória que o implantou.

Poucos dias antes de sua internação, estive em seu gabinete, em companhia do Embaixador Jerônimo Moscardo, que foi seu Ministro da Cultura. Ao nos cumprimentar, visivelmente gripado, Itamar reclamou do ambiente frio do Senado. “Esse ar acondicionado é de matar”. E disse que estava com uma gripe que não cedia.

Convidou-nos para uma visita ao gabinete do presidente José Sarney, ao lado do seu. Conversamos os quatro, alguns minutos, sobre a situação do país e do mundo. Relembramos a personalidade de Tancredo Neves e episódios menos conhecidos do processo de transição democrática que, pelas circunstâncias do tempo, Sarney e este jornalista haviam vivido mais de perto.

Itamar estava preocupado com a situação do país, e a necessidade de que se formassem líderes capazes de enfrentar as dificuldades internacionais do futuro próximo. Naquele mesmo dia, ele solicitara da Mesa do Senado a transcrição de um artigo meu, publicado neste jornal, de reparos ao seu sucessor.

O grande êxito de Itamar pode ser explicado pela renúncia pessoal às glórias e pompas do poder. Não foi açodado em assumir o governo, depois do impeachment de Collor. Coube a Simon instá-lo a isso, sob o argumento da razão de Estado: o poder não admite o vazio. Logo que assumiu a Presidência, reuniu todos os dirigentes partidários e líderes no Congresso, sem excluir ninguém, nem mesmo o folclórico Enéas Cardoso. Disse-lhes que estava disposto a convocar eleições imediatas para a Presidência e Vice-Presidência, se estivessem de acordo. Silenciou-se, à espera da resposta – e ninguém concordou. Por duas ou três vezes, ele me disse que, apesar daquela recusa unânime, talvez tivesse sido melhor consultar o povo, naquela difícil circunstância.

Quando se pôs o problema de sua sucessão, tendo em vista a sua altíssima popularidade – de mais de 80% - alguns líderes políticos lhe propuseram a apresentação de emenda constitucional permitindo a sua reeleição. Itamar recusou, com veemência, a proposta. O democrata não poderia admitir o golpe que seu sucessor desfecharia.

Mais do que sanear a moeda, Itamar ficará na História por haver recuperado a credibilidade da Presidência da República junto ao povo brasileiro. Poucos, muito poucos, dos que exerceram o alto cargo ao longo da História, ficarão na memória da Nação com a mesma e sólida presença de Itamar Franco, modesto homem do povo, intransigente patriota, severo guardião do bem público.

---x---

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Educação: O fim do vestibular nas federais

Comento o texto apresentado abaixo, que saiu no Estadão em 06/07/2011, com o título: "O fim do vestibular nas federais".

Além de dados interessantes, há uma opinião corrente de que o fim do vestibular implicará no fim da "indústria de cursinhos". Não creio que o fim de um levará ao fim do outro.

Isto porque muitos cursinhos não são apenas cursinhos, mas tornaram-se/tornam-se escolas ou fazem parte de uma. E mais, com a substituição do vestibular pelo Enem, o que você acha que vai ocorrer com os cursinhos? O Enem vai virar o novo funil, a nova peneira e:

>> Provavelmente os cursinhos passarão a ensinar como tirar boa nota no Enem!


O Enem foi criado para diagnosticar o Ensino Médio. Agora está sendo cada vez mais utilizado como porta de entrada na Universidade. Não vai demorar muito para os cursinhos adaptarem-se ao esquema do Enem. (Imagino, devem existir os que já se adaptaram).

E como conseqüência, tanto no ensino público como privado, o Enem, indiretamente, vai direcionar o que deve ser ensinado e o que não deve, ou seja, vai levar os educadores a selecionar o conteúdo das disciplinas, o que na prática significa uma alteração na grade curricular. Se o Enem focar mais nisso ou naquilo, este será o foco nas aulas, a fim de que os alunos tirem uma boa nota no Enem.

Portanto, imagino que o Enem vai direcionar a grade curricular do Ensino Médio. Se isto é bom ou é ruim, depende de por quem e como as provas do Enem serão feitas, e isso só o tempo nos mostrará.

Mas, uma coisa eu sempre digo: deveríamos ter um exame nacional para admissão em todas as universidades. Para isto é claro, o ensino básico deveria ser mais ou menos uniforme no país. E num país de dimensões continentais, isto leva muito tempo para ser ajustado.

Aplaudo o Conselho Universitário da UFRJ, pelo que consta no texto do Estadão:

"Na mesma sessão, que durou cerca de três horas, o Conselho Universitário rejeitou por 17 votos contra 12 a adoção do sistema de cotas raciais ou étnicas, optando por expandir o sistema já vigente de cotas sociais, que beneficiam alunos pobres e oriundos da rede pública de ensino básico. A partir de 2011, 30% das vagas serão preenchidas por egressos de escolas públicas - com a condição de que a renda per capita familiar dos candidatos selecionados seja de um salário mínimo (R$ 545). Em 2010, as cotas sociais preencheram 20% das vagas oferecidas."

Apoio as cotas sociais. Não são a solução, e devem existir por um certo tempo. A solução é tornar o ensino básico público tão bom como é o ensino superior público (em geral, melhor que o privado).

Cotas raciais são uma importação do que ocorreu, e é criticado inclusive por negros, nos EUA (veja aqui), onde até a década de 60 do século passado vigorava uma linha racial estabelecida pelo Estado (a color line). Enquanto aqui no Brasil, o problema é sócio-econômico, e não racial (veja aqui), até porque raças não existem entre os seres humanos. No máximo podemos diferenciar as pessoas por 'etnias', que por sua vez são definidas basicamente por critérios culturais.

Confira o texto no Estadão:



06/07/2011
Editorial do O Estado de São Paulo

Apesar das trapalhadas administrativas cometidas pelo Ministério da Educação (MEC) nas duas últimas versões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - com o vazamento de questões, em 2009, e erros de impressão, em 2010 -, o Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu abolir o vestibular próprio, a partir deste ano, e adotar integralmente o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), baseado nas notas obtidas pelos estudantes no Enem.

A UFRJ oferece mais de 9 mil vagas em seus vestibulares. No ano passado, 40% dos seus alunos ingressaram na universidade somente com base nas notas do Enem. Na mesma sessão, que durou cerca de três horas, o Conselho Universitário rejeitou por 17 votos contra 12 a adoção do sistema de cotas raciais ou étnicas, optando por expandir o sistema já vigente de cotas sociais, que beneficiam alunos pobres e oriundos da rede pública de ensino básico. A partir de 2011, 30% das vagas serão preenchidas por egressos de escolas públicas - com a condição de que a renda per capita familiar dos candidatos selecionados seja de um salário mínimo (R$ 545). Em 2010, as cotas sociais preencheram 20% das vagas oferecidas.

Como a Universidade Federal do Rio de Janeiro é uma das mais prestigiadas universidades públicas do País, essa decisão certamente estimulará outras instituições de ensino superior mantidas pela União e pelos Estados a seguir o mesmo caminho. Na rede federal, constituída por 59 universidades, a UFRJ não é a primeira a adotar o Enem como critério único para preenchimento das vagas - mas é a mais antiga e a mais importante.

A consolidação do sistema nacional de seleção unificada deverá valorizar ainda mais as
avaliações do Enem. Segundo os especialistas, isso aponta um caminho sem volta para o
fim dos tradicionais exames vestibulares - que medem apenas a capacidade dos estudantes de memorizar conceitos e fórmulas. Por tabela, o fim do velho vestibular também pode acarretar a morte da "indústria de cursinhos", que atrai todos os anos uma legião de vestibulandos.

Apesar dos graves problemas que a inépcia do MEC causa às escolas, às universidades e
aos estudantes, nas duas últimas edições do Enem, as provas desse sistema de avaliação - criado há 13 anos pelo então ministro Paulo Renato Souza, recém - falecido -valorizam o princípio do mérito. Por serem discursivas, baseadas na interpretação histórica e conjuntural de textos longos e voltadas para o raciocínio lógico, o sucesso nessas provas de pende de muita leitura, da capacidade analítica e das habilidades e competências dos estudantes.

Desde o seu início, o Enem é muito respeitado pelos alunos do ensino médio. Entre 1998 e 2008, o teste continha 63 questões e era realizado num único dia. Com a criação do Sisu, a partir de 2009 o Enem passou a ter quatro provas objetivas, com 45 questões de múltipla escolha cada uma, além de uma redação, sendo realizado em dois dias. No primeiro Enem, em 1998, participaram cerca de 157 mil estudantes - no ano passado, o número foi 30 vezes maior, chegando a 4,6 milhões de inscritos.

Para o exame deste ano, que será realizado nos dias 22 e 23 de outubro, inscreveram-se 6.221. 697 estudantes. A opção da Universidade Federal do Rio de Janeiro pelo sistema de seleção unificada do Ministério da Educação - em detrimento do vestibular próprio - e pelo sistema de cotas sociais - em detrimento do sistema de cotas raciais ou étnicas - foi bem recebida pela comunidade acadêmica e por organizações não governamentais que mantêm cursos preparatórios comunitários para jovens carentes. Eles alegam que essas decisões da UFRJ democratizam o acesso aos seus cursos de graduação sem comprometer o princípio do mérito.

Evidentemente, as mudanças promovidas na maior e mais importante universidade federal somente darão certo se os burocratas do MEC não voltarem a cometer trapalhadas administrativas que comprometam a credibilidade do Enem, como ocorreu em 2009 e 2010.
---x---

Economia: Comissão Europeia critica agência de classificação de risco

A Comissão Europeia criticou fortemente as agências de classificação de risco, após o rebaixamento do status da dívida de Portugal.

Atualizado em  6 de julho, 2011 - 11:10 (Brasília) 14:10 GMT

Segundo a comissão, o momento do rebaixamento foi "questionável" e levantou a questão da "propriedade do comportamento" das agências em geral.

Mais cedo, o ministro do Exterior grego, Stavros Lambridinis, disse que as ações das agências durante a crise financeira foram "loucas".

Agências de classificação de risco, entre elas Standard & Poors, Moody's e Fitch, rebaixaram Grécia e Portugal diversas vezes recentemente.

Especulação

Na terça-feira, a Moody's rebaixou o status da dívida de Portugal para o nível de grau especulativo (também chamado de junk, ou lixo, em tradução literal) e justificou a decisão dizendo que há um crescente risco de o país precisar um segundo pacote de resgate antes que consiga, por sua conta, levantar verbas no mercado internacional.

Para o porta-voz da Comissão Europeia Amadeu Altafaj, "a decisão da Moody não só foi divulgada em um momento questionável, mas também baseada em cenários absolutamente hipotéticos que não estão alinhados com as ações implementadas".
"Este é um episódio lamentável e levanta mais uma vez a questão da propriedade do comportamento das agências de classificação de risco", disse ele.

O presidente da Comissão Europeia, Manuel Barroso, disse que a decisão da Moody's "acrescenta mais um elemento especulativo à situação".
Ele também afirmou ser estranho que nenhuma dessas agências seja baseada na Europa.
"(Isso) mostra que pode haver algum tipo de preconceito nos mercados em relação à avaliação de determinadas questões específicas da Europa."

Profecia

O ministro do Exterior da Grécia, Stavros Lambrini, também criticou o rebaixamento de Portugal, dizendo que a decisão da agência não foi tomada com base em nenhum fracasso do país em implementar reformas econômicas e que está exacerbando uma situação que já é extremamente difícil.

Ele disse que a agência Moody's "assumiu que Portugal precisaria de um novo pacote de ajuda", algo que tem "a maravilhosa loucura de uma profecia cuja previsão está fadada a se cumprir", já que torna mais difícil para o país conseguir empréstimos no mercado.

Portugal, Irlanda e Grécia já receberam pacotes de resgate financiados pela União Europeia e pelo FMI na tentativa de recuperar suas economias e evitar a moratória.
No caso da Grécia, um segundo resgate, estimado em 120 bilhões de euros, já está em fase de negociações.

As agências de classificação de risco estão acompanhando de perto este processo, já que a União Europeia pediu que credores comerciais colaborem em futuros pacotes de ajuda a países endividados.
---x---

terça-feira, 5 de julho de 2011

Economia: Consumidor paga até 23% de imposto por litro de etanol

Finalmente encontramos alguns dados sobre os impostos para o caso do Etanol. 


Veja a diferença no valor do ICMS, a alíquota chega a 24% no Rio de Janeiro, e fica em 12% em São Paulo. 

Em SP você pode encontrar Etanol a R$ 1,60 o litro, já no RJ o mesmo pode chegar a R$ 2,40. É muita diferença!





05/07/2011 - 08h55 - Folha de São Paulo
VENCESLAU BORLINA FILHO - DE RIBEIRÃO PRETO

O consumidor poderia pagar mais barato pelo litro do etanol se não fosse a cobrança de 23,04% em impostos no valor final do combustível no Estado de São Paulo.

É o que conclui estudo da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) feito pelo economista Leonardo Coviello Regazzini.

Ele mapeou o custo tributário do setor, da produção à comercialização. No preço médio atual, os tributos chegam a custar até R$ 0,41 ao consumidor, por litro.

Segundo a pesquisa --de mestrado--, 17,18% do valor final do álcool refere-se a ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e PIS/Cofins.

O restante é formado por encargos trabalhistas, ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural), contribuição sindical rural, Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), Imposto de Renda e CSLL (Contribuição Sobre o Lucro Líquido).

Em São Paulo, a alíquota de ICMS é de 12%. O PIS/Cofins representa 3,65% na usina e 8,20% na distribuidora.

"Quando há redução da carga tributária, há redução do preço ao consumidor e aumento do lucro. Isso ficou comprovado com a redução do IPI para as montadoras durante a crise em 2009", disse Regazzini.

A Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) alega que o mais importante agora é discutir a uniformização da alíquota do ICMS entre os Estados produtores.

Isso porque a alíquota chega a 24% no Rio de Janeiro, ante os 12% de São Paulo.

A Secretaria da Fazenda de São Paulo informou, via assessoria, que não há nenhum estudo em andamento que vise reduzir a alíquota de ICMS do etanol.
---x---

sexta-feira, 1 de julho de 2011

FHC volta a dizer que assinou sem ler decreto de sigilo eterno

Interessante revelação. Um tucano graúdo diz que "assinou sem ler".

Então, temos gente do PT e do PSDB que "assina sem ler". Lembram do José Genoíno, do PT? Os militantes destes partidos agora têm munição para atacar um ao outro nas próximas eleições. 

Confira:


BRENO COSTA - DE BRASÍLIA - Folha de SP | 30/06/2011

O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso voltou a afirmar nesta quinta-feira que assinou o decreto que cria o sigilo eterno em relação a determinados documentos produzidos pelo governo sem saber do que se tratava.

"Fiz sem tomar conhecimento. Foi no último dia do mandato, tinha uma pilha de documentos e eu só vi dois anos depois. O que é isso? Mandei reconstituir para saber o que era", afirmou FHC ao chegar ao gabinete do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O fim do sigilo eterno está em discussão no Senado. Inicialmente apoiado pela presidente Dilma Rousseff, o projeto sofre resistências dos ex-presidentes Sarney e Fernando Collor. Dilma recuou, mas depois voltou atrás e agora volta a trabalhar pela aprovação do projeto.

Segundo FHC, a presidente hoje já tem o poder de acabar com o sigilo eterno.

O tucano, que acaba de completar 80 anos, será homenageado hoje no Senado. Um auditório da casa foi todo decorado com painéis que classificam FHC de "estadista do novo Brasil".
---x---

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sociedade: Crimes na USP caem após morte de estudante, resultado do policiamento no campus

Isto é um dado muito interessante, pois os "intelequituais" das universidades conseguiram banir a polícia dos espaços universitários públicos de todo o Brasil, com desculpa na Lei e em argumentos insustentáveis.

Mais abaixo segue a reportagem que originou este post.

Para muitos, a polícia no campus universitário representa "repressão", resquício da "ditadura militar" e coisas do tipo. Mas, pensemos de maneira sensata: 

- o que ocorre com um espaço público sem policiamento?

- o que leva alguns grupos de estudantes e funcionários a serem contra a presença da polícia no campus?

Em geral, as respostas dos críticos variam entre: isso é coisa de gente com ideologia de esquerda; isto é coisa de baderneiros; ou ainda, isto é coisa de gente que quer consumir drogas na universidade sem ser importunada pela polícia. Há ainda, como na reportagem abaixo, quem mantenha o discurso de que a presença da polícia no campus “é uma forma de afronta à liberdade da faculdade...".

Afronta a liberdade? Que liberdade? Então a presença da polícia nas ruas é uma forma de afronta à liberdade das ruas, à liberdade da cidade, à liberdade dos bandidos, dos consumidores de drogas, afinal, eles também pagam impostos (quando compram no supermercado, abastecem automóveis, etc). Raciocínio estranho!

Independente do motivo ou da resposta, somos totalmente favoráveis ao policiamento das universidades. Quem não deve, não teme a presença da polícia! Em universidades federais, somente a polícia federal tem acesso aos espaços universitários, em geral, a PM só pode entrar com autorização (e assim, alguns grupos utilizam esta brecha para pressionar reitores a não autorizar a presença da PM nas universidades).

Se um assalto ou furto está a ocorrer enquanto você passa pelo local e vê a cena, você acha que vai poder ligar para a PF e eles vão aparecer rapidinho? Eles têm mais o que fazer. Isto é trabalho para a PM e em certas cidades, para a Guarda Municipal. Eles devem ser chamados, e ter acesso ao espaço universitário como a qualquer espaço público da cidade onde está instalada a universidade.

Em espaços universitários são comuns furtos de equipamentos, roubos, estupros, sequestros, venda e consumo de drogas, etc. Não entendo como pode alguém ser contra a polícia no campus, que justamente dificulta a existência (e continuidade) de tais ocorrências.

E os dados, embora sejam referentes a poucos dias, já mostram o resultado positivo e esperado: que bandidos que antes sabiam não haver policiamento na USP a se sentiam bem a vontade, agora não agem tão livremente como antes. 

Isto deve ser repetido em todo o país, mesmo contra uma minoria que articula protestos contra a presença da polícia no campus, e depois reclama justamente da polícia e dos políticos pela criminalidade nas cidades. A polícia não é 100% de certeza de segurança, mas sem ela é 100% de certeza de insegurança.

Polícia no campus já!

Confira um levantamento prévio, com bons resultados para a USP:


29 de junho de 2011 | 23h42
LUÍSA ALCALDE - Jornal da Tarde / Estadão

Quarenta dias após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), e a intensificação do policiamento no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital, os crimes caíram cerca de 60% na Cidade Universitária, segundo estatísticas da corporação.

O período analisado no levantamento compara os 40 dias antes do assassinato do estudante com os 40 dias após sua morte, no dia 18 de maio. Dados da PM mostram que os assaltos caíram de 7 para 2 casos, furtos de 46 para 28 (a maioria teria ocorrido no interior das faculdades), roubo e furtos de carro caíram de 21 para zero, homicídio de 1 para zero e sequestro de 1 para zero. Em relação a furtos, houve redução de 39,1%. Dos 28 casos ocorridos nos 40 dias após a morte do universitário, apenas três se deram em local público.

Além de comemorar os bons resultados, o major William Evaristo Wenceslau, subcomandante do 16º Batalhão da PM e responsável pelo patrulhamento da USP, já fala em “quebra de tabu” sobre a histórica aversão à presença de PMs no câmpus. “Pelo menos de boa parte da comunidade acadêmica”, ressalva.

O “termômetro” usado pelo oficial para medir essa aceitação são os chamados que os PMs têm recebido no dia a dia. “Antes éramos acionados para intervir depois que os delitos já haviam ocorrido. Agora, são frequentes as ligações de estudantes, professores e funcionários que observam pessoas em atitudes suspeitas e nos procuram para averiguarmos”, afirma.

Uma viatura e oito motos da PM circulam no câmpus das 6 horas às 23h30 diariamente. Viaturas da Guarda Universitária também patrulham o local. Quem estuda ou trabalha na USP já se sente mais seguro. Os estudantes peruanos de pós-graduação em Ciências da Computação Jorge Luis Guevara Diaz, de 31 anos, e Leissi Margarita Castañeda León, de 23, não se sentem mais receosos de andar pela USP à noite. “Antes da presença da PM, após as 21 horas as ruas eram desertas”, disseram.

Anita Leal, de 21 anos, que faz iniciação científica em Biologia também tem visto mais carros da PM circulando. “Estou mais tranquila agora”, disse. O estudante de Ciências Sociais Luis Serrao, de 25 anos, acha que a segurança melhorou sobretudo para quem se desloca de carro na universidade. Por outro lado, avalia, “é uma forma de afronta à liberdade da faculdade. Afinal, para que servem as câmeras da USP?,” questiona. Amanda Francisco, de 17 anos, trabalha no Hospital Veterinário e disse não ter visto mais ou menos policiais no câmpus. “Para mim, está igual”, disse.
A assessoria de imprensa da USP afirmou, por nota, que a universidade só se manifestará sobre segurança no câmpus após formalização do protocolo junto à Secretaria da Segurança Pública, sem data definida.

---x---

Interessante comentário de um leitor:


30/06/2011 - 05:06 - Enviado por: Eduardo

É interessante como a sociedade brasileira possui memória curta. Estudei na USP e me lembro muito bem, como se ainda fosse hoje, o dia em que Reitoria decidiu criar a tal Guarda Universitária em colaboração com a PM. O projeto previa treinamento e equipagem dos policiais (até cheguei a ver viaturas da PM com o escrito “Guarda Universitária”).

A Reitoria tomou tal atitude após, entre outros fatos, ter ocorrido tiroteio em uma festa (costumeiras na Universidade) dentro do Campus. Foi a notícia correr (sobre o projeto) e as primeiras viaturas começarem a circular pelo Campus que os protestos começaram. Alunos e funcionários fizeram greve, bloquearam vias da USP e até invadiram a Reitoria em reinvindicação da retirada da PM da USP.

Esta minoria (como sempre) de baderneiros dizia que Polícia na Universidade é coisa de Ditadura e que os alunos sentir-se-iam reprimidos pela presença policial no Campus (leia-se: com a Polícia na Universidade não se pode fumar aquele “baseadinho” entre as aulas).

Depois de muito quebra-pau, a Reitoria decidiu voltar atrás, retirou a PM do Campus (péssimo erro!) e contratou uma empresa particular de segurança. Resultado: aumento dos gastos da Universidade e piora na segurança. O que me pasmou nesta história toda foi que a Sociedade queria culpar a Reitoria por descaso, quando na verdade a mesma apenas acatou aquilo que seu ilustres discentes solicitaram.

Ah…antes que alguém fale que sou de direita ou capitalista ou contra comunista, lembre-se que já estamos em 2011, que a Guerra-Fria já acabou faz tempo, que o muro de Berlin já caiu há 20 anos, que a China Comunista é o país mais capitalista da atualidade e que olhar para só para o passado nos impede de progredir para o futuro! Vamos parar com essa balela de direita x esquerda e, de uma vez por todas, começar a pensar como podemos, unidos, melhorar esse país!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ciência: Mídia divulga notícia parcialmente verdadeira - O exame de DNA em 50 segundos

Saiu hoje a notícia sobre uma invenção brasileira, mas, cautela, tratando-se de Ciência, os jornalistas costumam confundir as coisas, por não as entender adequadamente. Segue a notícia, depois comentaremos:


29 de junho de 2011 • 12h39 • atualizado às 13h08

Um novo modo de extração de DNA, que reduz o tempo de identificação de 48 horas para 50 segundos, foi apresentado esta semana em Curitiba no 38º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas e no 11º Congresso de Citologia Clínica. Os encontros, que terminam nesta quarta-feira, reuniram cerda de 4 mil pesquisadores.

O novo método de análise de DNA foi desenvolvido pela equipe do Instituto de Criminalística do Paraná. Segundo o perito Hemerson Bertassoni, o método "é mais eficiente e rápido do que o usado atualmente no mundo inteiro". De acordo com ele, a técnica dará maior agilidade à elucidação de crimes e conclusão de inquéritos policiais", afirmou.

Ele conta que para desenvolver o método foi usado um equipamento chamado Precellys, criado inicialmente para extrair DNA de plantas e tecidos. A máquina foi adaptada para retirar o DNA de ossos humanos. "Usamos o novo método de extração de DNA em oito ossos carbonizados, cuja identificação não foi possível pelo método clássico", disse. Dos oito corpos, foi obtido o perfil genético de sete deles. "Enquanto a técnica clássica de extração de DNA leva entre 24h e 48h para ser concluída, o resultado da análise pelo Precellys leva menos de um minuto", destaca o pesquisador.

Outras inovações

De acordo com o organizador dos congressos, Paulo Roberto Hatschbach, também foram destaques nos encontros os diagnósticos e avanços no tratamento da hepatite, da alergia a remédios e o retorno de doenças erradicadas no passado.

Entre os medicamentos, 40% das alergias são causadas por anti-inflamatórios, muito consumidos nesta época do inverno. Segundo o alergista Luis Felipe Chiaverini, diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, com a chegada das temperaturas mais frias, as pessoas costumam se automedicar com mais frequência para tratar sintomas comuns de gripes e resfriados, o que pode ser um risco para quem tem reações alérgicas a medicamentos.
---x---

O título da reportagem induz o leitor ao erro. Perceba que a reportagem menciona um "novo modo de extração de DNA", que é um avanço, mas é apenas uma parte do procedimento para o exame de DNA. Portanto, o que caiu para 50 segundos foi o tempo de extração de DNA, além da técnica ser mais eficiente, de acordo com a divulgação.

Já é um avanço, mas novas técnicas precisam ser desenvolvidas para reduzir o tempo de realização de um exame de DNA. Isto facilitaria muito o trabalho da polícia.

De qualquer modo, pesquisadores brasileiros, mesmo com poucos recursos, conseguem obter inovações. Imaginem com mais investimentos em Ciência e Tecnologia? (ou para usar um palavreado bonito, mais investimentos em P&D&I - Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O custo de um político no Brasil

Veja no vídeo abaixo um interessante estudo comparativo sobre o custo de um deputado federal e de um senador no Brasil, e de políticos em outros países.

É interessante perceber para onde vai grande parte do dinheiro dos contribuintes - nosso dinheiro, para manter um sistema ineficiente e com altos salários juntamente com muitas regalias. 


Até quando vamos sustentar isso? Confira:



quinta-feira, 23 de junho de 2011

Lei Seca: mais um político. Após Aécio Neves, agora é a vez de Índio da Costa

Depois de Acécio Neves (PSDB/MG) desta vez foi o vice de José Serra na disputa presidencial de 2010, Índio da Costa, na ocasião, filiado ao  DEM, hoje PSD/RJ.

Negou-se a passar pelo teste do bafômetro e tem a carteira de motorista apreendida. Pelo twitter, segundo o jornal O Globo, ele comentou:

"Bebi um vinho no almoço e não sei a duração do efeito para o bafômetro. Preferi não soprar. Um amigo dirigiu meu carro até a casa. Minha carteira ficará no Detran por 5 dias."

Mas, preste atenção na reportagem abaixo. Ele foi parado pela blitz às 23h!!! Se bebeu no almoço, porque ter receio de passar pelo bafômetro às 23h? Suspeito...

Enquanto isso, políticos seguem bebendo e não passando pelo bafômetro tranqüilamente...


23/06/2011 - O Globo

RIO - O candidato à vice-presidência da República na chapa de José Serra nas eleições de 2010, o empresário Índio da Costa foi parado em uma blitz da Lei Seca no Leblon, na Zona Sul do Rio, e teve a carteira de motorista apreendida ao se recusar a fazer o teste do bafômetro, na madrugada desta quinta-feira (23).


Segundo a assessoria de imprensa do governo do Rio, o veículo, uma Hilux, foi parado na Rua Bartolomeu Mitre por volta das 23h. O carro só foi liberado depois que o presidente regional do PSD apresentou um condutor habilitado, que dirigiu o veículo para ele.
Em seu Twitter, Índio disse que se recusou a fazer o teste porque teria bebido vinho durante o almoço.
"Bebi um vinho no almoço e não sei a duração do efeito para o bafômetro. Preferi não soprar. Um amigo dirigiu meu carro até a casa. Minha carteira ficará no Detran por 5 dias."

Mesmo tendo a habilitação apreendida, o político parabenizou a competência e seriedade com que o governo do Rio tem feito as operações da Lei Seca.
---x---

A competência não é apenas do governo do Rio, o principal é o agente que está em serviço e faz a coisa acontecer sem medo de carteiraços ou intimidações. Aplicação da lei, para todos!

Brasil chega a 60 Leões em Cannes

Com os 26 prêmios conquistados ontem no festival de publicidade, agências brasileiras já superam os 58 conseguidos no ano passado

23 de Junho de 2011 | 0h 00
Marili Ribeiro - O Estado de S.Paulo

Conhecidos os vencedores de nove das 13 categorias em competição no 58.º Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na costa francesa, o Brasil já pode festejar. O desempenho do País este ano, com 60 estatuetas, sendo cinco de ouro, já é o melhor pelo menos dos últimos dez anos. Em 2010, o País conseguiu 58 Leões.

Nas quatro categorias restantes, o Brasil tem algumas chances. Mas os resultados oficiais só serão revelados no sábado. As maiores esperanças dos brasileiros estão em filmes comerciais. A lista preliminar vai ser divulgada amanhã, mas especula-se que há a perspectiva de pelo menos mais 14 Leões.

Nas outras três categorias - Titanium & Integrated Lions, que premia a inovação em ações de comunicação nas diferentes plataformas de mídia; Film Craft Lions, que celebra as inovações na produção de filmes comerciais: e Creative Effectiveness Lions, que elege as peças publicitárias que efetivamente deram resultados aos anunciantes que pagaram por elas -, o Brasil ainda não tem grande tradição.

As categorias em que o Brasil realmente se destaca são os anúncios impressos e os outdoors, que são peças publicitárias correlatas em boa parte do tempo. Em outdoors, o Brasil ganhou 17 troféus. Em anúncios impressos, ganhou 20, sendo um deles um Leão de ouro.

Reconhecimento. O jurado brasileiro em Impressos, Marcos Medeiros, diretor de arte da AlmapBBDO, disse que há reverência ao trabalho brasileiro na área. "O presidente do júri (Tony Granger, presidente global de criação da Young & Rubicam) olhava para uma peça é dizia: deve ser do Brasil. E era. Confesso que eu mesmo não sei identificar exatamente, mas há um jeito de fazer peças impressas que tem a cara do Brasil."

Medeiros reconhece que o desenvolvimento do Brasil na arte de fazer bons anúncios impressos está no preço que o anunciante paga por uma veiculação. "Com US$ 150 mil, o cliente não consegue fazer um filme que se destaque, mas faz uma boa campanha que, se ganhar destaque e prêmio em Cannes, ainda tem repercussão na mídia."

Escalada. Sem esconder o cansaço pela maratona de trabalho na presidência do júri de Design, o brasileiro Luciano Deos, sócio do escritório GAD Design e presidente da Associação Brasileira de Design (Abedesign), se mostrava bastante satisfeito com os cinco troféus obtidos na categoria, dois deles de ouro.

"São apenas quatro anos de participação no festival de Cannes", disse. "Há três a Abedesign começou a se envolver e a mudar a percepção de que o Brasil também tem design de qualidade. Tanto que, no folder que preparamos para o estande que montamos aqui, mostramos que temos design em carro (Fiat Mille desenvolvido no Brasil), temos design em avião. Não precisamos nos intimidar com a produção na área dos anglo-saxões."

Deos está convicto de que, mais do que o crescimento da participação, ou a preocupação com a quantidade de prêmios obtidos, o que precisa efetivamente mudar é a mentalidade. "Temos capacitação para oferecer alternativas a clientes globais, e faremos isso. Por isso mesmo, destacamos a frase de que o mundo, em cinco anos, estará comprando o design brasileiro."

De forma geral, a categoria, que passou a estar presente na competição em Cannes há quatro anos, é relativamente nova também para os outros países participantes. "Então", diz Deos, "vamos ocupar posições, antes que outros façam isso".
---x---