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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Preciosidade paleográfica - Brasil Império

Publicação de A Estatística da Imperial Província de São Paulo, documento de 1827 da Biblioteca Mindlin, descreve o patrimônio paulista natural e humano no século 19


Por Mônica Pileggi

Agência FAPESP (22/3/2011) – Quando o príncipe dom Pedro de Alcântara proclamou a Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, o que atualmente se conhece por estados eram províncias do novo Império.


Criado o estado independente chamado Império do Brasil, era necessário fazer um balanço – do território e do patrimônio natural e humano – para saber o que havia restado da colonização e seguir adiante com a construção de um país.

A Estatística da Imperial Província de São Paulo é resultado desse levantamento, preparado em 1827 a pedido da Assembleia Geral. Na época, a província de São Paulo incluía o que é hoje o Estado do Paraná.

A Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) reuniu em uma única publicação a versão fac-similar do manuscrito, assim como sua transcrição paleográfica – forma antiga de escrita – e a transcrição moderna.

De acordo com Plínio Martins Filho, diretor-presidente da Edusp, a ideia do projeto, que teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações, surgiu há cerca de seis anos com o bibliófilo e empresário José Mindlin (1914-2010).

“Essa foi uma das últimas sugestões de Mindlin, junto com as edições da Bibliographia Brasiliana e de Ciência, História e Arte: Obras Raras e Especiais do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, que também foram publicadas pela Edusp”, disse à Agência FAPESP. Essas outras obras também tiveram apoio FAPESP para publicação.

Martins Filho explica que o motivo de produzir uma edição fac-similar vai além de sua importância histórica. “Na questão estética, a obra revela a caligrafia cursiva, que é muito bonita. Além disso, a cópia do documento original permite ao pesquisador conferir a transcrição paleográfica direto na fonte, sem a necessidade de ir à biblioteca”, explicou.

Já os não estudiosos da paleografia, mas interessados nos dados geográficos, históricos, políticos e econômicos, entre outros aspectos levantados pelos autores, podem contar com a transcrição moderna, uma espécie de tradução do português do século 19 para a linguagem atual.

Membros da estatística

Embora o manuscrito tenha sido originalmente produzido por sete pessoas, apenas uma delas teve seu nome destacado na página de rosto, o tenente-coronel José Antônio Teixeira Cabral.

Cartógrafo e engenheiro, sua participação no documento não foi a mais significativa, segundo Martins Filho. Assim como Cabral, o padre-mestre Francisco de Paula e Oliveira também teve colaboração tímida, porém importante, descrevendo o contexto histórico.

Os demais membros responsáveis pelo original da obra são o tenente-general José Arouche de Toledo Rendon, morto sete anos após a produção do relatório, que fez o levantamento territorial de São Paulo. Por ser advogado, descreveu as normas de distribuição das terras, conhecidas como sesmarias.

Os recursos minerais da região, entre outros aspectos do país, foram explorados pelo padre-mestre Manoel Joaquim do Amaral Gurgel. Outro sacerdote a contribuir com o documento foi José Antônio dos Reis ao coletar os dados do setor agropecuário.

Parte dos recursos hídricos e dos recursos naturais foi levantado por Candido Gonçalves Gomide. Um dado curioso descrito no documento é sobre o rio Tietê: “As margens do Tietê abundam de soberbo arvoredo e de muitas e ótimas frutas silvestres. Cria copiosíssimo e delicioso peixe e, entre outras espécies, há: dourados, saupés, pacus, piracanjubas, surubins, piracambucus, jaús e piraquaxiaras, algumas de duas arrobas”. Cenário inimaginável para os atuais habitantes da capital paulista com o poluído rio que corta a metrópole.

Joaquim Floriano de Toledo foi um dos que mais atuaram no manuscrito ao abordar a região costeira da província paulista. Toledo faz também um relato da organização política, assim como a relação entre a igreja e o Estado de uma das mais importantes províncias do Brasil Império.

A Estatística da Imperial Província de São Paulo 
Autor: José Antônio de Teixeira Cabral 
Lançamento: 2010 
Preço: R$ 120 
Páginas: 440 
Mais informações: www.edusp.com.br

Energia Nuclear - Transparência no diálogo


Por Fábio de Castro

Agência FAPESP (22/03/2011) – A discussão sobre a expansão do parque nuclear do Brasil está cercada por controvérsias. Mas, de acordo com o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), José Eli da Veiga, pelo menos uma certeza surge quando se analisam os argumentos antagônicos sobre a questão: o planejamento energético brasileiro precisa ser mais democrático.

Veiga, que é coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental (Nesa) e orienta o Programa de Pós-Graduação do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, organizou o livro Energia Nuclear: do anátema ao diálogo, lançado na semana passada em São Paulo, com um debate sobre o tema na FEA-USP.

De acordo com Veiga, não há dúvida de que a produção brasileira de energia elétrica, predominantemente hidrelétrica, precisará em breve de uma complementação de base térmica. O livro reúne artigos de especialistas favoráveis e contrários à adoção da energia nuclear para suprir essa necessidade.

“Não creio que estejamos em condição de dizer que nos aproximamos de um consenso, mas o diálogo existe, como fica claro no livro. Por outro lado, temos que avançar muito nessa discussão. Trata-se de um problema muito sério, especialmente neste momento em que o Brasil está prestes a construir uma quarta usina nuclear, no rio São Francisco”, disse à Agência FAPESP.

Segundo ele, a alternativa nuclear deve ser debatida, embora envolva riscos. “Se não assumíssemos riscos, hoje não estaríamos voando, ou mesmo andando de trem”, comparou. Nem mesmo a ameaça recente de um acidente nuclear no Japão, após terremoto e tsunami que atingiram a região norte do país, deverá ser suficiente para que outros países renunciem à energia nuclear, afirma.

“No entanto, o acidente tem uma série de implicações. Uma delas, muito importante, é aumentar o interesse da sociedade pelo assunto, o que poderá pressionar o governo por uma maior transparência nessas decisões. A principal conclusão que eu tiro da minha experiência pessoal como organizador do livro é que, no Brasil, o planejamento energético não é transparente, nem é democrático”, disse Veiga.

Para o professor, o diálogo entre os especialistas já existe e o conhecimento sobre os prós e contras da energia nuclear está bastante avançado. Mas esse conhecimento ainda não é utilizado de forma imparcial e transparente.

“Não falta conhecimento científico e tecnológico para discutir o planejamento energético. Mas a discussão é feita por grupos e os planos são discutidos em reuniões nas quais são os lobistas que comparecem preparados para fazer uma boa argumentação. Depois disso, os planos se tornam elementos de pressão sobre o governo nas suas alternativas de investimento”, disse.

De acordo com Veiga, as decisões em torno do planejamento energético não são coerentes com a estrutura democrática do país. “Estamos em um século no qual teremos que deixar de lado, progressivamente, fontes fósseis como petróleo, carvão e gás. Não é possível que um país seja democrático se uma questão tão séria para o futuro da humanidade não for discutida com transparência”, afirmou.

Uma das vias para superar esse problema, segundo ele, é que a discussão passasse pelo Congresso Nacional. “O Congresso discute temas muito menos importantes. Não seria preciso legislar sobre o assunto, mas não entendo que não passe pelo Congresso uma discussão sobre a construção de uma quarta usina nuclear”, disse.

De acordo com Veiga, o livro não foi feito com o objetivo de produzir um consenso, mas sim de esclarecer a controvérsia. “Certamente, os leitores tirarão alguma conclusão, mas talvez não as mesmas, porque o livro não tem a pretensão de produzir um consenso artificial. A tarefa dele é alertar sobre a necessidade de participação democrática e, especialmente, investir contra a desinformação”, afirmou.

Veiga explica que uma de suas motivações ao conceber a obra foi perceber que havia uma extrema desinformação sobre a questão nuclear. Segundo ele, muitas vezes na pós-graduação os estudantes não sabiam a diferença entre fusão e fissão nuclear, por exemplo.

“O livro começa explicando os conceitos – o que é energia nuclear e como ela surgiu, por exemplo. Depois há dois capítulos mais técnicos – e fundamentais –, um a favor e outro contra a adoção da energia nuclear como solução para a complementação energética”, explicou. 

Apenas complemento

No livro, Leonam dos Santos Guimarães, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e assistente da presidência da Eletronuclear, é um dos especialistas que argumentam a favor da alternativa nuclear. Durante o debate na FEA-USP, ele apontou que o vazamento de material radioativo na usina nuclear de Fukushima, no Japão, não será suficiente para frear a expansão das usinas.

“O problema afetou gravemente um dos quatro reatores da usina de Fukushima. Outras três usinas da região, no entanto, resistiram ao terremoto e ao tsunami de 10 metros e – até pelas características de segurança que essas usinas exigem – estão entre as únicas estruturas industriais que resistiram ao desastre”, disse Guimarães.

Segundo Guimarães, a energia nuclear pode ser uma boa alternativa para atender à demanda de energia e possibilitar o aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países, sem comprometer o meio ambiente. De acordo com ele, em um grupo de países que inclui a maior parte da população mundial, observa-se uma correlação direta entre o IDH e o consumo de energia elétrica per capita.

“Uma das alternativas para aumentar esses índices é o investimento na energia produzida pelo urânio. Cerca de 73% dos recursos naturais de urânio estão em seis países, sendo que o Brasil tem quase 6% dele. A Austrália é atualmente a maior reserva, mas o Brasil só prospectou até agora um terço do território e estima-se que, no futuro, o país possa ser o primeiro ou segundo maior detentor das reservas mundiais”, disse.

De acordo com Guimarães, apenas o Brasil, a Rússia e os Estados Unidos têm à sua disposição, simultaneamente, os recursos naturais e a tecnologia para explorar a energia nuclear – o que torna o Brasil privilegiado no contexto da expansão nuclear.

“Hoje, há 45 usinas sendo construídas em 14 países, além de outras 46 em planejamento. Mas a maior parte delas está na China, na Rússia e na Índia. Nossa expansão é modesta diante desses países, o que é ótimo, porque a energia hidrelétrica – limpa, renovável e barata – continuará a ser a base de geração da energia elétrica no país. A energia nuclear, no entanto, será importante para a complementação necessária”, afirmou.

O Plano Nacional de Energia para 2030, segundo Guimarães, prevê que haverá necessidade de expansão adicional de 100 mil megawatts, sendo 4 mil megawatts em energia nuclear, 4,7 mil megawatts em biomassa, 3,3 mil megawatts em energia eólica, 3,5 mil megawatts em carvão e 57,3 mil megawatts em energia hidrelétrica.

“Esses números mostram que o Brasil não está elegendo a alternativa nuclear para dominar sua matriz energética. As outras matrizes todas têm previsão de expansão da mesma magnitude. A energia nuclear, no entanto, será fundamental para a complementação”, disse. 

Premissas equivocadas

O físico José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), foi um dos especialistas responsáveis pelo capítulo contrário à adoção da alternativa nuclear. De acordo com ele, a posição de que é indispensável aumentar o parque nuclear se baseia em hipóteses questionáveis.

“Tenho várias ressalvas à programação do Plano Nacional de Energia. Os planejadores da área pensam a partir de uma correlação entre o consumo de energia por habitante em função da renda. Com os gráficos que eles apresentam, temos a impressão de que há uma relação linear entre o consumo de energia elétrica e o crescimento do PIB. Essa premissa está completamente equivocada”, afirmou.

Segundo Goldemberg, a hipótese dos planejadores da área energética é de que um crescimento anual de 6% do PIB faria praticamente triplicar o consumo de energia elétrica até 2030.

“A argumentação dos planejadores se baseia nessa suposta linearidade entre crescimento do PIB e do consumo de energia. Mas sabemos que essa correlação não é linear. Enquanto argumentam a favor da energia nuclear para atingir esse suposto crescimento de demanda, a questão da eficiência energética – menina dos olhos dos países desenvolvidos – aparece como um fator de segunda ordem no planejamento energético”, afirmou.

Segundo Goldemberg, como a energia era no passado um fator de produção pouco importante, por ser barata, não havia encorajamento para que a indústria tornasse os processos mais eficientes.

“Conforme a energia foi encarecendo, a preocupação com a eficiência aumentou. Isso se refletiu até mesmo no projeto dos automóveis. Nos Estados Unidos e na Europa, não se pode mais fazer equipamentos como geladeiras que não respeitem um desempenho energético mínimo”, disse.

Goldemberg afirma que é evidente a necessidade de inserir um componente térmico complementar na matriz energética, já que há variações nos reservatórios que geram a energia hidrelétrica. O físico, no entanto, acredita que essa complementação poderia ser feita com alternativas como biomassa e gás.

“Isso não significa que a energia nuclear deva ser abandonada, mas a expansão das usinas é muito questionável. O planejamento brasileiro se baseia em hipóteses simplistas. Além da possibilidade de investir mais em eficiência energética, em centrais de bioeletricidade, também é possível alcançar a complementação energética com os inúmeros projetos de hidrelétricas médias de 500 megawatts previstos até 2019”, afirmou.

As hidrelétricas médias, segundo ele, não têm um impacto ambiental tão violento. “Há grande polêmica em torno de usinas como a de Belo Monte, mas isso ocorre porque se trata de um megaprojeto, com megaconsequências como um desmatamento de 500 quilômetros quadrados. Por outro lado, com ou sem a usina, a devastação anual na Amazônia é de 5 mil quilômetros quadrados”, disse.

Além de Guimarães e Goldemberg, o livro reune também artigos de João Roberto Loureiro de Mattos, diretor do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), e Oswaldo dos Santos Lucon, assessor técnico da Secretaria Estadual de Meio Ambiente de São Paulo, pesquisador do IEE-USP e autor do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). 

Energia Nuclear: do anátema ao diálogo
Organizador: José Eli da Veiga
Lançamento: 2011
Preço: R$ 35
Páginas: 136
Mais informações: www.editorasenacsp.com.br


Pedido de ministro Lewandowski adia julgamento do processo sobre as organizações sociais

Viviane Monteiro - JC e-mail 4230, de 01 de Abril de 2011 

Pedido de vista do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, adiou o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) que questiona a legalidade das organizações sociais, as chamadas OSs para os próximos meses.

Na prática, o pedido do ministro gera tempo para SBPC e ABC apresentarem recursos que reforcem a constitucionalidade da Lei 9.637/98) - considerada inconstitucional pelo PT.

Além de representantes das duas entidades acompanharam à sessão os interessados do Centro de Gestão de Estudos Estratégico (CGEE). Participaram ainda da sessão representantes do Ministério Público e da Advocacia Geral da União (CGU), que considerou a lei constitucional, reforçando a posição da SBPC, disse o secretário-geral da instituição, Aldo Malavasi. Para ele, a inconstitucionalidade da lei traria um "transtorno sério" para a produção científica.

Segundo o secretário, o ministro Ayres Britto fez um "excelente" relato sobre a Adin, ponderando sobre aspectos que deveriam ser mantidos e os que poderiam ser retirados da Lei.

Ao reforçar a constitucionalidade da lei, o advogado da SBPC, Rubens Naves, tentou mostrar que a ação PT não faz sentido e criticou o que chamou de três mitos questionados no processo: privatização dos serviços públicos, fuga de licitações e enfraquecimento do controle de gestão dos modelos dos órgãos.

Pela Lei, entes privados, assim denominados, prestem serviços de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação ao meio ambiente, cultura e saúde, por meio da gestão de patrimônio público. Nesse caso, a Adin questionava a ausência de processo licitatório na transferência de atividades desenvolvidas por autarquias e fundações públicas para entidades de direito privado.

Sem balanço no mar

Equipamento desenvolvido na Escola Politécnica da USP reduz em mais de 80% o balanço em pequenas e médias embarcações


Por Mônica Pileggi

Agência FAPESP (25/03/2011) – Reduzir o balanço em embarcações de pequeno e médio porte pode ser mais do que uma questão de conforto ou de não sentir enjoo. Para os pescadores, por exemplo, pode salvar vidas.

Atento a um nicho carente de produtos específicos, um grupo de estudantes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em conjunto com a empresa Technomar, desenvolveu o Sistema de Estabilização Multi-Ativo (Sema), como trabalho de conclusão de curso.

O projeto do equipamento, que visa a atender barcos de 5 a 12 metros, teve financiamento da FAPESP por meio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).



De acordo com o professor Nicola Getschko, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos da Poli-USP e coordenador do projeto, uma das vantagens de um estabilizador com sistema totalmente elétrico em embarcações menores é a redução do seu custo.

“Atualmente, a maioria dos sistemas é hidráulico ou eletro-hidráulico, o que os tornam incompatíveis com as pequenas embarcações devido à complexidade desses sistemas, além do alto custo”, disse à Agência FAPESP.

De acordo com o professor, outro ponto positivo do Sema é o acionamento de seu controle e funcionamento, alimentado diretamente por um conjunto de baterias, o que o torna mais eficiente que os convencionais. “O sistema é mais simples e leve. O hidráulico, por exemplo, exige bombas e tubulações, o que aumenta a complexidade do sistema e o peso do barco”, explicou.

O princípio de funcionamento do Sema se baseia em um giroscópio, sensor interno digital cuja principal função é monitorar o movimento da embarcação.

Quando ligado, o giroscópio é programado para acionar o sistema de estabilização assim que o balanço atingir um determinado valor. O sinal é enviado para dois pequenos motores localizados na popa, gerando uma força na água oposta ao movimento do casco. O dispositivo, no entanto, tem efeito apenas quando o barco está parado.

Mar aberto

Durante os testes realizados no Tanque de Provas Numérico (TPN) – o mesmo usado pela Petrobras para testes de plataformas – na USP, a redução do balanço chegou a mais de 80%. “A oscilação é perceptível apenas por meio de um sensor, pois, visivelmente, o barco para de balançar”, disse Getschko.

Animado com os resultados, o professor conta que a próxima etapa é testar o equipamento em um barco em movimento. “Já estamos trabalhando para ver qual a reação do Sema em uma lancha de 8 metros, em condições normais de mar, ou seja, fora do tanque de testes”, disse.

Embora o produto seja promissor, ainda não há previsão para chegada do Sema ao mercado. Antes de firmar parcerias comerciais, os pesquisadores estão avaliando melhor o potencial do sistema, cujo custo final estimado estaria entre R$ 10 mil e 12 mil. 

Potências científicas emergentes. Ciência e tecnologia nos BRIC's

Relatório da Royal Society descreve o crescimento da pesquisa nos países em desenvolvimento, que já rivalizam com as superpotências


Agência FAPESP (30/03/2011) – A ciência dos países em desenvolvimento é destaque no relatório Knowledge, Networks and Nations: Global scientific collaboration in the 21st century, produzido pela Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido, e divulgado no dia 28.

(Versão PDF:

De acordo com o documento, Brasil, China, Índia e Coreia do Sul estão “emergindo como atores principais no mundo científico para rivalizar com as superpotências tradicionais” – Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão.

Na China, o investimento em pesquisa e desenvolvimento tem crescido a uma média de 20% ao ano desde 1999, chegando aos US$ 100 bilhões (ou 1,44% do PIB) em 2007. E o país pretende investir ainda mais, alcançando um investimento no setor de 2,5% do PIB até 2020.

“O crescimento da China é sem dúvida o mais impressionante, mas Brasil, Índia e Coreia do Sul estão rapidamente no mesmo caminho e (com base na simples extrapolação de tendências existentes) poderão ultrapassar a produção [científica] da França e do Japão no início da próxima década”, disse o relatório.

“O Brasil, na linha de sua aspiração de se tornar uma ‘economia do conhecimento natural’, com base em seus recursos naturais e ambientais, está trabalhando para aumentar o investimento em pesquisa de 1,4% do PIB, em 2007, para 2,5%, em 2022”, apontou o relatório – segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o país aplicou 1,1% do PIB em ciência em 2007.

O documento também identifica outros países que estão se destacando no cenário internacional, ainda que não tenham uma sólida base no setor, como Cingapura, Irã, Tunísia e Turquia.

“O mundo científico está mudando e novos atores estão surgindo rapidamente. Além da emergência da China, notamos evoluções no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e no norte da África, entre outros. O aumento da pesquisa e da colaboração científica, que pode nos ajudar a encontrar soluções para os desafios globais, é muito bem-vindo”, disse Sir Chris Llewellyn Smith, que presidiu o grupo consultor do estudo.

“Os dados do relatório da Royal Society são interessantes e registram o progresso que o Brasil vem tendo nos últimos 20 anos no aumento de sua produção científica. Alguma cautela deve ser adotada entretanto, pois, após 2008, com a crise econômica mundial, pode ter havido mudanças nas tendências extrapoladas. Além disso, o relatório parece ter se baseado muito em fontes secundárias em vez de usar as fontes primárias de dados, que seriam mais confiáveis”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Artigos publicados

Uma grande variedade de dados foi analisada para o levantamento, incluindo tendências no número de publicações científicas produzidas por todos os países.

Os dados de publicações e citações foram produzidos e analisados em colaboração da Royal Society com a Elsevier, utilizando a base Scopus e resumos da literatura científica global analisada por pares.

Os dados indicam mudanças na autoria dos artigos científicos entre os períodos de 1993-2003 e 2004-2008. Embora os Estados Unidos ainda continuem na liderança, sua parcela na produção científica mundial caiu de 26% para 21% entre os períodos. A China, por sua vez, passou de sexto para o segundo lugar, pulando de 4,4% para 10,2% do total. O Reino Unido continua em terceiro, mas com queda de 7,1% para 6,5%.

O relatório da Royal Society também avaliou dados referentes a citações dos artigos, indicador frequentemente usado para avaliar a qualidade das públicações e o reconhecimento dos trabalhos dos pesquisadores por seus pares.

Nos dois períodos analisados, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar no ranking, seguidos pelo Reino Unido. Mas os dois tiveram queda nos números apresentados, enquanto se percebe o crescimento dos países emergentes nas citações, especialmente da China.

Concentração da pesquisa

O relatório destaca também a concentração das atividades científicas dentro dos países, como nos Estados Unidos, onde três quartos do investimento em ciência e tecnologia estão concentrados em dez estados, com a Califórnia sozinha sendo responsável por mais de um quinto do total nacional.

“Na maioria dos países há concentração da atividade de pesquisa em determinados locais. Moscou responde por 50% dos artigos publicados na Rússia; Teerã, Praga, Budapeste e Buenos Aires chegam a 40%, e Londres, Pequim, Paris e São Paulo, a 20% da produção nacional”, apontou.

De acordo com o relatório, o notável crescimento de São Paulo, que pulou, na última década, 21 posições na lista das cidades que mais publicam artigos científicos no mundo, “reflete o rápido crescimento da atividade científica no Brasil e o papel da cidade como a capital do estado com a mais forte tradição científica”. São Paulo é a única cidade do hemisfério Sul na lista das 20 que mais publicam artigos científicos em todo o mundo.

Nesse ponto, a publicação destaca a definição, pela Constituição do Estado de São Paulo de 1947, de um orçamento próprio para a FAPESP, baseado na transferência de 0,5% do total da receita tributária do Estado, percentual posteriormente elevado para 1%, pela Constituição de 1989.

Segundo o texto, na busca competitiva global por investimentos em pesquisa e desenvolvimento, instalações e talentos científicos, são cidades e regiões, e não países, as unidades mais relevantes.

“As cidades e regiões líderes científicas são bem-sucedidas porque facilitam o intercâmbio entre instituições e organizações. Elas geralmente oferecem uma concentração elevada de talento diversificado, capaz de apoiar uma economia baseada no conhecimento”, indicou.

Colaboração internacional

A publicação também enfatiza a crescente importância da colaboração internacional na condução e no impacto da ciência global e sua capacidade para resolver desafios globais, tais como segurança energética, mudanças climáticas e perda de biodiversidade.

O relatório concluiu que a ciência está se tornando cada vez mais global, com pesquisas cada vez mais extensas e conduzidas em mais locais. A colaboração tem crescido rapidamente e atualmente 35% dos artigos publicados em periódicos internacionais resultam da cooperação entre pesquisadores e grupos de pesquisa. Há 15 anos, o total era de 25%.

“A ciência é um empreendimento global. Hoje, há mais de 7 milhões de pesquisadores no mundo, que utilizam um investimento combinado em pesquisa e desenvolvimento superior a US$ 1 trilhão (um aumento de 45% desde 2002), leem e publicam em cerca de 25 mil periódicos científicos por ano”, indicou.

“Esses pesquisadores colaboram uns com os outros, motivados pelo desejo de trabalhar com as melhores pessoas e instalações no mundo, e pela curiosidade, buscando novos conhecimentos que permitam avançar seu campo ou lidar com problemas específicos.”

Língua da pesquisa

O relatório ressalva que, embora o inglês seja a “língua franca” da pesquisa, há ainda barreiras linguísticas importantes para a ciência mundial. No Brasil e na América Latina, por exemplo, há dificuldade em avaliar o impacto da pesquisa produzida no país e na região, uma vez que a maioria dos artigos é publicada em português ou espanhol e não é capturada pelas métricas globais.

As barreiras impostas pelas diferentes línguas ajudam a fazer com que a colaboração entre os países em desenvolvimento ainda seja mínima. “Enquanto as relações entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) cresceram recentemente, elas perdem em comparação com o volume da colaboração entre esses países individualmente e seus parceiros no G7”, apontou.

O relatório Knowledge, Networks and Nations: Global scientific collaboration in the 21st century está disponível em: http://royalsociety.org/policy/reports/knowledge-networks-nations.


Medidas incertas (Física quântica)

Físicos brasileiros desenvolvem método para estimar a precisão de medição em sistemas quânticos. Trabalho foi publicado na Nature Physics.

Agência Fapesp - 01/04/2011

Por Maria Guimarães

Revista Pesquisa FAPESP – Como estimar a dimensão da incerteza em medições na escala quântica – e reduzir essa incerteza? “Até agora, ninguém sabia como avaliar a influência do ambiente em experimentos quânticos para estimar parâmetros”, disse o físico Luiz Davidovich, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Com o trabalho publicado esta semana no site da Nature Physics, feito em parceria com seu aluno de doutorado Bruno Escher e o colega Ruynet de Matos Filho, Davidovich está ajudando a mudar essa realidade. A afirmação é dos físicos italianos Lorenzo Maccone e Vittorio Giovanetti em comentário sobre a pesquisa dos brasileiros na mesma edição da revista.

“A estimativa de parâmetros é um problema antigo na ciência”, comparou Davidovich. Medir fenômenos quânticos com sondas equivale, em outra escala, a avaliar a profundidade de um poço com uma onda sonora, ou usar ultrassom para medir o diâmetro do cérebro de uma criança que ainda não nasceu: são estimativas indiretas com uma incerteza necessariamente embutida nelas.

A grande diferença é que para essa escala corriqueira do cotidiano existe uma teoria geral que diz qual a precisão possível de se atingir com medições e quanto ela pode ser aumentada, por exemplo, com medições repetidas.

Para fenômenos quânticos também existem formas de se reduzir a incerteza nas medições. É o caso do emaranhamento, que faz com que certas propriedades sejam compartilhadas entre as sondas de medição.

“Com essas técnicas podemos conseguir uma precisão muito melhor”, disse o físico. Mas isso só funciona em situações ideais, sem interferências ambientais como efeitos de temperatura. Algo que no mundo real nunca acontece.

Segundo Davidovich, o mais importante da teoria geral proposta no artigo agora publicado é que ela não se limita a estimar a influência do mundo real nas medições. Ela também pode ajudar a avaliar, em cada situação, como otimizar a precisão.

Davidovich explica que um número muito grande de medidas pode acabar eliminando a vantagem oferecida por efeitos quânticos quando há interferência do ambiente.

“Estamos mostrando uma transição entre o regime quântico e o clássico”, resume. E chegando mais perto de “encontrar um equilíbrio adequado entre a beleza diáfana da mecânica quântica e a terrível fera das imperfeições do mundo real”, como disseram os físicos italianos no comentário.

O artigo General framework for estimating the ultimate precision limit in noisy quantum-enhanced metrology (doi:10.1038/nphys1958), de Davidovich e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Physics em www.nature.com/nphys/journal/vaop/ncurrent/abs/nphys1958.html.

Novo envelhecimento

Agência FAPESP – O envelhecimento e a urbanização são tendências demográficas importantes no século 21. A população urbana, que já corresponde à metade da humanidade, dobrará até 2050, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Por outro lado, se hoje existem cerca de 600 milhões de pessoas com mais de 60 anos, em 2050 a população nessa faixa etária será de quase 2 bilhões.

A consequência disso é que a sociedade precisará repensar o lugar dos idosos nas cidades e implantar uma nova cultura do envelhecimento. Essa é uma das principais conclusões dos especialistas que participaram, no dia 29 de março, em São Paulo, da mesa-redonda "Aspectos urbanos e habitacionais em uma sociedade que envelhece".

Leita texto completo em:

http://www.agencia.fapesp.br/materia/13669/novo-envelhecimento.htm

sábado, 2 de abril de 2011

Ney Matogrosso é a favor da pena de morte

Ney Matogrosso é a favor da pena de morte


O título é para chamar a atenção mesmo, e o assunto está de fato relacionado com ele, mas não na intensidade em que aparece. 

É apenas uma demonstração de como a mídia pode manipular uma informação a fim de promover o "assassinato de reputação" de qualquer cidadão (de bem ou não).

Este texto foi inspirado depois de duas observações

- as trapalhadas e a coragem de Jair Bolsonaro na maneira enérgica com a qual defende suas ideias - e é ridicularizado por elas na internet, além de ser chamado de facista, Hitler brasileiro, etc, por defender a pena de morte, entre outros;

- um debate em que participa Ney Matogrosso (na década de 80, 90?) onde, também com coragem, ele defende o fuzilamento, (pena de morte), para traficante de drogas que ofereça seu produto a uma criança. Além de afirmar ser a favor da descriminalização da maconha, e que já havia utilizado a erva durante algum tempo;

Seguem aqui alguns vídeos de Bolsonaro, e mais abaixo o vídeo do debate com a participação de Ney Matogrosso:







E com Matogrosso:


O interessante disso tudo é ver Bolsonaro e outros sendo criticados por defenderem a pena de morte mas porque ninguém se manifesta sobre a declaração de Matogrosso? Talvez por já ninguém lembrar dela. Bolsonaro continua aparecendo na mídia atualmente com suas declarações.

Mas sobre o assassinato de reputação, vamos ilustrar da seguinte maneira:

Imagine que Bolsonaro é amigo pessoal dos donos de muitos veículos de comunicação, principalmente aqueles com abrangência nacional, e Matogrosso detestado pelos mesmos. Neste caso, a mídia trataria ambas as declarações a favor da pena de morte de maneira diferente, com mais agressividade em relação a Matogrosso e mais brando com Bolsonaro.

Em diversos momentos apareceriam reportagens de capa, com letras garrafais e uma foto de Matogrosso com cara de mau - quando se tiram diversas fotos num certo instante, pode-se selecionar alguma foto com careta, com cara de mau, ou o que mais for possível. Um exemplo de um chamada de capa, em letras garrafais, a fim de mal-dizer Matogrosso poderia ser:

"Ney Matogrosso diz ser a favor da pena de morte"

Também poderia associar Matogrosso e a maconha, muitas são as possibilidades, para o bem ou para o mal.

E esta mesma mídia, poderia omitir as declarações de Bolsonaro, ou esporadicamente fazer uma reportagem muito polida, com palavras rebuscadas, bons ângulos fotográficos, mostrando um homem íntegro, preocupado com a segurança pública, e possivelmente elogiando a pena de morte aplicada nos EUA, com exemplos dos piores criminosos já eliminados naquela sociedade. Talvez o título pudesse ser algo do tipo:

"Jair Bolsonaro defende a família brasileira e a pena de morte a estupradores e outros criminosos"

Mesmo que o conteúdo das palavras de Matogrosso naquele vídeo não seja tão pesado como o título anterior, se a ideia é levar os leitores a um sentimento negativo em relação àquela pessoa, pode-se fazer isso facilmente.

Com efeito, promove-se o "assassinato de reputação" ao mesmo tempo que se pode ocultar uma posição ainda pior do que a apresentada anteriormente.

Por vezes, o importante pode não ser somente o que seja publicado, mas, aquilo que não é publicado!

(continua)

Ações afirmativas, cotas raciais, etc.

Não existem raças. Portanto o termo "cotas raciais' é um absurdo.



Segue um vídeo muito interessante. Se fosse um "branco" a dar esta entrevista no Brasil, seria taxado de "racista" (contra os negros). Mas como é um "negro", pode falar à vontade. Claro que será taxado de outra maneira, enfim. Mas vamos julgar o mérito da questão:


Walter Williams é professor universitário na Virgínia, EUA. O economista acredita que o livre mercado é o melhor instrumento regulador de qualquer tipo de relação. Ele defende sua teoria com aplicações em questões políticas, econômicas e sociais.

Livre Mercado é o melhor instrumento regulador de qualquer qualquer tipo de relação, seja humana ou mercantil. Segundo ele, quanto menos interferência
de Governo, em qualquer área, melhor.

Uma prisão indevida ou a tortura, por exemplo, ele ve como atentados contra um tipo de propriedade privada, o seu corpo.

A repressão política ameaça outras propriedades, como o direito a livre expressão
e a livre associação.

Com esse mesmo raciocínio, Williams questiona os resultados e a eficácia das chamadas ações afirmativas e das cotas raciais nos EUA, que começaram a
ser implementadas no fim dos anos 60 durante o Governo de Richard Nixon [1969-1974].

Ele vai além, diz que os negros dos EUA - ele é contra o uso do termo afro-americano, se prejudicam porque essas ações afirmativas reforçam os estereótipos raciais e desestimulam a iniciativa própria.

Entrevista, GloboNews:

(...)

Williams: Uma coisa que as pessoas precisam entender, é que, se analisarmos os negros estadunidenses hoje, se pensarmos nos negros estadunidenses como uma nação à parte, se levarmos em conta nossa renda, nossa produção anual, seríamos a 14ª ou 15ª nação mais rica da Terra.

Alguns dos negros estadunidenses estão entre as pessoas mais ricas do mundo. Algumas estão entre as mais famosas do mundo. Um negro estadunidense foi comandante em chefe do exército mais poderoso do mundo, Colin Powell. Agora temos o presidente.

O que isso significa é que, se voltássemos a 1865, quando a Guerra Civil terminou, nenhum escravo ou dono de escravo acreditaria que esse tipo de progresso seria possível em pouco mais de 100 anos.

Isso depõe a favor da nação em que esses avanços foram possíveis. Não teriam sido possíveis em outro lugar. E representa bem o povo que conquistou esse progresso.

GN: Vamos usar a sua linha do tempo. Nixon, o começo da ação afirmativa. O progresso alcançado pelos negros do fim da Guerra Civil até o governo de Nixon, nos anos 1970, e o progresso alcançado do governo Nixon até hoje. O progresso foi maior e melhor antes da ação afirmativa?

Williams: Eu tenho um colega que fez um amplo trabalho de pesquisa aqui. Ele indica que o progresso dos negros estadunidenses de 1940 até 1960 foi maior do que o progresso alcançado entre 1960 e 1980. Era necessário acabar com as leis mais abusivas e preconceituosas [leis de separação racial].

Por exemplo, houve uma época em que os negros não jogavam basquete profissional. Hoje em dia, 80% dos jogadores são negros. Não jogavam futebol americano. Hoje 60% dos jogadores são negros. E não foi a ação afirmativa, foi o fato de eles serem muito bons.

GN: Agora veja isto, pelo ponto de vista da discussão. Estamos falando da capacidade física que define uma progressão genética. A progressão genética é diferente da progressão da oportunidade econômica, da progressão intelectual. Quando o senhor diz que, sem as políticas de ação afirmativa, os negros se saíram muito bem em áreas como o basquete, não é um pouco diferente?

Williams: Não. Se você analisar a questão, somando o que os negros ganham a cada ano, isso é muito significativo. Seríamos a 14ª ou 15ª nação mais rica do mundo, se pensasse em nós como uma nação. É um progresso imenso, e duvido que se possa atribuir à ação afirmativa.

GN: O senhor acabaria com ela hoje, com as cotas e o resto?

Williamos: Sim, eu acabaria. Em primeiro lugar, acho uma injustiça o sistema de cotas. Em segundo lugar, ele não age a favor das pessoas chamadas de "beneficiárias das cotas". Por exemplo, muitas faculdades tem sistema de cotas. O que elas fazem, como Harvard, Yale e MIT, é recrutar alunos negros para seus cursos. Por serem faculdades de altíssimo nível, muitas vezes os negros param de estudar porque não conseguem competir.

Se tivessem entrado em outras faculdades, de nível não tão elevado, concluiriam o curso. Muitas vezes a ação afirmativa trabalha contra as pessoas que supostamente se beneficiariam.

GN: Se eu não tenho escola quando criança, se não tenho uma escola de ensino médio ou uma faculdade para frequentar, como poderei competir?
Não é justo que eu tenha alguma?

Williams: Não estou dizendo a ninguém para me ter como exemplo, mas, se
analisar a minha vida, eu nasci bem no meio da Grande Depressão, quando
havia muito preconceito. Eu consegui competir com meus colegas. Fui para a
UCLA [Universidade da Califórnia, em Los Angeles] e fiz meu doutorado quando
a universidade estava em 10º lugar no ranking de qualidade das universidades do
país.

Isso quer dizer que, se minha educação não foi tão boa quanto a dos outros alunos
lá, eu tive que me esforçar mais, tive que estudar mais, mas não recebi nenhum
privilégio. Talvez um cara de uma família rica que frequentou escolas de classe
média fizesse os trabalhos dele em uma hora, e eu levasse cinco horas para
fazer os mesmos trabalhos. Mas a questão é que os trabalhos foram feitos.

GN: No Brasil, pessoas de origem negra são a maioria da população. Eles não
tem privilégios. O senhor acho que deve ser assim?

Williams: Acho que em vez de privilégios, as pessoas precisam de oportunidades.
Existem muitas leis e regulamentações, e não conheço todas as do Brasil,
mas há muitas leis e regulamentações que cortam os últimos degraus da
escada econômica.

Só um exemplo: na cidade de Nova York, para obter a licença de dono e motorista
de táxi, em Maio de 2007, essa licença custava US$ 600.000,00. Que efeito tem
uma Lei como essa? Ela corta os degraus inferiores da escada econômica.
Impede que qualquer pessoa sem dinheiro ou financiamento seja taxista.

Leis do salário mínimo. A Lei Davis-Bacon nos EUA. Leis que estabelecem salários mínimos discriminam pessoas pouco capacitadas, que não conseguem subir na escada econômica.

O que eu proponho para as pessoas não só nos EUA, mas no mundo todo, é que
tenhamos um sistema de maior livre iniciativa, de troca pacífica e voluntária.

GN: O senhor não acha que alguém contra-argumentaria que a ação afirmativa ajudou neste ponto?

Williams: A ação afirmativa não ajudou neste ponto. Novamente voltamos às estatísticas. Analisando antes e depois da ação afirmativa, vemos que o progresso e os ganhos dos negros foram maiores antes da política de ação afirmativa.

GN: O senhor propôs o laissez-fair na economia. Nós tivemos uma grande desregulamentação do sistema financeiro nos anos 1990 e na década de 2000. Em 2008 houve uma enorme crise, porque não havia controle das finanças garantidas pelas hipotecas.

Williams: Mas isto foi causado pelo Governo, por Fannie Mae, Freddie Mac e outros. E as regulamentações do Governo nos EUA que obrigavam os bancos a concederem empréstimos a quem eles não concederiam de outra maneira. Foi a chamada Lei de Reinvestimento Comunitário que possibilitou aos pobres comprarem casa própria. Obrigaram os bancos a fazer empréstimos a quem eles não teriam feito de outra forma. Foi uma grande parte da crise hipotecária do país.

GN: Mas não foi uma obrigação foi uma opção.

Williams: Não, eles disseram aos bancos:

Se quiser abrir outra agência, se quiser ter permissão para abrir outra agência, tem que nos mostrar que concedeu empréstimos a pobres, negros ou minorias. Tem que nos provar que deu empréstimos. 

Fizeram chantagem com os bancos. E os bancos se dispuseram a correr esse risco, porque sabiam que o governo os ajudaria.

GN: O senhor acha que a crise de 2008 não foi causada pela desregulamentação.

Williams: Foi causada pelo Governo. A maioria das crises econômicas que ocorrerem nos EUA e no resto do mundo é causada pelo Governo. São as regulamentações do Governo.

GN: A desregulamentação que o senhor propõe é bastante ampla, inclusive em termos de liberdade de expressão e direitos civis. O senhor não vê necessidade de regulamentar nada disso?

Williams: Eu acho que é o tipo de regulamentação que, quando é feita... É o tipo de regulamentação e de leis que me impedem de obrigar você a fazer aquilo que você não quer. Deve haver leis que me proíbam de roubar você, leis que me impeçam de cometer uma fraude contra os outros. Mas, quando as leis que restringem e regulamentam a troca voluntária e pacífica, eu sou contra.

GN: O senhor não vê necessidade de que haja regulamentações ou leis contra a discriminação em um lugar que não receba verbas públicas.

Williams: Sim, certo.

GN: Então, eu tenho a liberdade de discriminar se tiver minha empresa?

Williams: Sim. Porque eu valorizo muito a liberdade de associação. Quando você diz que acredita em liberdade de associação, você deve permitir que as pessoas sejam livres para se associarem de formas que você despreza. É o verdadeiro teste de comprometimento.

GN: A Ku Klux Klan era um grupo livre de associados.

Williams: Eles praticavam violência, mataram pessoas. Eu sou contra isso! Eu disse que as pessoas devem ter o direito de fazer trocas voluntárias e pacíficas.

GN: O senhor está partindo do princípio de que uma pessoa que usa a liberdade de expressão para dizer coisas que o senhor odeia, pode fazer isso e continuar lá. E se o objetivo daquela pessoa for totalmente diferente? Se for usar essa liberdade de expressão para, mais tarde, limitar a sua liberdade de expressão?

Williams: Isso é errado.

GN: Mas isso acontece.

Williams: Isso não deve ser permitido. Pense nesse tipo de discriminação e se você o permitiria, caso fosse do governo; o Presidente.

Quando eu estava escolhendo uma esposa, em 1960, eu não dei a nenhuma mulher branca a oportunidade de casar comigo, nem a nenhuma brasileira. Eu discriminei e escolhi apenas entre negras. Eu devo ter a liberdade de me associar assim?

GN: Sim, deve.

Williams: Isso é discriminação. Evidentemente o que estou sugerindo é que a discriminação racial tenderia a acabar sozinha, se não fosse apoiada por alguma Lei. Ninguém tem moral para dizer:

"Vamos ajudar indivíduo D hoje, punindo o indivíduo C hoje, por aquilo que o indivíduo A de ontem fez ao B de ontem."

O que estou dizendo é... Você está dizendo:

"Vamos ajudar o negro hoje punindo o branco hoje, pelo que o branco de ontem fez ao negro de ontem."

Não é um sistema muito bom. Aliás, preciso acrescentar que os negros brasileiros deveriam estar muito à frente dos negros estadunidenses.

GN: E por que não estão?

Williams: Acho que é porque a sociedade brasileira não é tão livre.

GN: Claro, ainda existe discriminação.

Williams: Não, não. Não foi o que eu quis dizer.

GN: Mas é verdade.

Williams: Tudo bem, mas eu me refiro à regulamentação das atividades econômicas.

GN: A discriminação é insidiosa. Não precisa estar escrita nas leis, só precisa ser exercida. Ela existe e sempre existiu no Brasil

Williams: Ela existe em toda parte, até nos EUA, mas estou dizendo que a  liberdade econômica reduz a pressão da discriminação racial.

Por exemplo, quando as pessoas são capazes de fazer leis como a dos táxis de que dei exemplo, isso fortalece a discriminação racial. Mas se disser que qualquer pessoa pode ter um táxi...

GN: Porque uma pessoa poderia entender isso como: "Os negros brasileiros são preguiçosos. Po que não se saíram tão bem?"

Williams: Eu não citaria isso como motivo.

GN: Mas por quê?

Williams: Como acabei de dizer, foi a regulamentação econômica, que é a falta de liberdade econômica no Brasil. É uma tradição no Brasil.

GN: A liberdade econômica, na sua opinião, é a saída.

Williams: É, sim. E, se olhar pelo mundo, se você quisesse categorizas as pessoas, se fosse à Anistia Internacional para classificar países de acordo com a proteção aos direitos humanos, ou se os classificasse pela renda per capita, veria que a maior riqueza desses países é o grande sistema de livre comércio.

Os países mais pobres são socialistas ou comunistas. Você pode perguntar, como pode o Chile ser tão mais rico que a maioria dos outros países da América do Sul? Eles não tiveram grande liberdade política sob o governo de Pinochet, mas tiveram uma maior liberdade econômica.

Como pode a Coreia do Sul ser mais rica que a do Norte? É por causa da liberdade econômica. Por que a Alemanha Ocidental era mais rica que a Oriental? Porque tinha maior liberdade econômica.

GN: Os EUA tem um presidente negro pela primeira vez. Acha que ele será um sucesso?

Williams: Não, eu não acredito.

GN: Por quê?

Williams: Acho que será como Jimmy Carter. Será um governo fracassado. Não é muito bom para o 1º presidente negro.

GN: Por que será um fracasso?

Williams: Se analisar a reforma da Saúde [não há saúde pública e gratuita nos EUA], que ninguém quer, poucos estadunidenses querem, se analisar nossa posição na diplomacia internacional, se vir os problemas econômicos com que ele está lidando...

GN: E os problemas econômicos que ele herdou?

Williams: Bem, sim (risos).

GN: Mas é verdade.

Williams: Essa desculpa não serve para sempre.

GN: Está dizendo que, se me der uma casa meio destruída, depois de 6 meses, não posso mais dizer que está destruída?

Williams: É assim com pessoas do mundo todo que culpam o colonialismo por seus problemas. Pessoas de países do Terceiro Mundo dizem que foi o colonialismo. Elas só querem uma desculpa. Se analisar o Governo Roosevelt, o New Deal fez a Grande Depressão ser muito pior do que teria sido.

GN: No segundo mandato do presidente Roosevelt, os EUA eram o país mais rico do mundo, saindo da maior Depressão. Então? As coisas até podem ter piorado mas os EUA, em 1942, já era o país mais rico do mundo. Era o mesmo presidente que o Sr. diz que piorou tudo.

Williams: Sim, ele piorou. A maioria dos economistas que estudam os anos 1930 dizem que, sem o New Deal e também o último ano do Governo de Herbert Hoover, a Depressão teria durado 3 anos. Teria sido muito mais rápida, mas ele a transformou em algo que durou até 1945, 1946.

GN: Não é uma crítica sem fundamentos práticos?

Williams: Não, não é. Se analisar os EUA de 1787, data de sua criação, até os dias de hoje, aliás, até os anos 1930, ninguém achava que o Governo Federal deveria se envolver em questões econômicas. Foi só em 1930 que o Governo Federal se envolveu e a situação piorou.

GN: Se bem lembro, em 1929, houve uma grande queda em Wall Street, e o país se viu sem...

Williams: Isso não é verdade. O crash da bolsa, em 1929, não teve nenhuma relação com a Depressão.

GN: O que o causou?

Williams: Foi uma ação do Federal Reserve Bank [Banco Central dos EUA].

GN: Depois da Depressão?

Williams: Não, não. Foi no fim dos anos 1930. Quero dizer, fim da década de 20 e começo dos anos 30. Em 1987, houve uma grande queda na bolsa de valores. Não houve depressão econômica. Bolsa de valores e depressão não caminham juntas. Acredito que a maior contribuição para o bem-estar da Humanidade é a liberdade pessoal.

(continua)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A censura em blogs "progressistas" e "conservadores"

Há pessoas que rotineiramente criticam a censura, seja no tempo da ditadura militar ou após a redemocratização do país. Há conferências sobre o assunto, críticas sobre a censura que a imprensa e a mídia televisiva praticam sobre os mais variados assuntos em função dos mais diversos interesses.

Mas neste texto quero abordar a censura nas "novas mídias", em especial nos blogs.

Por alguns instantes precisarei sair do assunto:

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Primeiramente preciso gastar algumas linhas para evitar confusões ou taxações. Não sou "de esquerda" ou "de direita" ou "de centro". Não defendo partido político e nem políticos, apenas ideias, e como elas estão em constante aprimoramento, reservo-me o direito de acrescentar, melhorar, ou mudar de opinião, em função dos dados existentes. Não mudo de opinião para agradar ninguém, apenas se estou convencido de que outro ponto de vista é melhor do que aquele mantido até então.

Isto se faz necessário por algo que ocorre atualmente no Brasil. Uma briga interna ao Estado de São Paulo, entre PT e PSDB - militância, aliados e simpatizantes, que foi levada ao plano nacional.

Aqueles que gostam de rótulos, definem o PT como "esquerda" e o PSDB como "direita". Bem, dentro da lógica dos rótulos, e observando o comportamento dos partidos, alguns poderiam argumentar que o PT seria "centro esquerda" e o PSDB "centro direita", cada um com suas variações e seus fanáticos. Outros defendem que não há "direita" no Brasil, apenas "esquerdas" e "centro-esquerdas" muito moderadas. Enfim.

Isto porque o PT que existe hoje não é o PT socialista de antigamente. Está moderado em muitos sentidos, comportando-se em alguns aspectos como um partido "social-democrata" como é o PSDB. Diga-se de passagem que o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), formado por ex-peemedebistas, nasceu inspirado nas "esquerdas" sociais-democratas europeias, no entanto, sua atuação no Brasil seguiu por outra linha.

Em função desta disputa e divisão do eleitorado brasileiro, a contar pela votação observada no segundo turno da eleição presidencial 2010 (Dilma: 56,05% e Serra: 43,95% - a despeito de Lula ter 80% de aprovação), observamos um comportamento comum aos "dois" lados, ou dos militantes, no que diz respeito aos comentários em sites de jornais e blogs. Praticamente qualquer assunto passa para o plano ideológico, onde os combatentes empenham-se em acatar ou defender algum partido ou o Governo (atualmente do PT).

Costumo ler comentários de leitores porque sempre encontro algumas pérolas, críticas e sugestões bem dirigidas e fundamentadas, mas de uns tempos para cá isto está ficando cada vez mais tedioso, em função do comportamento acima mencionado.

Se você submeter sua contribuição ao debate, ou um mero comentário, certamente será taxado de "petralha" ou "tucananha", uma forma depreciativa para rotular um "petista" (PT) ou um "tucano" (PSDB) ou alguém cujas ideias parecem encaixar-se no que defende um ou outro partido.

Não interessa o mérito da questão, a lógica, os fundamentos ou a argumentação em si, a questão acaba por ser mais ou menos a seguinte: "se você não está alinhado com minha ideologia, o que você pensa não presta".

Sim, o que interessa é a verdade, nada mais do que a verdade, e somente a "esquerda" ou a "direita" tem a verdade. Daí a necessidade de se descobrir a qual lado pertence uma pessoa, ou estão suas ideias, isto já seria suficiente para saber se ela está no caminho da "verdade" ou não.

Irrita-me este tipo de comportamento, pois esgota-se a troca de ideias, esbarra-se na falta de educação e mata-se a racionalidade do "homem moderno", "evoluído", "democrático", da era do conhecimento, (...).
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Após esta cansativa mas necessária explanação, vamos ao texto em si.

Costumo informar-me diariamente sobre o país e o mundo, procurando informações na grande mídia além dos blogs independentes, independente da ideologia de seus autores. Para os taxadores, sim, consulto blogs de "esquerda" e de "direita", ou ainda, "progressistas" e "conservadores", sem qualquer problema.

Um exemplo deste contraste, ou guerra ideológica muitas vezes, apresento abaixo:

Paulo Henrique Amorim:

A VEJA, como se sabe, das duas, uma: ou é a última flor do Fascio, ou detrito de maré baixa.

A VEJA não se qualifica, sequer, para figurar no elenco do PiG (Partido da Imprensa Golpista).
Reinaldo Azevedo:

Sobre progressistas, cabritas desavisadas e viuvinhas.


Lula concedeu uma entrevista a blogueiros que se classificam como “progressistas”. Entendo! Os “regressistas” não estavam presentes. Alguns desses amantes do progresso são, na prática, pagos por vocês, embora o patrão dos entrevistadores, para todos os efeitos, seja o entrevistado.


Blogueiros progressistas não têm leitores. Assim, a repercussão da entrevista fica por conta dos grandes portais, dos jornais e, bem…, deste blog,  hehe.



Sim esquerdistas, eu leio o blog do Reinaldo Azevedo. Sim direitistas, eu leio o blog do Paulo Henrique Amorim (PHA). Estou em cima do muro? Não, apenas gosto da diversidade de ideias. Leio também diversos outros blogs. Ao fim do texto relaciono alguns como sugestão.

Confesso que é difícil as vezes ler os comentários dos leitores, e suas aventuras ideológicas, e algumas vezes de pura falta de educação, não a escolar, aquela que se aprende com a família, no tratamento dado aos outros, respeito, polimento, etc.

Já li em comentários no site de PHA onde algumas pessoas reclamavam que seus comentários no blog do Reinaldo Azevedo eram censurados, porque argumentavam mostrando inconsistências no texto do mesmo, e por isso não eram publicados (exemplo aqui).

Por outro lado, também já encontrei em outros blogs, internautas reclamando do mesmo tipo de comportamento, censura, em relação aos seus comentários no blog de PHA (um exemplo aqui).

Eu também já tive comentários censurados em alguns blogs, e até hoje não entendi o motivo, afinal, não continham palavras de baixo calão, ataques pessoais ou a qualquer partido político, apenas discordavam do texto, ou as vezes com alguma informação que poderia mudar um pouco a interpretação do texto.

O último caso foi justamente no blog do PHA. No seguinte assunto:


que mostra uma estranha cena entre Jair Bolsonaro (PP/RJ) e Maria do Rosário (PT/RS), em 2008, quando Maria do Rosário (MR) era Deputada Federal, hoje é ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Confira o vídeo, e se necessário assista-o novamente:



Não estou aqui para defender ninguém, nem para tomar partido, seja por sexo, ideologia ou mesmo por questão política. Vamos apenas analisar o vídeo.

Embora eu não tenha visto o material completo (o início da discussão não está no vídeo acima) porque pode conter detalhes que ajudam a elucidar o ocorrido, pelo vídeo acima vejo o seguinte:


- MR intromete-se na entrevista que JB concedia à RedeTV;

- [troca de palavras...];

- MR: [chama ele de estuprador, e depois confirma quando ele a questiona];

- JB: jamais ia estuprar você porque você não merece;

- MR: o Senhor merecia uma bofetada;

- JB: dá que eu te dou outra (6x);

- JB: [afasta ela, porque ela ameaçou dar uma bofetada nele];

- MR: O Senhor está me empurrando? [Chama o segurança]; mas o que é isso?

- JB: Você me chamou de estuprador, não tem moral. Vagabunda!

- MR: mas o que é isso? o que é isso aqui? (3x); Desequilibrado! O que é
isso, desequilibrado!

- JB: ...(?)... a tua família que é de estupradores (2x)...

- MR: mas o que é isso? (8x)

- JB: ainda bem que ele gravou tudo ali... chora agora, chora.

depois:

- JB: [comenta para os repórteres sobre a intromissão dela na entrevista dele]

(fim)

Neste diálogo que ocorre no vídeo, parece-me claro que ela começou e depois de agressões verbais de ambos os lados, os dois perderam a razão na troca de acusações. Portanto, ambos erraram. 

Contudo, muitas pessoas acusaram Bolsonaro de grosseria, agressão, e exigiram a aplicação da Lei Maria da Penha. O interessante disso tudo parece-me ser o seguinte: ela pode falar o que quiser, ameaçá-lo, que não tem problema, afinal, ela é mulher e tem a Lei Maria da Penha ao seu lado. Já ele, bem, se falar qualquer coisa é um "grosso", um "covarde", um "agressor". Onde estão os direitos iguais? (e os deveres também, já que a educação foi pelo ralo).
Não estou defendendo Bolsonaro, apenas pareceu-me nos diversos comentários que li em blogs e jornais que a balança pendeu para um dos lados. Digo que ambos erraram. Erraram em trocar acusações, insultos, na deselegância diante das pessoas que ali estavam, das câmeras - e por isso, diante do Brasil. 

Parece-me que no inconsciente de muitos dos comentários tem relação com uma simples associação: mulher = sexo frágil. Ao menos na hora de ouvir insultos, porque na hora de pronunciá-los, não há fragilidade, parece, inclusive, haver amparo na Lei, diante da reação que lemos nos comentários sobre o incidente.

Ou seja, ela pode acusá-lo do que quiser (ofensa à honra e à dignidade, é crime), mas, se ele ousar tratá-la no mesmo nível em que foi tratado, bradam diversos comentaristas: "Maria da Penha nele". Uma ofensa vinda de um lado não é crime, vinda de outro lado é crime? (...)

Ou as pessoas entendem errado o propósito da Lei, ou criou-se uma Lei para promover a desigualdade entre os sexos, porque os dois lados perderam a razão, portanto, os dois deveriam se retratar, mas um virou vítima e outro o agressor. Estranho, muito estranho.
-------


Pois bem, no blog de PHA o vídeo foi postado com o título: "Vídeo Revelador: Maria do Rosário enfrentou [sic] Bolsonaro", que por sua vez republicou um post do blog Tijolaço do Brizola Neto (inimigo político de Bolsonaro).

Cerca de 99% dos comentários eram de acordo com as opiniões do texto. Enviei um simples comentário de poucas linhas, abordando o que foi exposto acima, sobre a descompostura de ambos os parlamentares, comentário este que não estava alinhado com o texto nem com as opiniões da maioria  dos internautas.

Meu comentário ficou aguardando moderação e após um tempo foi deletado. Enviei o mesmo comentário novamente, que após um tempo foi deletado. Enviei um comentário a questionar o porquê de sua rejeição, visto que o mesmo não feria as regras do site, nem mesmo ofendia as partes ou qualquer internauta. E novamente, após este comentário, enviei pela terceira vez o comentário anteriormente deletado. E mais uma vez, tudo foi censurado, por não se alinhar com a ideia divulgada no texto.

Já tive comentários censurados da mesma maneira, em outros assuntos, no blog do Rodrigo Viana, o Escrevinhador, no blog do Azenha, o Viomundo, e também no site da Rede Brasil Atual - que curiosamente protestou por sofrer censura nas eleições 2010. Também já tive comentário censurado por Auguto Nunes, da Veja, envolvendo o seguinte assunto.

Enfim, como diz o ditado popular: "quem fala o que quer, ouve o que não quer". Com relação aos blogs, poderia ser: "quem escreve o que quer, censura o que não quer". (OK, estou sem inspiração hoje, reconheço).

A censura existe, não sejamos iludidos com bonitos e elaborados discursos defendendo a liberdade de expressão. É bonito defendê-la, e de muita honradez praticá-la.

Abraços.


P.S.: segue uma pequena lista de blogs que recomendo, com opiniões para todos os gostos, "esquerdistas", "direitistas" ou qualquer coisa:

Conversa Afiada (PHA)
Viomundo (Luiz Carlos Azenha)
Escrevinhador (Rodrigo Viana)
Blog do Miro (Altamiro Borges)
Luiz Nassif
Cloaca News
Tijolaço (Brizola Neto)
Olavo de Carvalho